"I'm only happy when it rains
I'm only happy when it's complicated
And though I know you can't appreciate it
I'm only happy when it rains
You know I love it when the news is bad
And why it feels so good to feel so sad?
I'm only happy when it rains

Pour your misery down on me

I'm only happy when it rains
I feel good when things are going wrong
I only listen to the sad, sad songs
I'm only happy when it rains.
I only smile in the dark
my only comfort is the night gone black
I didn't accidentally tell you that

I'm only happy when it rains

You'll get the message by the time I'm through
when I complain about me and you
I'm only happy when it rains

You can keep me company
As long as you don't care

I'm only happy when it rains
You wanna hear about my new obsession?
I'm riding high upon a deep depression
I'm only happy when it rains!".

"I'm Only Happy When It Rains"
Garbage.








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R.I.P., M.J.




 Escrito por Rindu às 16:04
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A CRIATIVIDADE NA INSÔNIA




 Escrito por Rindu às 13:13
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COMOFAS?


Quando eu ainda era criança eu assiti um filme na Sessão da Tarde que me marcou para sempre. Não lembro o nome do filme, nem consigo reconhecer nenhum ator do elenco para poder fazer uma pesquisa no Google, mas a história eu lembro bem.

A personagem principal era uma noviça num convento numa região bem pobre e longínqua da Espanha, ou do México. Ela já estava esperando o dia de fazer os seus votos perpétuos, e sentia sobre os ombros toda a expectativa da sua família de vê-la consagrada freira, quando se apaixonou perdidamente por um cigano. Confusa com tuda essa reviravolta e sem saber o que fazer com a sua vida, a moça foi rezar noite adentro diante de uma imagem de Nossa Senhora que ficava na capela do convento, que era famosa na região por ser milagrosa. Chorava angustiada, dividida entre seu amor pelo cigano e sua vocação religiosa, suplicando por uma luz.

Então aconteceu um milagre: a imagem de Nossa Senhora, que era bem grande, adquiriu vida e ficou idêntica à noviça. Desceu do altar e, sem dizer uma palavra, fez a moça entender que a substituiria no convento enquanto ela ia resolver a vida dela com o cigano. E assim a noviça caiu no mundo enquanto Nossa Senhora segurava a sua barra no convento, que nesse meio tempo ficou intrigadíssimo com o mistério da noviça muda e o sumiço da imagem da capela.

Só que a moça não tinha sorte. Depois de fugir para bem longe com o cigano, o namoro dos dois desandou e ele a abandonou para em seguida morrer assassinado. E a partir daí a noviça passou a comer o pão que o diabo amassou, porque parecia que tudo que ela tocava se desgraçava. Infortúnio após infortúnio, ela finalmente se apaixonou por um toureiro. E o cara prometeu para ela que assim que vencesse o touro mais cabuloso que existia na época, ele abandonaria a taurimaquia e eles se casariam.

No dia dessa última tourada, na última hora a noviça não teve coragem de ir assisti-la na arena, temendo pelo pior. Sozinha em seu quarto, ela se ajoelha e reza fervorosamente pela proteção do amado, quando uma rajada de vento escancara a janela e apaga a vela que ela havia acendido. Nesse momento ela compreende que o seu toureiro havia morrido na batalha. Então ela entende que só seria feliz mesmo sendo freira, e resolve voltar para o convento.

Depois de muitos dias de viagem, ela chega no convento já de noite, quando lá dentro se iniciava a cerimônia dos votos perpétuos da noviças. Do lado de fora havia uma multidão de romeiros bem miseráveis, todos com velas acesas e rezando pelo fim da seca que começou depois do desaparecimento da imagem de Nossa Senhora, e que arruinara todas as lavouras. Então ela compreende o que precisava ser feito, e entra na capela lotada para se encontrar com a sua sósia e liberá-la do seu favor.

Quando as duas se encontram e se olham, a moça se vê novamente vestida de noviça, enquanto Nossa Senhora caminha para ocupar o lugar vazio no altar. Assim que a imagem milagrosamente aparece ali, começa a chover torrencialmente lá fora, e o filme acaba com a noviça tornando-se freira.

