TO BE DOOCED
To be dooced (sem versão em português): Padecer de restrições morais ou sociais por conta da descoberta, por pessoas indesejadas, de um sítio pessoal na internet (sobretudo blogs).
Recentemente a internet -- em especial o mundo blogueiro -- foi sacudida por mais um caso escandaloso de doocing. Um blogueiro descobriu (como eu não sei, mas certamente isso aconteceu na base da punhalada nas costas) e achou por bem revelar para o mundo a identidade de um dos dois autores do blog PapelPobre, que vinha alcançando uma fama meteórica com seu escracho ácido sobre o mundo das celebridades. Publicou foto do moço, e até pôs link para o perfil do Orkut do pobre-diabo.
Acabou que uma das pessoas que dava voz de existência à travesti Katylene Beezmarcky é um cara que mora aqui em Brasília, e que eu conheço de vista na balada. No começo eu até achei que isso tudo poderia ser apenas uma suposição caluniosa do autor do blog que fez a revelação, mas o imediato fim do PapelPobre e do perfil do moço no Orkut logo depois da divulgação deram atestado de autenticidade para a história. E embora o blog não tivesse nada demais -- afinal chochar celebridades é ocupação de muita gente séria por aí -- compreendi que o cara tenha se preocupado em não ter a sua imagem associada à de uma travesti. E o PapelPobre sumiu deixando muitos leitores órfãos da sua verve, nesses incluso eu.
Outro dia eu estava lendo os arquivos do Quarto 1222, que eu tirei do ar no fim do ano passado. Caramba, onde eu estava com a cabeça quando eu escrevia aquilo? Achava que nunca seria encontrado porque não dizia quem eu era, e achava que isso me dava a guarida necessária para poder me referir às pessoas pelos seus nomes verdadeiros, inclusive manifestando opiniões superficiais sobre uma e outra. Narrava fatos e descrevia lugares em detalhes, de maneira que bastava uma leitura de uns dez minutos para ter pistas bem concretas sobre quem eu era. E nem gosto de lembrar do quanto eu falava da minha intimidade -- sublinhada mesmo -- aqui no blog. Nessa fase eu levava a expressão "minha vida é um livro aberto" até as últimas [in]conseqüências.
Já fui dooced, claro, mas nunca sofri as conseqüências disso de modo negativo. Acho que, em algum lugar do meu subconsciente, eu queria de verdade que certas pessoas descobrissem o que eu sentia e pensava sem que eu precisasse falar nada. Foi assim com minha mãe (à época a famigerada Odete Roitman), alguns [muitos] amigos, muitos desafetos e assim por diante. É a manifestação da Síndrome de Joãozinho e Maria, já descrita aqui no Quarto 1222 naquela época mesmo.
Com o passar do tempo, eu resolvi passar a me preservar mais, e também deixar de lado a covardia de usar o meu blog como uma arma. Naquela época o Régis estava muito vulnerável, e o Rindu apareceu para defendê-lo; agora eu já estou forte e equilibrado o bastante para lidar com meus próprios problemas do meu jeito, e Rindu desconstruiu-se para deixar para trás só a lembrança de ter sido o meu herói.
E assim é que sigo em frente, entrando no sexto ano do blog daqui a pouco.
PS: Bosta de post sem pé nem cabeça, hahahaha.
Escrito
por Rindu às 08:54
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