O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA
Sábado passado eu fui padrinho de casamento de uma das minhas melhores amigas. A noiva linda, a cerimônia emocionante, o salão muito bem escolhido, a discotecagem bem-feita, a comida perfeita, bebida de qualidade. Eu e meu terno novo aproveitamos a festa até não poder mais. É uma diversão completamente diferente estar numa festa de casamento onde quase todos os convidados são conhecidos, e você conhece e gosta das famílias dos noivos.
Interessante para mim foi observar o grupo de amigos do noivo, que é quase todo do meu tempo de segundo grau no Colégio Marista. Embora eu praticamente só os conheça de nome e de vista, foi curioso revê-los. Todos agora são engenheiros, advogados, administradores, médicos, sei lá mais o quê. Uma boa parte casou-se e já tem prole, e a passagem do tempo já conseguiu deixar a sua marca na maioria: cabelos mais ralos e cinturas mais avantajadas dão testemunho de que quase dezesseis anos já se foram, e estamos todos na casa dos trinta anos de idade.
Mas foi só a festa engrenar que fomos todos -- eles e eu -- arrastados de volta para 1992 e para a nossa adolescência. Bastou começar uma saraivada de funk para eu reviver cenas do meu colegial (só que naquela época o que se ouvia era música baiana): TODOS tiraram as gravatas. TODOS desabotoaram os punhos, mas não dobraram as mangas. TODOS abriram três botões das camisas. TODOS levantaram as golas. TODOS dançaram igual, em círculo.
Foi quase como assistir a um ritual primitivo. Um verdadeiro kuarup de adolescentes renitentes. É incrível perceber como você realmente pode tirar um indivíduo do segundo grau, mas nem sempre você tira o segundo grau do indivíduo.
Envelhecer de uma vez, artificialmente, é algo lamentável. E eu já escrevi a esse respeito aqui no Quarto 1222. Mas digno de pena mesmo é para sempre agir como se ainda tivesse quinze anos de idade.
Escrito
por Rindu às 10:54
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