"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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EMENDANDO


De um tempo para cá eu ando prestando atenção ao meu discurso. Acho que nem todo mundo tem percebido, mas eu venho notando uma certa carga de negativismo em mim.

Essa é meio que uma característica minha: sou muito observador, por isso mesmo muito crítico, e para mim é muito fácil encontrar defeitos em absolutamente tudo. Entretanto, ultimamente parece que eu não consigo abrir a minha boca se não for para reclamar, me queixar ou criticar alguma coisa.

Sabe aqueles caras que nunca se impressionam ou se satisfazem com nada, e ainda cuidam para espalhar essa nuvem de urucubaca por todos os lados? Eu ando assim já faz algum tempo. Às vezes eu me pego descendo o pau naquilo que tanto entusiasmava o meu interlocutor no começo da conversa, e perceber isso acaba comigo. Quando dou por mim, já falei um monte de coisa negativa e dou de cara com um olhar meio desiludido na minha frente. Eu me sinto péssimo.

Hoje aconteceu isso. Eu estava conversando com um casal de namorados que está no auge da sua paixonite, começo de namoro e tal. Quando dei por mim, estava literalmente dizendo que não existem namoros que prestam hoje em dia. Que é melhor ser celibatário e aprender a ficar sozinho até o dia da nossa morte. Mal eu tinha terminado de falar, cruzei o meu olhar com dois pares de olhos meio estupefatos. Juro que nessa hora eu amaldiçoei a minha capacidade de expressar pensamentos com palavras.

Fato é que eu ando muito amargo. E isso tem a ver com um monte de mágoas que eu venho carregando dentro de mim. Eu preciso me livrar disso, aliviar o meu coração, aprender a sorrir de verdade novamente. E sabem o que eu ando percebendo também? Que essas mágoas não são minhas em relação aos outros; são minhas em relação a mim mesmo. Eu tenho que me perdoar de um monte de coisas, fazer as pazes com o meu passado.

Estou fazendo uma lista de todas as coisas que, quando eu me lembro que fiz, sinto uma contração involuntária no abdome. Todas aquelas coisas que me fazem desejar poder voltar no tempo para me impedir de fazê-las, mesmo que fosse à base de sopapos. Coisas que vêm desde que eu tinha oito, treze anos. E que se estendem até bem pouco tempo.

Vai dar um trabalhão danado, mas acho que fazer as pazes comigo mesmo é uma parte importante desse esforço para reconstruir pontes que eu venho fazendo. Só assim vou me sentir livre para seguir em frente.



 Escrito por Rindu às 22:38
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QUARTO 1222 NO ATLAS


Alguém aí já notou o mapa-mundi na coluna de links aqui à esquerda? É de um sítio que vai registrando os acessos que o Quarto 1222 recebe diariamente dos mais diversos lugares do mundo. O tamanho dos pontos vermelhos indica a quantidade de acessos a partir de cada ponto.

Eu inscrevi o meu blog nesse sítio há menos de uma semana, e a cada dia é uma surpresa nova ver um pontinho inesperado aparecer no mapa. Por exemplo, jamais imaginaria que alguém em Israel e no Japão (e no Hawaii também) me lesse. Ou na Finlândia, Índia e Ilha da Madeira.

Tenho leitores em Buenos Aires, Montevidéu, Santiago, Boston, Nova York, Chicago e Los Angeles. Em Lisboa, Gibraltar (?), Londres e alguém na fronteira franco-suíça (esse eu suspeito quem seja). A Bélgica tem uma visitante assídua que eu já sei quem é também, mas não sei quem possa estar me acompanhando da Alemanha.

Já aqui no Brasil, a superposição dos pontos vermelhos de diferentes tamanhos já está fazendo com que eu não saiba direito de onde vêm alguns dos meus leitores. Pelo que percebi, tem muita gente no Sul, Sudeste e Nordeste -- sobretudo no extremo leste, o que pode ser gente em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. E surpreendentemente sou muito lido na Região Norte: há um ponto bem grande no que parece ser a fronteira norte do Mato Grosso, além de Manaus e Belém.

É estranho perceber assim que tem gente que tem o hábito de vir aqui acompanhar todas as idiotices que escrevo. De certa forma, também é estranho ver que deve ter gente por aí que torce e gosta de mim sem se revelar (embora também deva haver aqueles que se deliciam com as minhas agruras, claro).

Tanto para uns quanto para outros, eu só posso agradecer. E espero poder retribuir à altura tamanha honra que é receber-lhes neste Quarto 1222.

Obrigado.



 Escrito por Rindu às 08:46
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TA-DA-TA-NANANA


A crítica especializada caiu de pau, mas eu tenho que confessar que gostei da versão cantora de Paris Hilton. "Nothing In This World" é bem fofa, e até que a moça demonstra uma certa habilidade vocal na hora de cantar o refrão.

Se bem que hoje em dia isso não significa absolutamente nada: há programas de computador que fazem até mesmo um adolescente no auge da mudança de voz soar absolutamente afinado.

O que nos leva à seguinte reflexão: o que o dinheiro hoje em dia não compra? No caso da Paris Hilton, ele lhe deu beleza, fama e até talento musical.

