"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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ME ACORDEM DAQUI TRÊS ANOS


Aparentemente dormir sem me trocar ou arrumar a cama, arrebatado pelo cansaço e pela preguiça, se tornou o meu mais novo mau-hábito. Hoje eu amanheci sobre a colcha da minha cama, com a cabeça torta em cima do meu fouton, de suéter de lã (que me salvou a vida), bermuda e meias ainda da academia, e a TV ligada. Que ódio.

Eu até venho o sono vir... mas aí vem a minha boa e velha procrastinação que me diz para dar uma deitadinha e esperar um determinado programa na TV acabar. E essa deitadinha geralmente dura até a manhã do dia seguinte, via de regra.


E hoje a Folha de São Paulo vem trazendo uma série de reportagens sobre a deportação esdrúxula dos boxeadores cubanos que desertaram durante os Jogos Pan-Americanos. O Governo Federal mais uma vez deu uma prova de que a sua orientação ideológica está bem acima da Lei: para não magoar el comandante, a Polícia Federal (a mando do Tarso Genro) tocou os cubanos num avião de volta para Cuba, sem mais delongas.

Mas um ato de governo num Estado de Direito necessariamente tem que ser guaridado pela Lei, e não há nada que ampare essa carícia que Lula fez à ditadura cubana. De acordo com a Constituição Federal -- que Lula (e conseqüentemente todo o seu Governo) jurou solenemente cumprir -- só há três formas de a República Brasileira retirar um estrangeiro de seu território: expulsão, deportação e extradição. Para cada um desses casos há peculiaridades que precisam ser observadas, e o caso dos cubanos não se enquadra em absolutamente nenhuma delas.

Só o Presidente da República pode expulsar um estrangeiro, e mesmo assim depois de todo um devido processo legal que fundamente a sua ação. Que eu saiba Lula não se manifestou hora alguma, e tampouco houve um processo legal nas 24 horas entre os cubanos terem aparecido e Cuba enviar um jatinho para levá-los sob custódia para a sanha sangüinária de Fidel Castro. Aliás, esse desrespeito ao princípio do due process of law também afastou a possibilidade de uma deportação -- que, aliás, já seria de pronto afastada, uma vez que os atletas estavam em situação regular no Brasil: tinham vistos para estar aqui, uma vez que vieram com a delegação do país deles há menos de um mês para participarem dos Jogos. Por fim, não há que se falar em extradição: o Brasil não tem um tratado para isso com Cuba, não havia pedido formal nesse sentido daquele país ao Supremo Tribunal Federal, e tampouco há um processo judicial reconhecido como legítimo pelo Poder Judiciário brasileiro contra os caras lá.

Ou seja: Lula e seus asseclas entregaram os atletas às autoridades cubanas porque, para eles, ter desertado de um regime ditatorial e comunista é um pecado. Só isso. E, levando-se em conta que em Cuba vai-se ao paredón por qualquer coisa, era bem provável que a punição para esse pecado de aspirar pela autodeterminação fosse a morte por fuzilamento.

Aliás, tem essa também: quando há pena de morte ou tribunal de exceção no país que requer a extradição de um cidadão (e Cuba de encaixa nos dois quesitos), o STF tem que rejeitar o pedido por força vedação constitucional expressa.

Lula já superou o Fernando Collor por causa do descalabro moral de seu governo. Agora tenta alcançar Getúlio Vargas -- e os generais pós 1964 -- no quesito desapreço pela Lei e pelos direitos humanos.

Ô 2010 que não chega de uma vez! Vou te contar!



 Escrito por Rindu às 11:50
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ONTEM, NO SUPERMERCADO


Estava fazendo compras de mês ontem, no Walmart. Quando cheguei na parte dos hortifruti, só encontrei legumes selecionados e processados, daqueles que vêm numa bandejinha de isopor e são bem mais caros. Olhei em volta e, até onde a minha vista alcançava, não vi nada do que eu queria comprar sendo vendido a granel.

