"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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BOTARAM O HULK PARA NADAR


Leitores do sexo masculino: sabem aquele tablete que colocam nos mictórios, acho que para desodorizar o banheiro? Então: agora há pouco eu fui atender a um chamado da natureza e encontrei um cocô verde no mictório, ao invés do supramencionado tablete amarelo fosforecente.

Levei um susto danado, e logo comecei a imaginar quem seria o porco psicopata que teria cagado ali. Mas, antes de praguejar, exercitei a minha compaixão ao pensar na agonia em que o desgraçado não deveria estar, pronto para parir um tolete verde. Na hora do dá-ou-desce, cara deve ter recorrido ao que estava mais perto mesmo, o coitado.

Só depois de uns momentos foi que eu percebi que o cocô em questão não era de fato cocô, mas a metade de um daqueles bastões de massinha desodorizadora que são colocados naqueles suportes plásticos nas privadas. Provavelmente a moça da limpeza os usou na falta dos tais tabletes.



 Escrito por Rindu às 13:31
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DA LAMA AO CAOS


Quando eu assisti "Cidade de Deus" pela primeira vez, saí do cinema com a nuca doendo de tanta tensão. Claro que eu não fiquei assim só por conta da violência mostrada tão crua no filme, mas porque tive a certeza de que aquele era um prenúncio do que um dia seria o entorno de Brasília. Era como se ouvisse uma premonição agourenta do fim de uma história que se desenrola bem debaixo do meu nariz.

Afinal, os componentes são rigorosamente os mesmos da favela carioca mostrada no filme: um reduto de pobreza e marginalização largado às traças pelo Estado, e que se organizou em função do crime -- sobretudo o tráfico de entorpecentes -- e a violência. Até mesmo a gênese inocente da Cidade de Deus carioca se repetiu na periferia da Capital Federal: se para lá foram os "transferidos" por ordem de Carlos Lacerda das favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro, para o entorno de Brasília foram os "assentados" por Joaquim Roriz e todos os migrates que não encontraram guarida na opulência do Plano Piloto. E, tanto lá como cá, da pobreza idealizada nos samba-canção de outrora para a exaltação do crime organizado nos bailes funk de hoje foi um pulo.

A situação em volta de Brasília tem vários culpados, e dentre esses os principais são muito facilmente identificados. O primeiro, claro, atende pelo nome de Joaquim Roriz, nosso ex-governador que revelou-se ótimo ator de dramalhão mexicano na rebordosa que o escorraçou do Senado Federal. Uma grande parcela do inchaço populacional de que Brasília padece hoje deve ser atribuída a ele. Com a sua política de "troco-lote-por-voto", exercida sistematicamente por mais de uma década, Roriz renovou um fluxo migratório direcionado ao Distrito Federal justamente numa época em que ele já precisava ser desencorajado. Por causa dele, uma enorme massa de gente sem qualificação profissional veio para cá, esperando encontrar a Terra Prometida. Infelizmente, a maioria só encontrou desemprego (ou sub-emprego), descaso do Governo e a decepção de descobrir que não dá para comer a terra dos lotes que ganharam.

Da mesma maneira, os sucessivos governos dos estados fronteiriços com o Distrito Federal têm que ser responsabilizados pelo abandono doloso dos municípios dessa região. São cidades inteiras entregues ao Deus-dará, onde a estrutura do Estado é propositalmente reduzida a um mínimo, na certeza de que Brasília se sentirá forçada a cruzar as suas fronteiras para suprir as carências mais urgentes.

Assim, temos dezenas de municípios que não têm um hospital sequer -- só postos de saúde cenográficos, e ambulâncias decrépitas que só servem para despejar os doentes de lá nos hospitais daqui. As escolas são ruínas meramente figurativas, povoadas por professores desmotivados e mal pagos, e a presença da Lei (por meio do corpo policial ou do Poder Judiciário) beira o ridículo. Saneamento básico, infra-estrutura viária ou zelo ambiental são considerados utopia nesses lugares de miséria desenganada.