Lindo, né? Demais.

Pois bem: eu ando me sentindo como essa noviça. É verdade que não fugi de convento nenhum, mas ando com a impressão de que trago má sorte para as pessoas que entram na minha vida. Parece piada, mas é verdade: é a pessoa aparecer na minha frente para em seguida enfrentar todo tipo de desventura: vão mal na faculdade, bombam nas provas, passam perrengues no trabalho, batem o carro, adoecem, brigam com a família, o escambau.

Aí eu pergunto: como eu faço para me livrar disso?



 Escrito por Rindu às 13:31
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OU NÃO


Faz mais de um mês que eu não publico alguma coisa autoral por aqui. E o pior é que eu sou forçado a admitir que não há qualquer justificativa decente para esse sumiço, até porque eu não fui a lugar nenhum: tenho estado aqui no Quarto 1222 esse tempo todo, caladinho, vendo os heróicos e minguados comentários que de vez em quando ainda aparecem.

Não vou desperdiçar o tempo dos dois ou três leitores que ainda me restam com mil tentativas para justificar tamanha displicência com este blog. A verdade é que não há uma explicação plausível para esse fenômeno inédito por aqui, em todos esses sete anos de atualizações ao menos semanais (se não diárias).

Não é falta de oportunidade: tempo para ficar pendurado no computador não me falta, ainda que seja com a TV ligada atrás de mim. O negócio é que há uns seis meses ou mais a minha vida entrou num turbilhão tão grande, em tantas áreas da minha vida, que isso tem me deixado psicologicamente esgotado. Quando finalmente tenho esse tempo para mim, só quero ficar quieto, morgando, calado, sem pensar em absolutamente nada. Voluntariamente jogo um descanso de tela na minha mente e fico completamente inerte, só faltando começar a babar.

Baixou um exu do Jaiminho em mim, e eu tenho vivido na base de evitar a fadiga. Nem to aí para nada. O mundo cai à minha volta (ou os aviões, em se tratando do carma do governo Lula), e eu nem me mexo. Ando até me recusando a ler qualquer coisa que não possa ser esquecida assim que é lida, perdendo-se no caminho entre a minha retina e meu cérebro. Até mesmo literatura tem me desanimado, e eu ando levando meses para ler livros que normalmente eu devoraria em duas semanas. Aliás, comecei um do Mario Vargas Llosa esses dias que eu acho que só vou terminar no Natal.

Qual a utilidade disso tudo? Francamente, eu não sei. Talvez eu esteja me deixando perder uma característica marcante da minha personalidade, que é justamente esse toque niilista/existencialista que se sempre me assombrou, também sempre me definiu. Ao optar por não mais sentir, também tenho deixado de pensar. E isso me faz um mero espectador da minha vida, ao invés de protagonista.

Talvez eu precise de um tempo -- justamente esse tempo -- para digerir tudo, e tanto. Aí talvez um dia eu volte com tudo, como antes.

Ou não.



 Escrito por Rindu às 18:07
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OS SONHOS DEMOCRÁTICOS (?) DO NOSSO PRESIDENTE


"Brasil: Apoie as Vítimas, Não aos seus Algozes"
Lula Deveria Demonstrar Solidariedade aos Direitos Humanos no Conselho da ONU

Do site da Human Rights Watch

(Genebra) - Quando o Presidente Lula da Silva do Brasil se pronunciar perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU hoje, deveria explicar porque o Brasil faz uso do seu voto no conselho para proteger países com péssimos registros de abuso aos direitos humanos, declarou hoje a Human Rights Watch.

"O apoio do Brasil a governos notórios por seus abusos aos direitos humanos está enfraquecendo a atuação do Conselho de Direitos Humanos da ONU," afirmou Julie de Rivero, uma das Diretoras da Human Rights Watch em Genebra. "Ao invés de defender as vítimas, o Brasil normalmente argumenta que os governos precisam de uma chance e que a soberania das nações é mais importante que os direitos humanos."