Resolvi então perguntar para algum funcionário do Supermercado se era aquilo mesmo, bandejinha ou nada. Foi então que vi um cara baixinho, negro-fusco, camiseta branca encardida como se ele tivesse carregado muitas caixas, calça de tergal azul escura, acho que um sapato preto. Para mim, típico uniforme de quem trabalha em supermercado, e de fato o cara estava muito ocupado andando de uma gôndola a outra repetidamente.

Mesmo assim eu fiquei na dúvida, e para não ser grosseiro resolvi perguntar:

__ Você trabalha aqui?

E o cara respondeu na hora:

__ Não. Sou só um preto genérico mesmo.

Depois dessa achei melhor pegar as minhas bandejinhas de legumes, pagar aquela porra logo e ir para casa.



 Escrito por Rindu às 16:55
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O CILINDRO NO TRIÂNGULO


Como é fácil perder o fio da meada às vezes... e caramba, isso dói. No meio de tanta tribulação, confusão, mil coisas girando na cabeça, todos os esforços têm sido para me lembrar constantemente do essencial, e me manter atado a ele. Ficar surdo ao tumulto, isentar-se dos petardos.

Não tem jeito: sempre tendemos a querer viver a vida que os outros gostariam que vivêssemos. Todos nós. E isso faz parte do processo natural de autovalidar-se, encontrar seu lugar no mundo. Há os que conseguem se adequar, e graças a Deus esses são a maioria. Mas há os que não conseguem e se revoltam com isso, e vão procurar essa validação entre seus iguais numa proto-sociedade paralela criada por eles. E há ainda a pequena minoria dos que não conseguem se adequar a nenhuma das alternativas, e ficam pelo caminho. E sofrem por isso.

Almas fraturadas, cilindros esforçando-se para encaixarem-se em triângulos. Sempre preenchendo lacunas, sempre aparando arestas, sempre se esforçando ao máximo para não se esquecerem quem são, para não se esquecerem por que estão vivos.

O eterno cair no abismo de se rejeitar o que se é, sem conseguir conquistar o que se quer ser.

Um sofrimento mudo, às vezes sorridente. Um eterno não ter lugar no mundo. A constante sensação de passar pela vida -- a própria e também a dos outros -- sem deixar nada de si, sem trazer nada consigo. Ser sempre o que vai, ser sempre o que fica. A solidão na multidão, o choro incompreensível, o sentimento intraduzível.

A certeza (falsa) de ser único no mundo. Alguém que desceu na parada errada e não tem dinheiro para comprar outra passagem.

Um cilindro num triângulo.



 Escrito por Rindu às 11:23
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NÃO ACABA NUNCA


Saquearam os despojos das vítimas do acidente da Gol, em setembro passado. Jóias, documentos, relógios, dinheiro, celulares, notebooks... uma boa parte disso sumiu inexplicavelmente e agora apareceu nas mãos de falsários e estelionatários no Rio de Janeiro (claro, onde mais?).

Ontem a Aeronáutica publicou uma nota dizendo que haviam pessoas estranhas andando ali pela selva, no meio do nada, na ocasião do acidente. E que provavelmente foram eles que fizeram a limpa entre os corpos estraçalhados depois da queda de mais de mil metros de altura. Conforme essa nota, quando os militares deram por si, o butim já tinha sido carregado.

É incrível como o descaramento que já é característica do Governo Lula contaminou até mesmo os militares, outrora baluartes incorruptíveis da moral e da verdade. A quadrilha que está aquartelada nos Ministérios e no Palácio do Planalto já está tão habituada a mentir e a enganar, que nem mais se dá ao trabalho de cuidar para que suas historinhas inventadas para ludibriar a opinião pública sejam minimamente verossímeis. Os caras falam qualquer bobagem e crêem que no final vão sair ilesos. E o pior é que saem mesmo.

Não restam dúvidas de que a Aeronáutica está envolvida até as sobrancelhas nessa imoralidade. Basta lembrarmos que o acidente ocorreu numa área remotíssima, bem próxima da secretíssima Base Aérea da Serra do Cachimbo. Portanto, o único meio dessa pilhagem ter ocorrido foi às vistas da soldadesca da Aeronáutica, que foi bem diligente em cercar o local e impedir a presença de quem quer que fosse. Aliás, eu me lembro bem que o acesso só se dava por helicóptero, e que custou muito para a imprensa ou os parentes das vítimas serem autorizados a se aproximarem. Os únicos que conseguiam chegar até lá por terra eram os índios que habitam a região, e que se voluntariaram para auxiliar no resgate dos corpos.

