2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007...
Voltar dos constantes trinta graus de Fortaleza para mergulhar no abismo de doze graus do frio de Brasília foi um choque e tanto. Acordar ontem foi um suplício sem tamanho, amassado que estava sob três cobertores. Lavar a louça e tomar banho, então, nem se fala.
Anualmente eu digo essa mesma cantilena aqui no Quarto 1222: eu odeio o inverno. Odeio manhãs gélidas nas quais eu tenho que acordar cedo e ir trabalhar. Odeio ver que já é noite às cinco da tarde. Odeio entrar no banho numa temperatura sub-siberiana. Odeio ter as narinas constantemente secas e ardendo quando eu respiro. Eu queria ser desses velhos ricos americanos que, quando o inverno chega onde eles moram, simplesmente fecham a casa e se mandam para uma temporada de quatro meses (ou mais) nos trópicos.
Não me entendam mal: também não gosto do calor. Não gosto de viver melado, dormindo mal e agitado. E não gosto do frio. Nem tanto o céu, nem tanto a terra: outono é o que há. Há sol, mas não há calor; as noites são frias, mas não é difícil acordar no dia seguinte. E a luz do dia estende-se até quase sete horas da noite.
Queria viver num lugar em que fosse eternamente outono.
Escrito
por Rindu às 08:28
[
]
[
envie esta mensagem ]
|