"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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QUASE UM MÁRIO QUINTANA


Clonaram um dos meus posts no Orkut.

Estou lisonjeado. Não mereço leitores como vocês, para me honrarem assim.



 Escrito por Rindu às 23:25
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QUEM DIRIA QUE EU VIVERIA PARA VER ISSO


O meu maior prazer ultimamente tem sido acompanhar a fragorosa desilusão dos petistas emperdenidos com os rumos que o Governo Lula tem tomado. Depois de sentar no colo do PMDB e pedir para o Sarney ser carinhoso porque era a primeira vez, Lula ontem jurou amores a ninguém menos do que Fernando Collor de Melo.

Aliás, frente à bandalheira feia orquestrada pelo Palácio do Planalto que veio à tona em 2005 e 2006, os crimes e desmandos de Collor em 1992 viraram traquinagens de menino levado. E com o aval que as urnas lhe deram nas últimas eleições, o nosso glorioso Presidente da República não precisa mesmo ter escrúpulos com o seu passado ideológico.

E então, como se não bastasse a dor de constatar a amnésia moral que acomete uma ícone quase divina do petismo tradicional, os vemelhinhos de outrora estão tendo que dar tratos à bola para conseguir dormir. Tem sido difícil consolar suas consciências doloridas por causa das manobras espúrias para barrar a CPI do caos aéreo no Congresso Nacional. Quem diria: o PT que outrora vociferava contra manobras semelhantes conduzidas pelo tucanato, hoje segue a mesmíssima cartilha. Sem tirar nem pôr.

Nossa, a partir de 2010 muita gente vai ter que ficar bem calada, com rabinho entre as pernas e tudo.



 Escrito por Rindu às 18:03
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NA NOVELA DAS OITO


Alguém já parou para prestar atenção na abertura da nova novela das oito da Globo, "Paraíso Tropical"? Num vôo panorâmico que começa atrás do Leme, uma Copacabana absolutamente perfeita vai se desenrolando preguiçosa ao som da indefectível bossa-nova que caracterizou a novela passada, "Páginas da Vida". A Avenida Princesa Isabel surge iluminada de dourado e desemboca numa Avenida Atlântica absolutamente linda. Nada de pivetes. Nada de lixo nas calçadas e na areia. Nada de prostitutas.

Quando a tomada passa a ser do mar, então, aí é que a coisa fica maravilhosa: sobrevoando um transatlântico em movimento, a câmera corre por cima da água até mostrar os prédios incrustados entre os morros e a praia. Tudo iluminado em um dourado surreal. Não há sombra de decadência, línguas negras vomitadas no mar, arrastões, nada.

E então a câmera recua um pouco para mostrar uma vista panorâmica de uma Copacabana -- pasmem -- ornada por morros completamente cobertos por uma Mata Atlântica luxuriante, intocada. Não há uma favela sequer. Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Morro dos Cabritos, Chapéu-Mangueira e Babilônia simplesmente desapareceram da Copacabana que a Rede Globo quer mostrar.

Mais que uma "liberdade poética" em nome da estética, eu acho que a abertura dessa novela aponta muito mais coisas do que se pode perceber superficialmente. Numa época em que já morreram mais de 700 pessoas na cidade só no primeiro trimestre deste ano, e que é a polícia que teme os bandidos -- e não o contrário -- a seqüência inicial de "Paraíso Tropical" revela um esforço enorme para convencer de que não há nada de errado no Rio de Janeiro.

Querem que acreditemos que o tecido social está intacto: não há exclusão social, não há desigualdade. Não há tráfico de drogas, nem Comandos, nem Milícias, nem garotos sendo arrastados por carros roubados. Não há ônibus incendiados com inocentes dentro. Se brincar, é capaz de dizerem que sequer há violência urbana, é tudo invencionice de paulistas revanchistas e de jornalistas carbonários. É quase um convite para que enterremos as nossas cabeças nas areias da Zona Sul e finjamos que nada de mais grave está acontecendo.