Nos últimos meses, o Brasil se absteve sobre a resolução da situação na Coréa do Norte, que condenava os graves, amplos, e sistemáticos abusos aos direitos humanos lá, especificamente a resolução condenava o uso de tortura e campos de trabalho forçado para presos políticos. O Brasil também se absteve de votar sobre a situação da República Democrática do Congo, que buscava fortalecer o papel de investigadores especialistas e condenar o uso de violência sexual como arma de guerra e de recrutamento de crianças.

Durante a sessão especial sobre a situação no Sri Lanka, o Brasil foi um dos países que apoiou a resolução que afirmava o princípio há muito desacreditado de não-interferência sobre assuntos domésticos. A resolução ignorou as alegações verbalizadas pela Alta-Comissária para Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, de que crimes de guerra estavam sendo cometidos tanto pelas forças governamentais quanto pelo grupo rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil e deveriam ser investigados por uma comissão de investigação independente.

A Human Rights Watch disse que o Brasil parecia acreditar que lamentar a morte de milhares de civis e expressar preocupação sobre o destino de 300.000 pessoas detidas em campos no Sri Lanka era interferência em assuntos domésticos.

"O Brasil parece mais preocupado em não ofender aqueles países que cometem abusos do que implementar o mandato do conselho para tratar de violações de direitos humanos," disse de Rivero.

Nessas votações e debates, o Brasil prefere se alinhar com países como China, Cuba e Paquistão que questionam no conselho a validade de ações sobre países específicos. O Brasil deu as costas a países como a Argentina, o México e o Chile que tem sido muito mais comprometidos com abordar os direitos humanos na ONU.

"O Brasil está se aliando aos violadores de direitos humanos ao invés de se aliar às vítimas," afirmou de Rivero. "Esperamos que no futuro a resposta do Brasil aos abusos levantados pelo Conselho de Direitos Humanos seja firme e veemente em defesa das vítimas."

Agora alguém me diz: o que mais esperar de um governo que se julga "revolucionário" em pleno século XXI, e de um presidente da República que tem ereções ao falar de Hugo Chavez, e acha Fidel Castro um herói incontestável?

E o terceiro mandato vem ae!



 Escrito por Rindu às 01:03
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PREVISÃO DO TEMPO EM SÃO PAULO


HOJE, 14 DE JUNHO DE 2009, DIA DA PARADA DO ORGULHO (?) GAY



 Escrito por Rindu às 02:33
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AMEI


Me identifiquei totalmente, hahahaha!



 Escrito por Rindu às 01:33
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04 de junho de 2004


Há cinco anos, sem eu saber, era o primeiro dia do resto da minha vida.



 Escrito por Rindu às 02:46
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PÂNICO


A mera suspeita de dois casos de gripe suína reportados aqui em Brasília causou o cancelamento de reuniões externas aqui no Escritório. Eu teria que dar um treinamento para um Projeto amanhã, mas ele foi peremptoriamente adiado.

Também amanhã haverá mais uma reunião extraordinária dos responsáveis pela segurança da Organização, para decidir se já é o caso de nos concederem um recesso de 7 a 10 dias para poderem definir melhor o quadro atual e a atitude correta a tomar.

Há um carregamento enorme de Tamiflu (princípio ativo: Oseltamivir) estocado aqui, suficiente para os funcionários e nossas famílias. Só que parece que o Tamiflu é eficaz mesmo contra a gripe aviária (a pandemia que esperávamos há alguns anos mas nunca aconteceu), e não responde bem contra a gripe suína -- o que significa que ainda estamos no mato sem cachorro. Também já chegaram as máscaras cirúrgicas, que provavelmente em breve nos farão usar dentro do Escritório.

Viagens para o exterior estão veementemente desaconselhadas até segunda ordem. Ah, e também há um saco mortuário, com o nome do meu chefe impresso, para o caso de ele morrer de gripe e ter que ser repatriado.

