ENTÃO, VOLTANDO À PROGRAMAÇÃO NORMAL...
É engraçado que certas coisas nas nossas vidas nunca mudam, não importa o quanto cresçamos e amadureçamos.
Quando eu era criança, todo primeiro dia de aula era um suplício para mim: boca seca, mão fria, coração acelerado, ombros retesados e olhos arregalados, na defensiva. Nesses dias meus sentidos pareciam ficar mais aguçados, em estado de alerta para perceber qualquer minúcia do ambiente hostil à minha volta. Só depois de alguns dias é que eu começava a relaxar, já me ambientando à nova rotina depois de tanto tempo de férias.
Hoje, aos trinta e um anos, as minhas reações num primeiro dia num emprego novo são exatamente as mesmas, embora guardadas as devidas proporções. Não choro mais como quando tinha cinco anos: consigo disfarçar o desalento com mais desenvoltura. Mas a boca seca, as mãos frias, os ombros tensos e o silêncio ressabiado continuam aqui, impávidos. E, como antes, só começam a passar depois de alguns dias.
O meu começo aqui no novo emprego foi assim, de novo. Sempre me admiro por esse sofrimento todo não me impedir de me lançar no mercado para passar novamente pelo aperreio de trocar o certo pelo incerto, saltar no vazio para apanhar a nova barra de trapézio que vem vindo (ou não?) lááá na frente. Devo ser masoquista.
Ter saído de um mausoléu onde trabalhavam 80 pessoas e vir para uma casinha no meio de um parque onde trabalham só 17 foi um grande passo à frente, a meu ver. A minha ambientação foi muito favorecida pelo local físico, e também porque foi fácil conhecer todos os que estão aqui. Isso sem contar que o clima é bem diferente do serpentário que eu por vezes me vi metido nos últimos seis meses.
A situação em relação à minha mesa de trabalho ainda não se resolveu: estou trabalhando numa mesa redonda dentro da sala da minha chefe, que é para não se acostumarem em me ver sentado na mesa que não será a minha (se é que vocês me entendem). Mas isso não tem sido de todo ruim, porque não ter como desempenhar as minhas funções a 100% está me dando tempo para me ambientar e pegar o pé das minhas atribuições. E também essa convivência forçada com a minha chefe tem favorecido para estreitar laços que já são preciosos desde agora. Deus é bom para mim mesmo nas adversidades.
De resto, a minha vida continua a mesma: casa-trabalho-academia-casa, e mais nada. Ocasionalmente rola alguma baladinha. O antepenúltimo post aqui embaixo perdeu a razão de ser rapidinho, e Excalibur continua firme e forte em sua bigorna. E, francamente, nem sei se quero que ela saia de lá (muito embora "Maio", do Kid Abelha, costuma aparecer freqüentemente na minha mente nessa época do ano).
Aliás, essa monotonia parece ser exclusividade da minha vida: o mundo segue dando voltas. Bento XVI no Brasil para mostrar que o que vale é uma Igreja Católica menor e compromissada com seu Credo do que o Baú da Felicidade / festa do caqui / casa-da-mãe-joana que querem fazer dela. Enéas Carneiro que cantou para subir. Paris Hilton que vai vestir um modelitcho laranja-marcatexto para puxar 45 dias de cana. As gafes de Marisa Letícia na presença do sumo-pontífice (obrigado Itamaraty pelo seu cerimonial incompetente). Clodovil que resolveu informar uma deputada carioca que ela, de tão feia, não servia nem para puta. Isso dentro do plenário, durante uma sessão.
Obrigado, eleitorado paulista. O que seria da Legislatura 2006-2010 sem Clodovil Hernandez para alimentar o anedotário político desse país, que já é uma palhaçada?
Escrito
por Rindu às 09:22
[
]
[
envie esta mensagem ]
|