Agora o caldo está entornando. O crime por ali há muito vem paulatinamente se fortalecendo, profissionalizando, organizando e institucionalizando (tal qual aconteceu no Rio de Janeiro na década de 70), mas só agora começou a chamar a atenção das autoridades. A Corte em Brasília não quer ser uma Versailles sitiada, e por isso o poder público está diligente, ansioso por encontrar um meio de sufocar a ebulição que já vinha ruidosa e fremente há tempo demais.

Como sinal dos tempos, o Correio Braziliense vem publicando uma série de reportagens de capa justamente sobre como o entorno de Brasília está prestes a se tornar um Complexo do Alemão. E, para mostrar que não estão brincando, os criminosos já mostraram que estão dispostos a reagir: ontem o autor das reportagens foi baleado na Cidade Ocidental. Do nada, um cabra surgiu na frente dele, apontou o revólver e atirou três vezes. Um tiro pegou na virilha do jornalista, e os outros dois não atingiram ninguém. Ele não corre risco de morte. A notícia saiu até na Folha de São Paulo.

É engraçado isso: no mesmo dia em que sua criatura gera seus primeiros rebentos, Roriz ofereceu hoje um almoço para comemorar os vinte anos da sua nomeação por José Sarney como o último governador biônico do Distrito Federal. O cara já jurou voltar à cena política nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a força-tarefa federal que está sendo organizada para aplacar a miséria violenta aqui em volta só fala de aumentar os armamentos e o contingente policial. Afirmação do poder público, com o fortalecimento das instituições, prestação jurisdicional do Estado e obras de infra-estrutura sequer foram lembrados, aposto.

Igualzinho ao Rio de Janeiro de trinta anos atrás. E hoje vivemos todos para ver com nossos próprios olhos o resultado dessa abordagem.

Estamos perdidos. Irremediavelmente perdidos.



 Escrito por Rindu às 14:07
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EL LLANO EN LLAMAS


Hoje Brasília está insuportável.

Aliás, a semana inteira tem sido assim, mas hoje particularmente a porca torceu o rabo. Quente demais, seco demais, inóspito demais. A luz do sol lá fora se derrama alaranjada, encardida. Eu e toda a natureza a minha volta ficamos letárgicos, prostrados, caçando um ninho arejado e fresco para poder curtir essa lombeira que se apodera de todos.

E há ainda quem saia para fazer esportes ao ar livre... no caminho para o trabalho é bem comum eu ver gente caminhando, correndo, malhando, mesmo com esse clima apocalíptico. Como é que conseguem? Certamente não têm as narinas sanguinolentas que eu tenho!

Mudando de assunto, ontem eu terminei finalmente a minha mudança. Arrumei o meu quarto definitivamente, trouxe os móveis que ainda tinham ficado para trás por falta de transporte. Agora só falta instalar a internet, a TV a cabo e o telefone privativo e pronto: terei o meu bunker devidamente montado.

Agora é andar para frente, pisar chão conhecido. O que passou, passou. Ficam as lembranças e o aprendizado, e as marcas o tempo há de apagá-las todas.



 Escrito por Rindu às 14:45
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RENAN CALHEIROS


Renan Calheiros foi absolvido das denúncias que corriam contra ele no Senado Federal, e mais uma vez pipocaram aqui e ali imprecações inflamadas contra o Congresso Nacional e toda a classe política brasileira na imprensa e nos blogs -- o que acaba reverberando pelas ruas.