Todo santo dia eu recebo por e-mail no mínimo dois ou três relatórios sobre a pandemia de gripe suína. E todos dizem a mesma coisa: não há muito a fazer a não ser inibir aglomerações de pessoas, porque o vírus se propaga pelo ar. E em se tratando de América Latina, todos sabemos que as fronteiras são piores do que peneiras, e que por isso é inevitável que mais cedo ou mais tarde comecem a aparecer casos de gripe aqui no Brasil também (essas são palavras do Ministro da Saúde, José Gomes Aborteiro Temporão). Ou seja, é questão de tempo para a casa cair para o nosso lado.

A partir de amanhã todos nós seremos vacinados contra gripe -- não a suína, mas a gripe dos idosos -- de maneira quase compulsória. Aliás, nós, nossas famílias e até nossas empregadas domésticas.

Isso tudo para uma doença que, segundo tem sido dito na imprensa, não é tão letal, nem está se espalhando descontroladamente, nem contaminou tanta gente quanto dizem. Ouço isso e fico pensando se, tendo em vista todo esse frenesi que eu tenho assistido por aqui, isso não passa de historinha para boi dormir e não deixar o povão aloprar.

ATHCÓINC para vocês.



 Escrito por Rindu às 17:58
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HOJE


Hoje eu acordei triste.

Na verdade, já faz algum tempo que isso vem acontecendo, e até agora a minha atitude foi não dar muita atenção a isso. Mas hoje não deu para simplesmente deixar para lá e esperar passar: a tristeza que tem me visitado nas últimas manhãs parece que escolheu essa segunda-feira para fazer uma chegada triunfal.

A verdade é que eu tenho me sentido ultimamente como um daqueles mamutes que eram caçados pelos homens das cavernas: os bichos eram grandes demais para sucumbirem com um golpe só, mas tantas eram as flechadas que recebiam, que uma hora não resistiam mais. E meu, eu ando parecendo São Sebastião de tanta flecha que eu tenho recebido.

Hoje em dia qualquer coisa parece contribuir para mais uma flechada que drena as minhas forças ainda mais um pouco. Começo a sentir mais intensamente a urgência de tomar uma atitude em relação a minha carreira profissional, e por isso tenho sentido o meu corpo retrair-se e retesar como o de um gato que se prepara para um salto... Ando sonhando com com isso à noite, e de dia raramente consigo pensar em outra coisa. De vez em quando me pego me despedindo de pessoas e lugares, e frequentemente sou assombrado pelo medo de enfrentar o futuro, me imaginando morrendo na praia, fracassado, tendo perdido o que tenho e sem ter conseguido alcançar o que busco.

Parece que recentemente tudo vem assumindo por si só uma dimensão exagerada, como que sob uma lupa diabólica, que amplifica as coisas a ponto de me fazer duvidar se terei as forças necessárias para vencer os desafios sem naufragar.

Em suma, medo. Muito medo. Medo de trocar o certo pelo incerto, o conforto pela batalha, a terra natal pela estrangeira. Um medo que desproporciona as coisas e me tira do eixo de equilíbrio.

Junto a isso tudo há ainda a minha eterna insatisfação com o meu trabalho, que me faz ir trabalhar todos os dias movido por um misto de abnegação, resignação e tristeza. O único consolo que tenho é pensar que a cada dia que passa, falta menos para a minha libertação desse jugo. Mas aí sofro ao tentar imaginar para que, para quem e para onde será essa libertação... Certamente viver a vida de sexta-feira em sexta-feira não é o que define uma pessoa realizada, mas há de se ter um rumo definido para poder sair disso de uma vez por todas. Só que eu não consigo ter a certeza de ter encontrado esse rumo, e acabo que vivo às apalpadelas pela vida afora.

Além de todas essas coisas, eu também tenho tido a impressão de ter meus passos seguidos por uma alcatéia furiosa e surdina. Gente que se indigna contra a minha teimosia a respeito da fé que professo, apesar da forma com que a minha vida se apresenta para mim. Rosnam pelos cantos, raivosos, contra a minha ousadia de continuar sendo católico, viver a minha fé ao máximo da plenitude que consigo, e ainda por cima permanecer atuante na Igreja.

