SAI DE MIM
A minha baia aqui no Programa fica bem numa "esquina" da minha sala, o que me deixa bem exposto. Todo mundo dá notícia da hora que eu cheguei, de quando vou embora, se me levanto para ir ao banheiro ou tomar um café, ou se atendo o telefone. Inclusive, todo mundo ouve as minhas conversas, e se não tomo cuidado são capazes de ler as minhas conversas de MSN também. Se dou uma pausa no trabalho para dar uma pescoçada no Orkut, ou ler as notícias no UOL e no Terra, então, é o mesmo que dar munição para o meu esquadrão de fuzilamento.
Não preciso dizer que eu ODEIO isso. Acho que ninguém se dá bem com essa sensação de estar sendo constantemente vigiado, mas eu particularmente enlouqueço por ter a minha privacidade invadida, meus passos vigiados. Sou do tipo lone-rider: tenho meu próprio ritmo, meu jeito de fazer as coisas, e simplesmente não consigo me sentir à vontade sob o olhar perscrutador de Irene.
Uma das minhas colegas de trabalho tem uma sorte diferente. A baia dela é a mais mocada de todas: por lá só passa quem vai buscar café ou mexer nos arquivos, e mesmo assim para vê-la a pessoa tem que se desviar um pouco desse caminho. A vantagem desse lugar é óbvia: por exemplo, ontem ela sumiu no meio da tarde, e ninguém deu notícia do desaparecimento. Eu só fui perceber que a baia estava deserta bem no fim do dia, quando fui pegar um café para o meu lanche e ninguém respondeu quando eu a cumprimentei.
Sério, se inveja matasse, hoje eles teriam encontrado o meu cadáver frio, hirto e seco, com os dentes trincados, embaixo da mesa dela.
Detalhe: eu nunca ouvi comentários ou reclamações sobre essa colega, ou quanto a qualidade do trabalho que ela faz. Responsabilidade e produtividade têm a ver com como se trabalha, e não com o quanto de tempo se passa sentado numa cadeira.
Foda é quando só você pensa assim.
Escrito
por Rindu às 10:26
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