E o pior disso tudo é constatar que, por mais estaparfúrdio que seja, muitas pessoas atendem a esse convite de livre e espontânea vontade.

Não sei se isso é nostalgia dos tempos do Estado da Guanabara, o Rio de Janeiro cidade-Estado, sede do Império e da República, presidente bossa-nova, princesinha do mar, garota de Ipanema, malandragem da Lapa, Cassino Balneário da Urca, Pereyra Passos e todo blá-blá-blá que todo carioca nostálgico traz na ponta da língua. Ou se é surto psicótico coletivo mesmo. A verdade é que eu já percebi que há uma verdadeira multidão que acredita piamente que a cidade se limita a uma faixa estreita de terra que começa na Avenida Rio Branco e termina na Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca. Uma faixa que serpenteia pela orla, e que só é enxergada tendo o mar pela frente e os morros (e tudo de feio que há neles hoje em dia) pelas costas.

Para essa multidão, há jardins pintados por Debret por baixo da Linha Vermelha, ao invés do Complexo da Maré. A enorme massa de excluídos que pulula desgarrada pela cidade ora simplesmente não existe, ora constitui remanescentes da escravaria bonachona dos tempos pré-Princesa Isabel. Ou seja: uma multidão de alienados que acha que ainda vive numa cidade que, puída por maus políticos e cegueira social, na verdade já deixou de existir há uns trinta anos, pelo menos.

Essa realidade paralela é frágil. Vez por outra a realidade faz-se perceber aos sacudidões, quando tanta coisa errada empurrada para debaixo do tapete emerge nalguma morte violenta ou insurreição nos morros. Aí o surto alucinatório cessa por alguns dias, e todos cumprem um luto genuíno: afinal a tragédia veio bater-lhes à porta, e não se pôde ignorá-la dessa vez.

E a reação vem rápida: vociferam pelo arrasamento das favelas por canhoneio fechado, exigem a construção de muros que encerrem a pobreza marginalizada em guetos vigiados, clamam por um aparato ainda mais ostensivo de policiamento. E fazem passeatas, enormes passeatas: todos vestidos de branco, trazendo velas e cartazes, caminhando compungidos pela orla da Zona Sul.

Sempre na Zona Sul.

Nessas horas, não há quem ouse discordar que a solução é criar um cordão de isolamento entre ricos e pobres que salvaguarde a região compreendida entre o centro da cidade e a Barra da Tijuca. Que o Estado tem mais é engrossar e equipar a máquina de guerra urbana da Polícia para que ela possa prender, matar e oprimir como bem achar conveniente, para à todo custo preservar o torpor alienante de quem vive do lado de cá do Túnel Rebouças.

Não há quem concorde que a solução não é eliminar o pobre, e sim eliminar a pobreza.

Entra eleição e sai eleição eu fico agoniado por perceber que nunca vi candidato algum ao governo do Rio de Janeiro -- seja como prefeito ou governador -- apresentar um plano eficaz para o combate ao caos de violência, impunidade e desordem que assola aquele lugar. Pelo menos um que não envolva tanques na rua, maior contingente de policiais e maior segregação entre as zonas pobres das zonas abastadas da cidade. Nunca vi ninguém propor a ocupação das favelas da cidade não com tropas, Caveirões e vigilância, mas com a presença jurisdicional eficaz do Estado, para corrigir uma ausência histórica que foi justamente o que fomentou o desenvolvimento das quadrilhas de traficantes e o escambau.

Não se fala da ocupação das favelas pelo Estado com escolas decentes, assistência de saúde adequada, quartéis do Corpo de Bombeiros, delegacias com policiais que realmente façam valer a mão protetora e punitiva do Estado no meio daquela população.

Não se fala em ceder voluntariamente para que não seja tomado arbitrariamente. Antes, prefere-se votar em políticos que seguem o mesmíssimo viés populista-lacerdista-brizolista-garotinista que inventou o Rio de Janeiro como vemos hoje.