Isso é o que tem me chateado mais. Sinto como se quisessem tirar de mim algo que me é muito precioso, só porque aos olhos de uns e de outros eu não sou suficientemente digno dela (como se eles, por outro lado, o fossem). E por causa disso me vejo imerso num oceano de falsidades e mentiras, de gente que da mesma maneira que me saúda pela frente, me condena pelas costas.

Acredito que boa parte dessa mágoa venha da minha convicção pública de que erros são erros, e ponto final. Que a frequência ou a intenção com que eles são cometidos, não importa por qual razão ou por quem, simplesmente não têm o poder de transformá-los em acertos. E com a vida eu aprendi que isso fere corações acostumados a reputarem-se como justos e acima do bem e do mal.

Pessoas que acham um absurdo que justo alguém como eu ouse lembrar-lhes de que há um longo caminho de conversão para quem quer mesmo se dizer católico verdadeiro. Que esquecem que pecado é pecado, e que embora tenham nomes diferentes, o meu e o deles têm exatamente a mesma natureza -- e que por isso mesmo tanto eu como eles temos que admitir que erramos muito, demais até. E que isso é uma obrigação de todo cristão, não uma escolha pessoal.

Juro que tem horas que eu penso em desistir de tudo, sabe? Ficar quieto na minha, e me esforçar para simplesmente sumir e não chamar mais atenção de quem quer que seja. Mas aí eu lembro que é justamente isso que essas pessoas querem. E é a indignação que se apodera de mim nessa hora que me faz erguer o queixo e teimar em ir em frente, contra tudo e contra todos. Afinal, o único que pode me julgar é Deus, e com esse eu consigo me entender sem precisar de jurados.

Ademais, o que eu faço na Igreja não faço por mim, mas por algo bem maior do que eu, e muito mais importante do que esse tipo de conversinhas de comadres despeitadas. Afinal, essa gente está mais a serviço de si mesma e do mal do que de Deus.

Como se já não bastasse o desgaste de cada dia, ter que lidar com isso também fere muito o meu coração. Uma ferida grande, calada, e que me deixa triste.



 Escrito por Rindu às 12:11
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PEDRA MORRO ACIMA, PEDRA MORRO ABAIXO


"A dona aranha
Subiu pela parede
Veio a chuva forte
E a derrubou

Já passou a chuva
O sol já vem surgindo
E a dona aranha
Continua a subir

Ela é teimosa
E desobediente
Sobe, sobe, sobe
E nunca esta contente"

Eu, que já estava chegando nos 81 quilos e estava bem feliz com os resultados da dieta e academia, fui surpreendido por uma amigdalite um pouco antes da Páscoa. E não foi uma amigdalite qualquer: foi uma daquelas titânicas, que me deixou de cama por quatro dias, com 40 graus de febre e a garganta completamente fechada.

O saldo disso tudo? Dias à base de suco e sopinha, mais de três semanas sem dar as caras na academia. E o resultado não podia ser outro: quatro quilos a menos na balança, desses sendo quase dois quilos de músculos que viraram fumaça.

Fazer o quê? Desistir? Chorar?

O jeito é recomeçar tudo de novo. Carga pesada nos suplementos (e uma sangria de dinheiro por causa disso), e voltar ao be-a-bá da academia até que meus músculos se lembrem do que eram capazes de fazer há um mês atrás. Contra isso tudo, uma grande, enorme, abissal preguiça. Mas se persistência é o custo da transformação, que seja.

Porque eu sou brasileiro, e não desisto nunca.



 Escrito por Rindu às 12:42
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 Escrito por Rindu às 13:23
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A CAMINHADA E O TROPEÇO


Hoje eu li uma reportagem publicada no UOL que começava assim:

"O salário é pouco; as responsabilidades tornaram-se excessivas; o superior direto é inseguro e impede seu crescimento profissional; o ambiente de trabalho é demasiado competitivo; falta reconhecimento. Muitos são os motivos que levam as pessoas a procurarem outro emprego".

