"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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PAPALÉGUAS


Agora vou ali em Anápolis.

Mas desta vez vou para rezar.



 Escrito por Rindu às 13:04
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AS MÃOS SUJAS DE SANGUE


Eu acredito que não seria carbonário manifestar uma certa estranheza pela ocorrência de dois acidentes aéreos de tão grandes proporções em menos de um ano no Brasil. Uma das maiores propagandas a favor do transporte aéreo de passageiros é justamente a sua segurança: as estatísticas mostram que a porcentagem de acidentes ocorridos em face dos vôos realizados pelo mundo afora é praticamente desprezível.

A história nos mostra que é raro alguém escapar vivo de um acidente aéreo sério (sempre achei aviões verdadeiras arapucas), mas esses são tão esporádicos que o perigo de estar embarcando para a morte sequer passa pela mente dos milhões de passageiros que voam todos os dias. As empresas aéreas sempre fazem questão de alardear o seu cuidado com a manutenção de suas aeronaves, e o cumprimento estrito de todas as convenções de segurança vigentes no planeta. Equipamentos novos, equipes muito bem treinadas, tudo isso é mostrado para validar uma imagem de confiabilidade e segurança para o passageiro que se dispõe a entregar-lhes a sua própria integridade física numa viagem.

Entretanto, ainda assim acidentes acontecem -- e isso é normal, apesar de assustador. Pelo mundo todo, vez por outra o acaso consegue driblar tantos procedimentos e tantas precauções para ceifar, aqui e ali, vidas em acidentes aéreos. E é aí que entra a minha estranheza: acidentes aéreos sérios são bem esporádicos pelo mundo afora, mas parecem que ultimamente vêm deixando de sê-lo no Brasil. E por mais que a fatalidade possa ser a culpada pelas mais de 350 pessoas que perderam suas vidas neles nos últimos dez meses, certamente tamanha coincidência -- ou falta dela -- me chama a atenção.

Não tenho nenhum conhecimento técnico para avaliar nada, só as informações que a mídia me fornece. E, pelo que eu sei, a tragédia de ontem à noite em São Paulo veio sendo anunciada há pelo menos vinte dias. Isso porque apesar das denúncias escandalosas de superfaturamento das obras do Aeroporto de Congonhas, apesar de todos saberem que as obras na pista principal não estavam completas (faltavam as tais ranhuras no asfalto para aumentar a aderência e drenar a água da chuva), o Governo Federal assumiu a responsabilidade de fazer ouvidos moucos e tocar o barco para frente. A pista foi reinaugurada, a reforma do Aeroporto seguiu em frente, e agora 200 pessoas estão mortas.

Aí eu me pergunto: quem vai assumir a responsabilidade pelo sangue dessas pessoas? Quem se responsabiliza pelos 154 que também pereceram em setembro passado, vitimados pela inépcia da administração pública federal no controle do espaço aéreo nacional?

O Presidente da República vai aparecer fazendo beicinho na televisão e vai manifestar os seus pêsames pelos mortos. Nos acenará a mão que a sua incompetência como torneiro mecânico mutilou, para que esqueçamos da sua incompetência como Chefe da Nação e do Estado. A senhora que ele escolheu para Ministra do Turismo vai continuar achando que temos mais é que suportar o estupro do descontrole da máquina federal sin perder la ternura jamás. Vão criar mais um "gabinete de crise" para elaborar um estudo sobre o óbvio. Falarão um monte, gastarão rios de dinheiro em nada, e no fim vai ficar tudo por isso mesmo: o acidente da Gol, o caos aéreo, o descalabro no Aeroporto de Congonhas, e agora o acidente da TAM.

E que ninguém ouse mencionar o conceito de culpa in elegendo.



 Escrito por Rindu às 16:46
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COMEÇOU CEDO


Ontem o céu de Brasília amanheceu de um jeito que eu conheço muito bem: um grande véu prateado cobria a cúpula da cidade, desfazendo nuvens e explodindo a luz do sol numa estranha nuance branca-acinzentada.

Em duas palavras, névoa seca.

Em uma, sofrimento.

Névoa seca = poeira + água evaporada + fumaça + desgraça dos riníticos. É uma característica do fim da seca, quando a natureza começa a entrar em trabalho de parto para as primeiras chuvas da estação. Em geral isso começa a acontecer em agosto, mas como em tempos de aquecimento global nada mais é confiável, este ano fomos premiados já no meio de julho. Suspeito que as chuvas vão custar a vir, o que significa que o meu suplício vai se estender até quase novembro.

Juro que eu queria ser desses velhos ricos que fogem dos incômodos climáticos. Agora, por exemplo, eu estaria em Belo Horizonte, ou em São Paulo, usando casacos o dia inteiro e respirando tranqüilamente. Ou ainda em Fortaleza, esquecendo da vida nas areias da Praia do Futuro.

Deus não dá asas a cobras.



 Escrito por Rindu às 14:44
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BATE-E-VOLTA


Eu não gosto de viagens meteóricas porque a relação custo-benefício raramente é favorável. Ir para Araguari para passar um fim de semana, por exemplo, é extremamente cansativo: eu passo aproximadamente dez horas dentro de um carro -- somadas a ida e a volta -- para ter aproximadamente 24 horas de descanso lá. Não compensa.

Dessa vez, entretanto, foi legal. Saí do scritpt tradicional de ficar na casa da minha avó e fui direto para Uberlândia na sexta-feira. Encontrei um amigo que havia muito não via, e saímos por uma cidade completamente deserta, onde todas as baladas estavam fechadas ou irremediavelmente miadas já à uma da manhã. Mas mesmo assim foi bom. Ri um monte, conheci gente nova, mudei de ares.

No dia seguinte, fui para a festa de casamento heterodoxa da minha prima. E isso foi bom também. Comi horrores, reencontrei parentes e amigos sumidos havia muito tempo, tirei muitas fotos.

Por fim, antes de voltar para casa, eu ainda tive o prazer de conhecer mais um dos antigos leitores aqui do Quarto 1222. Foi corrido, mas apesar disso a conversa foi ótima. É engraçado para mim encontrar pessoas que me conhecem tão bem por causa do blog -- não raro ficamos grandes amigos em questão de minutos.

Graças a Deus o Quarto 1222 sempre me rendeu surpresas muito boas em termos de amizades que ele me proporciona. E essa certamente foi  uma das melhores.



 Escrito por Rindu às 10:21
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