Só falta a Aeronáutica acusar os índios pelo furto.

Os pertences das vítimas não estavam necessariamente destruídos, uma vez que não houve uma explosão ou incêndio. É claro que as circunstâncias do acidente, sobretudo a queda de tão grande altura, inutilizaram muita coisa. Mas muita coisa pôde ser recuperada, sim. Tanto é que há notícias de celulares que funcionavam, notebooks e câmeras digitais ainda com a memória intacta. Isso tudo estava junto com os mortos -- sem contar as jóias, relógios e documentos que estavam literalmente neles -- e foi recolhido para ser desinfectado e devolvido para as famílias. Agora vemos que as famílias receberam a sucata, enquanto jóias e o que ainda prestava foi desviado por gente imoral o suficiente para lucrar com uma tragédia dessa magnitude.

Gente imoral e burra, que saiu usando celulares de gente morta e utilizando seus documentos para conseguir financiamentos e sabe-se lá mais o que. Deixaram tantos rastros que o escândalo foi inevitável.

Quando eu acho que já chegamos no fundo do poço, sempre acabo encontrando algum petista com uma pá na mão. É impressionante.



 Escrito por Rindu às 09:00
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DONA ARANHA COMEÇA A SUBIR


Há dias e dias, e hoje é um daqueles. Deve ser mal de segunda-feira (embora de vez em quando todos os dias tornam-se segundas-feiras para mim).

Já estamos bem entrados em agosto, o que significa que me resta a reta final do meu calvário anual que é o inverno -- particularmente o inverno em Brasília. Os dias estão sutilmente mais longos, a freqüência da luz do sol um pouco mais alta, mas em compensação a secura está amargando mais e mais. A luz do sol já começa a ficar pálida, para depois ir ficando amarelada, alaranjada, até chegar num tom meio terroso é quando a Defesa Civil manda parar as atividades escolares vespertinas. E aí é sofrer junto com a natureza esperando pelas chuvas...

Esse tem sido um inverno sofrido em termos emocionais (tropeço de junho + perda da minha câmera + bode default de inverno) e físicos (rinite galore + lomba de secura), mas em compensação também tem sido indiscutivelmente um inverno divertido. Seguindo a recomendação do meu terapeuta, eu fiz de tudo para não me deixar ficar sozinho nunca. Antes solitário acompanhado do que solitário sozinho.

Revi amigos que eu não via havia um bom tempo, fiz visitas, freqüentei muito a Kitinete, comprei livro no Rayuela, experimentei a Temakeria. Saí para dançar no meio da semana (muitas vezes na dupla acepção do verbo dançar) e na medida do possível me lembrei que vale a pena viver mesmo quando é inverno, o dia dura onze horas e a umidade relativa do ar é sofrível. Isso fez toda a diferença para mim, porque quando eu começava a murchar era só lembrar do quanto tinham sido bons momentos vividos poucos dias antes, e aí eu tinha certeza que não tinha nada a ver eu querer sumir como acontece às vezes. Quero mais é ver o oco, na verdade.

Algumas da minhas piores experiências dos últimos anos foram vividas nesses poucos últimos meses. Traições, rejeições, o conhecimento do lado mais obscuro de muitas pessoas, dos mais diferentes meios. Sofri muito, mas foi um sofrimento sublime... não sei explicar direito, mas foi uma daquelas experiências que eu percebia a mão de Deus no timão, sabe? Então as bofetadas, as lágrimas, as dores ficam justificadas e, por isso mesmo, deixam bem menos marcas. Deus tem alucinado cada vez mais comigo ultimamente, e eu repito o que disse no parágrafo anterior: quero mais é ver o oco!

Porque se a minha vida é vivida aos tropeços, que pelo menos eu tropece para frente.

E sim, esse post não tem um sentido muito claro, não.



 Escrito por Rindu às 14:19
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