Dizem que somos assombrados por um encosto corruptor, que possui nossos representantes eleitos tão logo eles tomam posse. Que o Congresso Nacional há muito deixou de cumprir o seu papel de representar o povo brasileiro na sua essência, e que o Brasil-brasileiro-meu-mulato-inzoneiro-tira-a-mãe-preta-do-cerrado não merece os políticos que tem. Que somos um país envergonhado de suas representações políticas: câmaras de vereadores, assembléias legislativas, a Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal... absolutamente nada poupa-nos desse embaraço cívico. Que somos um povo refém de uma malta sobrenatural de gatunos e malfeitores que, legislatura após legislatura, persiste em viver seus dias dedicada a espalhar choro e ranger de dentes por todos os cantos do território nacional.

Essa conversinha me cansa.

Acho que foi Charles DeGaulle que um dia disse que todo povo tem o governo que merece. E eu sinceramente acho que os brasileiros não escapam a essa regra: temos o governo que merecemos, sim. Você não está entendendo mal, caro leitor: o seu raciocínio está correto. Estou afirmando que o Congresso Nacional, câmaras de vereadores, assembléias legislativas e a gloriosa Câmara Legislativa brasiliense são corruptas porque o povo brasileiro é instrinsecamente corrupto. Prova disso é que legislaturas se sucedem, a classe política se renova, mas os escândalos persistem -- e, na verdade, até vêm aumentando.

Ou seja, pelo menos nesse aspecto o Congresso Nacional vem desempenhando o seu papel de representar o povo brasileiro, ao ponto de servir-lhe de retrato, com propriedade e maestria irrepreensíveis. Aplaudamos todos então a Luiz Estêvão, Joaquim Roriz, Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda, José Dirceu e todos os seus mensaleiros inomináveis.

Antes que vocês proclamem uma fatwa contra mim, permitam-me elaborar melhor essa minha tese. Afinal, numa leitura precipitada eu estou reduzindo os brasileiros -- eu incluído, obviamente -- a uma quadrilha de ladrões, e essa é uma ilação muito séria. Não é bem isso que eu quero expressar, embora o conceito de ser corrupto que eu tenho em mente fatalmente esbarra na apropriação indébita do alheio, ainda que subjetivamente.

O que eu quero dizer é que o povo brasileiro é, culturalmente, leniente com a corrupção. Leniente ao ponto de admirar aqueles que têm a coragem ou a cara-de-pau para mandar às favas o ordenamento ético e cívico comum para fazer as suas coisas conforme o seu próprio juízo de valores, por mais questionável e volúvel que ele seja. Esses são admirarados ao ponto de serem eleitos para mandatos públicos.

Brasileiros levam cães à praia, mesmo sabendo que é proibido, só porque acreditam piamente que os seus cães -- tal como seus donos -- são diferentes dos demais, e por isso mesmo inofensivos. Afinal, brasileiro que se preza não se considera igual a todo mundo. Brasileiro que se preza é sempre especialmente diferente dos demais viventes.

O brasileiro é um povo que considera otário quem paga imposto de renda sem artimanhas para isenções indevidas ou um caixa-dois. Brasileiros acham um absurdo devolver troco vindo a mais, avisar o professor sobre uma nota atribuída a maior, receber e pagar as multas de trânsito sem tentar dar um jeitinho com o guarda, ou algum esquema no DETRAN para apagá-las.

Brasileiro gosta de boca-livre. Brasileiro gosta do que é dado. Se é de graça, mesmo que seja injeção na testa, brasileiro quer. Brasileiro considera o que é público como coisa sem dono, ao invés de uma coisa pertencente a todos.

Uma boa parcela dos brasileiros não respeita fila, e esses geralmente só encontram pela frente a resignação dos que gostariam de ter feito a mesma coisa, mas não tiveram coragem para tanto. Brasileiros fazem tumulto, e tentam levar vantagem em tudo, "cerrrrto?"

Brasileiros se indignam com as notícias sobre cargos públicos sendo ocupados por parentes e amigos de políticos, é verdade -- mas isso muda completamente quando chega a vez deles: ficam todos ouriçados com a perspectiva de aproveitar alguma mamata no Governo sem ter que se esforçar muito para isso. Brasileiros trocam favores, por mais espúrios que sejam, numa filosofia de uma mão lava a outra, mesmo que seja com lama.