E de tiro em tiro, morte em morte, comoção em comoção, segue sempre tudo como dantes no Quartel de Abrantes. E durma-se com um barulho desses.



 Escrito por Rindu às 18:01
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BEM QUE SE QUIS


Sábado eu consegui credenciais para ir ver o show da Marisa Monte no Ginásio Nilson Nelson. Eu e a minha irmã nos sentamos ali na área Vip e passamos a melhor hora-e-meia das nossas vidas até o presente dia.

Descobri que se há alguém neste mundão de Deus para quem eu sou tiete assumido, essa pessoa é a Marisa Monte. Ouvi-la cantando "Alta Noite" me emocionou, e em vários momentos eu tive o ímpeto de sair do meu lugar e ir para a beira do palco. Juro que foi um problema me controlar.

Minha irmã ficou impressionada com a minha capacidade de reconhecer o título, o número da faixa e o nome do CD de cada música que ela cantou no show. Eu mesmo não tinha me dado conta ainda de que eu sou fã de carteirinha da mãe do Mano Vladimir.

Já perto do fim do show, ela convidou todo mundo para ir para mais perto do palco. Aí foi uma maravilha, porque eu fiquei a uns três metros de distância dela. Deu para ver até que ela se depila com gilette e que as axilas já estavam precisando de um retoque.

Odiei-me por não ter levado a minha câmera para o show, e por isso tive que me virar com o celular. Mas valeu assim mesmo: esse show vai me embalar o sono ainda por um bom tempo.



 Escrito por Rindu às 16:22
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CHEIA DE SÃO JOSÉ


Hoje é dia de São José. E também o dia em que este blog completa cinco anos de existência.

Na crença popular, o dia 19 de março é associado com a água: se acontece a "cheia de São José", a estação das chuvas será longa e, conseqüentemente, a colheita será farta.

Em várias religiões e também na psicanálise, a figura da água é associada ao ímpeto, à transformação. A água arrasta seus obstáculos, desgasta seus oponentes e só muito relutantemente se deixa conter. Uma vez confinada, toma a forma do seu continente e fica ali, quieta, até que é chegada a hora de um novo rompimento e do retorno à corredeira de outrora.

Da madrugada do dia 19 de março de 2002 até hoje muita água -- mas muita água mesmo -- passou por aqui. Muita água salgada por lágrimas vertidas, muita corredeira nos momentos mais tensos (e foram tantos!). Mesmo nos momentos mais calmos, ela nunca esteve estanque. Mesmo que na superfície tudo parecesse quieto, nas profundezas sempre houve mudança. A transformação nunca cessou.

E eis que agora esse rio parece ter encontrado a sua planície. Desliza manso, em direção ao mar que já se avizinha. Porque já é tempo.

Por isso, mais uma vez, eu mudei a música que é o cabeçalho do Quarto 1222. Sai o sambinha festivo de Elza Soares, e entra o rock reflexivo do Interpol (que eu conheci graças ao Guilherme Genestreti).

Porque tem que haver mais mudanças na minha vida. E agora é comigo acender as luzes.



 Escrito por Rindu às 15:37
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RINDU E A ARTE DE SER UÓ


Muita gente me ouve dizer que sou impulsivo e ainda assim não me leva a sério, sem saber o quanto eu me ferro por ser assim.

Sexta-feira eu estava parado num congestionamento por causa de uma blitz de trânsito, e de repente me lembrei que precisava avisar uma amiga sobre os meus planos para a noite. Não me importou estar com todo um batalhão da Polícia Militar bem na minha frente: simplesmente saquei o celular, disquei e comecei a falar. E falei até ouvir o silvo de um apito e ver um guardinha bem na frente do meu carro, me mandando encostar.

Multinha básica de setenta reais, mais um pito que eu fiz por merecer.

Eu me canso, viu.



 Escrito por Rindu às 15:01
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