"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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DUZENTOS E OITENTA E CINCO


"Se isso acontecer, eu não vou conseguir suportar. Não há como, não terei forças. Vou morrer, ou querer me matar".

Vai soar dramático, mas não tem como eu dizer isso de outra forma: tudo que algum dia eu acreditei que seriam as piores coisas que poderiam me acontecer sempre tornou-se realidade. Tudo. Absolutamente tudo. Praticamente não há pesadelo que eu já tenha imaginado nesta vida que, eventualmente, eu já não tenha tido que enfrentar.

E eu não morri por causa disso, como havia imaginado que aconteceria.

E não morri não porque sou forte, ou porque essas coisas não eram mesmo terríveis. As pouquíssimas pessoas que eu permito participarem da minha vida num nível de extrema intimidade sabem muito bem o real peso das cruzes que eu carreguei -- e algumas que ainda carrego -- e o quanto os meus ossos rangeram debaixo delas.

Rangeram, mas não quebraram.

E não quebraram porque indubitavelmente tem alguém que carrega essas cruzes comigo. Alguém que providencia essa lufada de ânimo que me põe em pé mesmo depois do pior ter acontecido, de tudo ter se perdido. De não mais haver pedra sobre pedra, de tudo à minha volta ser reduzido à terra arrasada.

Cara, na boa: é exatamente por isso que eu rio por dentro quando encontro quem ache a coisa mais inteligente do mundo dizer que não acredita em Deus, ou que estamos todos largados neste mundo à nossa própria sorte. Rio porque já fui um dos que pensava assim, mesmo apesar da minha pretensa religiosidade, mas que agora sou forçado a pensar justamente de forma contrária unicamente por força dos fatos. E eles falam por si mesmos; não foi nenhum padre, pastor, leigo, livro (mesmo a Bíblia) que me disse isso -- eu atestei, e atesto, que Deus está SIM do nosso lado, segurando muitas barras impossíveis.

Basta eu lembrar que eu permaneço vivo, e bem, mesmo depois de tudo que eu sinceramente acreditava ser o pior possível ter acontecido. E isso não só uma, mas várias vezes.

E por isso eu sigo em frente, até porque não há outra alternativa. E sei que, da mesma maneira que o peso da cruz provavelmente vá aumentar com o passar do tempo, a mão de Deus vai por sua vez manifestar-se cada vez mais forte.

Ele nunca falha.



 Escrito por Rindu às 13:39
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E O MAL SE ALASTRA


Fui avisado aqui no trabalho que se eu for viajar para Vitória, capital do Espírito Santo, vou ter que seguir o procedimento que até recentemente era aplicado somente para as viagens a Guanabara. Tenho que pedir uma liberação a Roma cinco dias antes de embarcar, e avisar quando e onde vou estar na cidade.

Penso que chegará um dia em que eu vou precisar dessa liberação para poder sair da Asa Sul e chegar no Setor Sudoeste, aqui em Brasília.



 Escrito por Rindu às 16:32
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VOLTEI


Nossa, as últimas semanas foram loucas aqui no trabalho. Meus chefes voltaram de férias com a corda toda, e dá-lhe ânimo para acompanhar-lhes o pique.

Além disso, anda mesmo meio complicado para eu acessar a internet em casa... e mesmo quando acesso, lá eu não tenho nem saco nem inspiração para escrever algo que preste aqui no Quarto 1222. Então o que sobra é deixar as cinco pessoas que lêem este blog à míngua!

Me perdoem. Para compensar, escrevi logo dois posts para entreter vocês até que surja mais assunto para falar aqui -- o que anda bem difícil!



 Escrito por Rindu às 18:27
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DE REPENTE, O SILÊNCIO


Foi tudo muito rápido. Eu saí do trabalho para almoçar, e à medida em que caminhava em direção ao meu carro fui percebendo o silêncio à minha volta... nenhuma folha se mexia com o vento, nenhum passarinho cantava... nada. No chão, a luz do sol chegava amarelada, e no céu as nuvens se desfaziam numa cúpula baça.

Fim de agosto. O pior da seca chegou.

Tardes quentes, umidade relativa do ar abaixo de 15% o tempo todo. Ardência ao respirar, a garganta seca, lábios rachados, sangue nariz afora. A vontade de sumir, de ficar dentro da geladeira o dia inteiro.

Pediria asilo num país muito chuvoso, se pudesse. Tipo a Irlanda.

Porque numa época dessas, eu tenho ganas de fugir de Brasília.



 Escrito por Rindu às 18:22
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RINDU E O SOBRENATURAL


Tem vezes que acontecem umas coisas nas nossas vidas que nos deixam intrigados, tentando descobrir qual será o seu significado.

Um dos meus melhores amigos está morando em Lyon, na França, desde maio. Foi para fazer uns cursos de francês, preparando-se para um mestrado que se iniciará agora em setembro. Até aí, nada de sobrenatural.

Acontece que num dia qualquer ele resolveu ir visitar a Catedral de Saint-Jean Baptiste, com umas amigas japonesas. As meninas piraram com o prédio medieval, e saíram loucas fotografando tudo. O meu amigo logo se deu por satisfeito com a meia dúzia de fotos que tirou, e sentou-se no fundo da igreja esperando pacientemente as suas amigas saírem do surto para então eles irem embora.

Foi quando um velho sentou-se bem do seu lado, apesar da igreja estar vazia. O meu amigo não o descreveu para mim, mas eu o imagino um típico velhinho francês: baixinho, rosado, careca, meio gorducho, usando boina, paletó marrom e pulôver bordô. Dizem que franceses são taciturnos e fechados, mas esse logo puxou papo com o meu amigo. Mostrou-lhe uma cruz muito bonita, que ele trazia no bolso, e disse que tinha sonhado naquela noite que ela iria para o outro lado do oceano.

Perguntou se o meu amigo era católico, e ele respondeu que não (ele é espírita). E em seguida acrescentou que tem um amigo que é muito religioso -- e que vem a ser este que ora vos escreve. O velhinho percebeu então o sotaque do meu amigo, e perguntou-lhe de onde ele era. Quando meu amigo disse que era brasileiro, o velhinho decretou na mesma hora: "você vai levar esta cruz para o teu amigo, lá no Brasil".

E na semana retrasada ele me entregou um dos presentes mais lindos que eu já ganhei na vida -- tanto pela beleza quanto pelo significado.


Claro que é bijuteria, mas eu achei linda!

Deus age estranhamente comigo, às vezes.



 Escrito por Rindu às 17:50
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