Juro que tive que cuidar para que lágrimas não viessem aos meus olhos. Quer dizer então que outras pessoas já passaram pelo que eu venho passando nos últimos meses? Que a minha não é uma situação inédita? E, o melhor: que há uma saída (embora drástica) para isso?

Acho que alguns ainda se lembram do entusiasmo com que aceitei a oportunidade de vir trabalhar na Organização. Acreditava de verdade que aqui eu encontraria um ambiente motivante, entusiasmado, pujante, dinâmico. Pensei que aqui seria um lugar em que eu encontraria todos os meios para crescer tanto como pessoa quanto como profissional, com campo para desenvolver meus talentos e capacidades ao máximo. Enfim, achei que tinha encontrado um lugar para construir uma carreira sólida que duraria até o dia em que me aposentasse.

Quanta decepção... Ao contrário de tudo o que eu idealizava, o que eu encontrei foi uma calamidade cronicamente desorganizada, e caótica às raias do desespero. Um sistema confuso que opera de maneira injusta e arbitrária, que prefere buscar bodes expiatórios para a suas falhas estruturais do que convocar esforços para encontrar-lhes uma solução. Numa miopia administrativa acentuada, questões básicas de infraestrutura parecem ser bem menos importantes do que, por exemplo, o cumprimento estrito do horário de trabalho ou a casualidade da indumentária dos funcionários.

Toda essa conjuntura se reflete de modo cruel no ambiente de trabalho. As pessoas trabalham inseguras e angustiadas, porque nunca se sabe quem estará na berlinda da próxima vez. Sempre tensas, estão sempre prontas para apontar os dedos umas às outras, no afã de desviarem para outro colega o foco de um aborrecimento que, em última análise, sequer lhes compete. Num ambiente doentio assim, coleguismo e cooperativismo são conceitos abstratos, cultivados timidamente quase que como virtudes ascéticas.

E é claro que isso tem o seu preço: um escritório cheio de pessoas estressadas, desmotivadas, queixosas e infelizes. Licenças médicas são frequentes, e os constantes pedidos de férias ao longo do ano são indícios de que as pessoas simplesmente não conseguem ficar por aqui muito tempo sem desejar poder simplesmente sumir.

E o pior é que nem se fala de melhorias: aos olhos dos gestores, isso tudo que eu acabei de dizer é fantasia ou insolência dos funcionários. Afinal, se são pagos em dia, para que falar de reconhecimento profissional? Ou progressão na carreira? Se têm tantas responsabilidades e atribuições para se dedicarem, para que perder tempo construindo um ambiente amigável, livre de tensões e cooperativo? Se o importante é que as coisas sejam feitas direito e a tempo, para que então se perder tempo falando de criação de rotinas e distribuição equanime de responsabilidades?

Foi assim que conseguiram tranformar a minha motivação numa insatisfação abissal. Olho à minha volta e o que eu vejo não me realiza nem um pouco, e é grande a sensação de estar desperdiçando minha a minha saúde, qualidade de vida e capacidades aqui. Ao mesmo tempo em que isso tudo pode vir a me servir de catapulta para mais uma mudança na minha carreira, é impossível não deixar de lamentar: se era para ter sido tão bom, por que tornou-se isso?

E, como eu vi na reportagem, não sou o único no mundo que vive uma realidade assim. Infelizmente, em muitos lugares por aí, é assim que caminha a humanidade.



 Escrito por Rindu às 18:56
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CHEGAY


Não sei se foi por causa dos meus lindos olhos, ou por causa das minhas frequentes contas astronômicas, outro dia a TIM resolveu me ligar para me dizer que queria me presentear (sic) com um novo aparelho celular. Sim, caro leitor: um novo celular, entregue pelos Correios, e tudo a custo zero. E olha que maravilha, eu até poderia escolher o modelo!

No começo eu cheguei a pensar que aquilo era um daqueles trotes para extorquir dinheiro, que vez por outra a gente ouve falar que presidiários de Fortaleza aplicam em incautos. Do tipo que começa prometendo mundos e fundos, só para mais tarde fazer as ameaças mais horripilantes. Mas quando a mulher do telemarketing me disse o meu endereço corretamente, eu acreditei que a coisa era para valer e fiquei bem feliz.

