"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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TUDO PASSA


Quando eu tinha lá meus 19, 20 anos, tinha um amigo muito estranho. Bem, amigo mesmo eu acho que nunca chegamos a ser, mas ele era amigo de amigos meus, e por isso a gente convivia com uma certa freqüência até porque ele também fazia parte do mesmo movimento na Igreja que eu.

Do alto do conservadorismo que marcou a minha adolescência e juventude, eu o achava um cara perdido na vida. Mal-e-mal tinha terminado o ensino médio, preferiu arranjar um emprego do que entrar numa faculdade. E dizia que se daria melhor assim do que o resto de nós, universitários em cursos renomados sustentados pelos pais. Fez tatuagens quando isso ainda era coisa de gente desajustada, e nunca se constrangeu para contar as bandalheiras que armava nas noitadas com mulherada de moral questionável.

Um dia eu o ouvi dizer que cometeria suicídio ao completar 30 anos, porque não queria envelhecer. Eu fiquei chocado com aquilo, mas não quis dar muita vazão ao assunto. Ele não era assim um cara que eu consideraria "ilustrado", e certamente qualquer argumentação sobre um assunto tão subjetivo descambaria para algum bate-boca eivado por todo tipo de ignorâncias. Aliás, as nossas poucas conversas sempre foram marcadas por um "é... tem razão" da minha parte.

O tempo passou, caminhamos por trilhas diferentes, e nos afastamos muito. Ele passou a ser aquela pessoa que eu via de longe, de relance, do qual eu sabia de notícias esporadicamente e sempre pelos outros. Foi assim que soube que ele tinha finalmente entrado no curso de Direito, e que estava adorando. Que tinha conhecido uma garota legal, e que iria se casar. Essas notícias me alegravam, porque eu via que não só ele tinha largado aquela idéia esdrúxula de se matar aos 30, como também aparentemente tinha encontrado um eixo e agora estava vivendo de maneira mais construtiva.

Há três meses ele se casou com uma moça que eu tive a oportunidade de conhecer, quando ele ma apresentou nalgum dos nossos encontros fortuitos. Eu, que tenho uma memória horrível, não lembro da sua cara ou do seu nome, mas lembro que ela me deixou uma impressão muito boa. Ouvi contar sobre a festa de casamento, e fiquei feliz.

Domingo passado eu o vi na missa. Eu estava sentado quando ele passou por mim, e não pude deixar de notar a aliança de casamento e o anel de rubi de bacharel de direito brilhando na sua mão esquerda. Geralmente eu acho muito brega usar anel de formatura, mas no caso dele eu compreendi que aquilo era o símbolo de uma grande vitória, um troféu de alguém que lutou muito para conseguir o que tinha. Ali, calado mesmo, fiquei feliz por ele, mais uma vez.

Ontem fiquei sabendo que a esposa dele costumava ter dores de cabeça freqüentes, que ela sempre tratou como se fossem enxaquecas corriqueiras, como algumas mulheres costumam ter. Entretanto, durante a lua-de-mel na Disney, as montanhas-russas a incomodaram tanto que ela finalmente resolveu ir a um médico para tratar disso. Radiografias mostraram uma mancha bem grande no cérebro, que já começava a comprometer a região da visão. Era coisa para operar, e operar logo.

Fizeram a cirurgia na quinta-feira passada. O prognóstico de recuperação acabou não sendo muito bom, porque o tumor estava muito grande e espalhado. Seqüelas eram dadas como certas. Então houve algumas complicações sérias no pós-operatório, e ontem constataram a morte cerebral.

Hoje os dois completam três meses de casados.

Fiquei muito triste com isso tudo. Não via esse rapaz havia muito tempo, mas secretamente torcia pela sua felicidade. Quando soube de um revés tão grande, me perguntei de onde esse cara tiraria as forças para se reagrupar de novo e não se perder pelo caminho.

São acontecimentos assim que nos dão a certeza do quão frágeis e fugazes nós somos. Um dia estamos aqui, cheios de vida e de planos, e no dia seguinte sequer existimos mais. É tudo uma questão de instantes, sem aviso prévio, sem justificativa antecipada. Quando chega a sua hora, chegou. E ponto final.

De nada adianta dinheiro, poder, beleza, juventude. Admiração pública, então, só garante um velório cheio, e olha lá. Arrogância, orgulho, a ilusão de se achar melhor do que o resto dos viventes... para quê isso, se vamos todos ter o mesmo fim, indistintamente? O sol nasce para todos, e a vida também se encerra para todos nós. A morte é o grande valão que reduz absolutamente todos ao que somos: meras criaturas de vida curta e existência insignificante.

E é nessa hora que chegamos mais perto da percepção da existência de Deus. O homem, por mais que tente acreditar-se o contrário, é mortal e passageiro; só Deus é eterno. E tudo, absolutamente tudo, está nas mãos d'Ele -- daí para que preocupar-se à toa com coisas que não dependem da nossa vontade ou capacidade para acontecerem ou não?

Não sei bem como terminar este post, que já se vai longo. Fui pensando e escrevendo, sem me preocupar muito com a coesão das minhas idéias. Talvez só quisesse dizer para mim mesmo que tudo Deus provê, e que eu posso confiar nisso com tranqüilidade.

Talvez essa seja a única certeza que valha a pena se ter nesta vida.



 Escrito por Rindu às 12:23
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EU QUERO!


Deu na Folha Online hoje:

"O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, defendeu a adoção de jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar depois dos 25 anos de idade.

Para Pochmann, o aumento da expectativa de vida no Brasil --que hoje é de 72,3 anos-- justifica a entrada tardia no mercado de trabalho. "Não há razão técnica para alguém começar a trabalhar no país antes dos 25 anos de idade. Especialmente porque estamos para entrar na fase em que a expectativa de vida ultrapassará os cem anos."

O cara falando de uma semana de 12 horas e eu tendo que trabalhar no Natal e no Ano Novo.

Uma beleza, viu?

PS: será que esse homem não podia sair candidato a Presidência da República de 2010? Juro que largo tudo para ser cabo eleitoral dele.



 Escrito por Rindu às 12:13
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ITINERÁRIO


Sábado de noite eu fiz, por conta própria, uma reedição da Prova das Mil Milhas de Brasília, e tudo com a luz da reserva do meu tanque de gasolina acendendo escandalosamente no meu painel.

  • Saí do Lago Sul e fui para a festa de uma amiga em Taguatinga Norte.
  • No final, fui deixar os pais de outra amiga no meio do Riacho Fundo.
  • E voltei para a Asa Sul para deixar mais uma senhora que precisava de carona.
  • Aí, fui encontrar com um amigão meu no Estádio Mané Garrincha, onde estava rolando uma festa.
  • Entrei na festa, sob insistência e patrocínio dele.
  • Na saída, levei-o para casa em Águas Claras.
  • E voltei para o Lago Sul.

Sempre com a luz da reserva acesa.

Estou prestes a trocar de carro, e acho difícil encontrar outro carro tão fantasticamente econômico como o meu Clio. Vou sentir falta.

Bem, eu não: meu bolso.



 Escrito por Rindu às 19:12
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