É TÃO BOM ESTAR AQUI!
A semana passada foi a semana mais longa do ano para mim. Sabe quando você parece que entra numa brecha no espaço-tempo que faz com que dias durem semanas, e uma semana se faça sentir como um mês inteiro? Então: foi assim que eu me senti nesse começo de ano, na viagem a Canção Nova e São Paulo.
Por uns dias a minha cabeça realmente se desligou de tudo aqui do quadradinho, e eu pude voltar a ser eu mesmo. Foi bom demais.
A Canção Nova estava como eu esperava: lotada e quente. É muito difícil rezar e se espiritualizar num bafo de 42 graus, mas mesmo assim a experiência é algo marcante. Passar a virada diante de Jesus Eucarístico, no meio de uma missa, ao invés de estar nalguma muvuca no litoral no meio de gente bêbada e drogada é algo muito significativo. Sei lá, me dá uma nova perspectiva da vida que não é bem essa que a gente vê sendo pregada por aí.
Já no dia primeiro passamos por Aparecida do Norte e seguimos para São Paulo, para o que eu chamo a fase bárbara da viagem. Isso porque nos dias subseqüentes nós passamos a grassar pela cidade como os quatro cavaleiros do apocalipse, sem encontrar barreira que nos detivesse. Das compras na Rua Oscar Freire ao sanduíche de mortadela no Mercado Municipal, passando pela Rua 25 de Março e a cracolândia, não teve lugar que nos recusássemos a ir. Galeria Ouro Fino, Galeria do Rock, adjacências da Praça da República e da Praça da Sé, Vale do Anhangabaú... só não entramos onde não era possível por questões de contingências (MASP roubado e Sala São Paulo em reforma) ou horário, como foi o caso da Pinacoteca do Estado.
Aliás, falando nos quatro cavaleiros do apocalipse lá em cima... eu sei quem era a Fome, e eu certamente fiz por merecer o título da Guerra num embate nos corredores do Formule 1 com a Bruxa do 72. Agora, quem era a Peste e a Morte, eu juro que não saberia dizer.
Quando finalmente eu me vi esperando o meu vôo no salão de embarque do Aeroporto de Congonhas, senti como se tivesse passado todo um mês fora de casa. Lembranças de palhaçadas no Vegas (dos outros, não minhas), na Canção Nova (nossas, não dos outros) e o cansaço nas pernas que, desacostumadas que estavam, foram forçadas a caminhar dezenas de quilômetros todos os dias, me davam a certeza de terem sido essas férias curtas, mas muito, muito boas.
Agora é esperar pela próxima oportunidade de dar um mergulho na piscina do discernimento, tomar banho na cachoeira paulista. Ou só relaxar no ofurô da sabedoria.
Escrito
por Rindu às 15:29
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