E então passamos para os acertos finais, até que chegou a hora de escolher o aparelho.

[pausa]

Desde que eu me conheço por gente, eu tenho uma enorme resistência de ser igual aos outros. Acho que todo mundo é mais ou menos assim, mas em certos momentos essa característica se torna um aspecto bem relevante da minha personalidade. Eu não gosto de me parecer com os outros,  ter as coisas que os outros têm, ou fazer as coisas do jeito que o resto do mundo faz. E embora isso pode até ser bem divertido e enriquecedor, não é raro eu me colocar em situações meio inusitadas por conta disso.

[/pausa]

Então, escolhido o aparelho, perguntei das opções de cores disponíveis: preto e roxo.

O meu raciocínio (ou a falta dele) foi rápido: todo mundo tem esse celular preto: meu irmão, uns amigos meus, um monte de gente que eu vejo na rua. Então, claro, eu hei de ser diferente e decido querer o roxo. E ponto final.

Pois bem, ontem me chegou o celular: se eu tinha imaginado um roxo azulado (tipo roxo hematoma), me dei mal. Eis que por infortúnio eu trago agora comigo um celular praticamente violeta (ou lilás, não sei bem distinguir essas nuances de cores), bem cheguei. E como se a cor por si mesma já nào bastasse, ele ainda por cima tem a capa bem polida, brilhante. Um mimo de frescor e delicadeza.

Eu poderia recusar a encomenda para então tentar descolar outro telefone, ou ainda peregrinar pelas lojas da TIM aqui de Brasília para trocá-lo, mas resolvi deixar para lá. Nunca fui de me importar com o que as pessoas acham ou deixam de achar em relação ao que trago comigo, e não vai ser agora que isso vai começar a me incomodar. Só estranho um pouco porque um celular lilás brilhante não condiz muito com a pose low profile que eu sempre tentei cultivar.

Mas eu nem tô. Agora eu quero é mais o meu hype em brilho!



 Escrito por Rindu às 17:28
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A HISTÓRIA E A EXPERIÊNCIA


Acho que foi numa loja em Porto de Galinhas que eu vi à venda umas camisetas com aquelas comparações entre as faixas etárias dos homens e a evolução do desejo sexual. Fiquei curioso para ver o que dizia a camiseta sobre a minha idade, e achei graça quando a encontrei: "30 - 40 anos, idade da águia: escolhe o que quer comer".

E o pior é que é por aí mesmo.

Eu já tive o meu tempo de esbórnia, quando o que contava mesmo era ter o máximo de experiências possíveis. Foram anos loucos: fiquei com praticamente todo mundo que eu já quis, fiz tudo o que eu queria, tirei em regra todo o atraso de uma vida adulta iniciada tardiamente.

Só que, de repente, tudo mudou.

Ando percebendo que se antes eu buscava acumular experiências, agora tenho buscado construir histórias. Busco algo que permaneça, que acrescente algo a minha vivência, que me faça sentir algo a mais do que um affair insignificante. Uma dimensão mais humana dos meus relacionamentos, ao invés de bidimensionalidade da mera atração física.

O diabo é quando a gente encontra pessoas que ainda não sacaram isso -- e olha, não estou falando necessariamente de gente com vinte e poucos anos, não. Idade está longe de ser sinal de maturidade, e é triste se deparar por aí com uns adolescentes tardios, que acham que a vida consiste só em pular de galho em galho sem pensar no que virá amanhã. Não sei quem está certo, eu ou eles, mas a verdade é que eu não me permito esquecer que o viço da juventude não dura para sempre. E que quando chegar o dia em que eu não for mais considerado parte do jogo, eu quero estar muito bem acompanhado, bem feliz e em paz com o meu passado.

A fábula da cigarra e da formiga está aí para dar a dica: o conforto do inverno da nossa vida a gente constrói na primavera da nossa juventude.



 Escrito por Rindu às 17:48
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