FOGE, NICKY! FOGE!
Acho que é normal que, quando a gente passa por uma guinada de rumo na nossa vida, às vezes nos perguntemos se talvez não fosse melhor ter ficado onde estávamos, fazendo o que fazíamos e convivendo com quem convivíamos. Essas dúvidas são bem cruéis, e paradoxalmente chegam a fazer a gente ter nostalgia de algo que, num passado não muito distante, nós mesmos renunciamos. E aí chega-se num ponto crítico, em que não se vai nem para frente, progredindo no novo caminho adotado, nem para trás, desfazendo todo o processo de transposição pelo que passamos até agora. A vida pára.
Confesso que eu andava me perguntando isso, depois de mais de um ano num rumo que um dia eu reconheci como sendo o que mais condizia com minha criação, minha personalidade, meus valores. De repente eu comecei a me achar meio sozinho, isolado, e de certa forma com medo de acabar o típico solitário: um cara cercado de gente por todos os lados, mas com o coração vazio e uma vida incompleta. Comecei a me perguntar se isso seria diferente se eu não tivesse afinal dado uma guinada tão acentuada, ou se não tivesse mudado nada, em absoluto, na minha vida tal qual ela era.
E, de fato, essa nostalgia começou a me pegar de jeito, a ponto de eu começar a me ver sem ânimo para seguir em frente e, ao mesmo tempo, sem saber se queria mesmo voltar para o ponto de partida. Fui ficando angustiado ao me questionar, enfim, onde era que eu deveria estar.
E a resposta me veio a galope, ontem de madrugada.
Estar por míseros 20 minutos numa festa e ver todos e tudo de ruim que eu pudesse encontrar na vida, me serviu como confirmação veemente de que eu não devo desviar um milímetro sequer do caminho que já venho trilhando. Foi um mero terço de hora, mas interminável, onde eu senti pesar sobre meus ombros toda a energia negativa de um ambiente decadente, imundo, imoral, mau, repleto de pessoas que não têm nada a ver comigo. Não demorou nem dois minutos ali dentro para eu ter a certeza de que definitivamente aquele não era o meu lugar.
A energia que emanava das pessoas não podia ser pior... eu sentia arrepios horríveis a cada cruzada de olhar, ou vozes e risadas que ouvia em meio a balbúrdia do lugar. Foi um custo para mim manter um semblante sorridente para não transparecer tamanha repulsa que eu estava sentindo. Tudo ali era mau, intrinsecamente mau, essencialmente mau -- a pretensa animação e a escuridão da festa pareciam esconder egoísmos inomináveis, invejas indescritíveis, maldades latentes. Senti-me como se eu estivesse bem no meio de um covil de hienas raivosas, onde a alcatéia estivesse pronta a se aniquiliar mutuamente.
Certamente devo estar exagerando (como aliás é uma característica minha), mas sinceramente não encontro outra maneira de expressar o que vi e senti. Nesses vinte minutos, eu não consegui captar nenhuma vibração positiva de bondade, lealdade ou desprendimento naquele lugar. A verdade é que eu senti um alívio tremendo quando saí daquela casa, embora ainda assim me sentisse agoniado, oprimido, como se de alguma forma aquela urucubaca tivesse me afetado.
Sei lá, acho que preciso passar por um descarrego depois de ontem.
Deus me deu a confirmação de que eu tenho mais é que amarrar firme o leme da minha vida, para não desviar o seu curso em absolutamente nada. Ainda não sei para onde estou indo, mas agora eu já sei quem está me capitaneando. E isso deve bastar para eu não temer o meu futuro.
E nada de existencialismos agora.
Escrito
por Rindu às 17:40
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