Eu poderia ir listando essas coisas por horas e horas a fio, mas acho que o que eu já escrevi aqui é suficiente para provar o meu ponto. O povo brasileiro não é diferente dos seus políticos; as práticas e valores de uns e outros são exatamente os mesmos, só que numa escala muito maior: o troco do pão que veio a mais transforma-se em milhões numa licitação pública. Mas a natureza do delito permanece a mesma.

Nessa ótica, Renan Calheiros é inocente mesmo: ele só pediu para um amigo limpar a barra dele com a sua cria bastarda. E, para compensar tal befeitor, ele agilizou algumas emendas de orçamento para obras que já existiam. Só isso. Foi uma mera troca de favores entre amigos, não um roubo descarado como alguns chatos como eu podem pensar.

"Quem não faria igual? Todo mundo faz isso!" -- foi o que os senadores devem ter pensado na hora de justificarem para si próprios o seu voto secreto para absolver o Presidente do Senado. E eu atiro essa pergunta a cada um de nós: quem não faria igual?

Aliás, é preciso observar o quanto que "Ninguém" e "Todo Mundo" são os dois entes que os brasileiros mais seguem como modelos para pautar suas opções éticas duvidosas. Basta uma confrontação para eles serem lembrados: sempre alega-se que "Ninguém" ou "Todo Mundo" faz alguma coisa para se justificar um ato questionável. Frase essa, aliás, que vem sempre seguida pelo indefectível "e-o-que-que-tem?".

Em suma: pode-se trocar o Congresso Nacional inteiro, e tudo continuará como sempre foi.

Eu acho que é caso de resignar-se, matar-se ou mudar-se.

PS: procurem por "vergonha nacional" no Google e vejam qual é a primeira página que aparece.



 Escrito por Rindu às 11:27
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JUNTO AOS ANJOS


Esse foi um fim-de-semana intenso. Daqueles que, apesar de terem durado só dois dias e meio (já que eu viajei na manhã de sexta-feira), me deixaram com a sensação de toda uma semana completa ter se passado antes de eu voltar para casa.

Viajei sozinho, o que aumenta consideravelmente essa percepção da passagem do tempo. Refleti um monte, tive experiências indescritíveis, passei por momentos de extrema felicidade e me confrontei com grandes angústias também. Algo em mim voltou transformado -- isso acontece sempre -- mas eu ainda não sei dizer o que é. Acho que o que vai acontecer daqui para frente é o que me dirá.

Essas viagens de cunho espiritual têm para mim o caráter daquelas brincadeiras de caça ao tesouro do meu tempo de criança. Passo o tempo todo atento, em busca das pistas e pequenos achados que Deus vai colocando pelo meu caminho, como que indicando qual trilha seguir. São lições aprendidas aqui e acolá, que quando postas juntas acabam construindo justamente o que eu vinha procurando.

Acho que a experiência mais marcante dessa vez foi ser colega de quarto de um cara que perdeu a visão completamente há apenas dois anos e meio, num acidente de trabalho que inutilizou-lhe ambos os olhos. Ouvi-lo contar como aquela tragédia mudou-lhe a vida, e lhe abriu horizontes que ele nunca antes imaginou existirem, me fez pensar muito. Quase nunca o que a gente entende como o fim da nossa vida realmente tem que significar o fim. Basta a gente querer fazer as coisas diferentes.

Estar no meio da Canção Nova com outras quase cem mil pessoas é algo que muda um pouco a nossa percepção das coisas. Ouvir todo o Rincão do Meu Senhor cantar junto é uma visão que me causa arrepios. Filmei algumas partes, para quem quiser ver depois. Foi impressionante mesmo.

Acho que vai levar um tempo para as minhas peças voltarem a se encaixar novamente. E isso é bom.



 Escrito por Rindu às 10:20
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