Ainda bem que não engarrafaram a felicidade ainda.



 Escrito por Rindu às 08:30
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É O CÚMULO


Diz aí: a mulher é uma celebridade, mas resolve não ligar para isso e vai trepar com o namorado numa praia cheia de gente.

É filmada, e naturalmente o vídeo de suas peripécias lúbrico-marítimas se torna uma das grandes manias da internet em 2006.

Aí, ao invés de fazer a egípcia e preservar o último resquício de dignidade que lhe resta, resolve simplesmente entrar na justiça e bloquear o acesso de 180 milhões de brasileiros ao sítio da internet onde o seu -- e outros milhões de outros vídeos inocentes -- estão disponíveis para serem vistos.

É muita falta de uma havaiana-de-pau, viu.



 Escrito por Rindu às 09:23
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RENEW GALORE


Em dezembro passado os meus tios comemoraram 30 anos de casados. No meio das comemorações, emergiu de alguma gaveta bem profunda o álbum da cerimônia de casamento deles, para passar de mão em mão. Lógico que o álbum parou em mim um bom tempo.

Quando meus tios se casaram, eu tinha um ano e um mês de idade. Ou seja, aquelas eram imagens que, embora tenham sido contemporâneas minhas, eu nunca tinha visto -- daí o meu interesse tão grande. Fiquei horas viajando em cada foto, absorvendo cada imagem na minha memória.

Foi estranho ver meus avós -- os quatro, porque meus avós paternos também foram convidados para o casamento -- inteiraços, sem aquela aura de velhice que sempre embaça as lembranças que eu tenho deles. Meu avô, por exemplo, embora já sem uma perna (ele a perdeu depois que caiu de um cavalo) estava ereto, vigoroso, apoiado em somente uma muleta. E eu só me lembro de ver o meu avô caminhando apoiado nas duas muletas, e mesmo assim só até quando ele decidiu que não andaria mais.

Meus avós maternos, então, nem se fala: assistir ao casamento do filho certamente lhes iluminava o sorriso no rosto, mas mesmo sem considerar isso é notável o quão bem eles estavam naquela época.

Olhando para as fotos, não pude deixar de comparar a aparência das minhas avós com as idades que elas tinham, em relação ao que se vê hoje por aí. Em 1976 a minha avó paterna tinha só 57 anos, e a minha avó materna sessenta. Nas fotos, ambas aparecem austeras, matronas mães de família. Os corpos severos, sem curvas ou qualquer traço de sensualidade, e a pele visivelmente perdendo a tônus embaixo do queixo, no pescoço e em volta da boca e dos olhos. Só os cabelos mantinham a cor do viço da juventude, graças à L'Oreal.

Não que as minhas avós fossem duas desleixadas, que se deixaram acabar por falta de vaidade ou cuidado. Antes, pelo contrário: a minha avó materna foi uma das mulheres mais vaidosas que eu já conheci na vida. A aparência delas naquelas fotos retrata a realidade das mulheres daquela época.

Até o fim dos anos oitenta, uma jovem de 30 anos era invariavelmente introduzida no mundo mágico dos coques, cores pastéis e o indefectível chemisier. Uma mulher de 40 anos era intimada a abanar-se dos fogachos da menopausa dentro daqueles vestidos saco-de-velha, e uma senhora de 50 anos já era tida como idosa. E aos sessenta anos as mulheres reduziam-se a avós. E foi isso que eu vi nas fotos do casamento da minha tia: minhas duas avós.

Avós de sessenta anos.

Nada parece mais inverossímil do que isso nos dias de agora. Vera Fischer, Christiane Torloni, Bruna Lombardi, Suzana Vieira, Eliane Giardini, Ana Maria Braga, Xuxa, Kim Basinger, Ângela Vieira, Sharon Stone, são todas mulheres acima de quarenta, muitas já bem entradas nos cinqüenta e algumas já sessentonas que estão aí dando testemunho de um tempo em que a idade parou. Rosamaria Murtinho e Hebe Camargo, já ingressas na turma dos setenta, nem precisam ser mencionadas.

As técnicas modernas de cirurgia plástica, Botox, Metacryl, ácidos, microbiologia e o escambau, sem contar as massagens, novas modalidades de ginástica, reposição hormonal e a cultura de qualidade de vida transformaram a menopausa num mito meio perdido nas névoas do passado.  Agora no verão, as coroas andam todas por aí, saracoteando pelas praias exibindo corpos bem torneados e rijos -- nem que seja à base de silicone.

Os homens ainda andam meio renitentes para aderir a essa fonte da juventude tecnológica, mas eu acho que o movimento metrossexual veio aí justamente para mudar isso. Eu boto muita fé. Hoje em dia é muito mais fácil envelhecer com dignidade e qualidade de vida. E se a ciência e a tecnologia estão aí para isso mesmo, a gente tem mais é que usar e abusar.

Por mim, já tenho cá meus trinta-e-um anos. Estou longe de um chemisier, mas que venham as agulhadas quando for preciso!



 Escrito por Rindu às 17:43
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