"I can't go any further than this I want you so badly, it's my biggest wish.
"Cool, I spend my time just thinking about you Every single day, yes, I'm really missing you And all those things we use to do Hey girl, what's up? It used to be just me and you.
"Can you meet me halfway, right at the borderline? That's where I'm going to wait, for you. I'll be looking out, night and day -- You took my heart to the limit, and this is where I'll stay. I can't go any further than this I want you so badly, it's my only wish.
"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas Across the universe I go to other galaxies. Just tell me where to go, just tell me where you want to meet I navigate myself to take me where you'll be."
"Meet Me Halfway" Black Eyed Peas.
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PLAY IT RICH
Acredito que essas estão sendo as férias mais imprevistas de toda a minha vida. Segunda-feira passada, quando embarquei em Brasília para São Paulo, trazia comigo só a minha bagagem, a minha passagem e uma porção de incertezas. Os próximos dias seriam uma sucessão de incógnitas a serem desvendadas uma a uma: era possível que eu ficasse hiperativo em São Paulo como foi no Carnaval e no Ano Novo; era possível que eu resolvesse ir embora de BH antes do previsto; era possível que eu fosse para Guarapari molhar os pés no mar para enfim poder declarar-me restaurado para mais uma jornada.
Ou não.
Fato é que, paulatinamente, essa viagem tem se revelado uma sucessão de pequenas e agradáveis surpresas. Tipo eu ir jantar no Budha Bar, no coração da Daslu, já na terça-feira. O lugar é maravilhoso, que provavelmente não deixa a desejar em nada em relação aos seus irmãos em Paris, Nova York e sei lá mais onde. Mas o realmente engraçado foi perceber que uma boa parcela do PIB da cidade de São Paulo fazia-se representar nas mesas ao redor da minha, todos chiques e sorridentes, e bem abstraídos do intenso cheiro de merda que todos tiveram que enfrentar nos jardins nababescos da Daslu, proveniente do poluidíssimo Rio Pinheiros.
Outra surpresa foi ser convidado para a festa de lançamento de uma coleção de jeans que a Diesel criou juntamente com a Adidas. O lugar eu não sei onde era: algum armazém reformado lá para os lados da Lapa, perto da Marginal Tietê. DJ Memê tocando (e eu nem sabia que ele continuava a tocar) e alguma starlet baiana desconhecida por mim tentaram animar os convidados, que estavam todos muito mais interessados no open bar. Depois de muito insistir, ela mesma aceitou o seu fracasso, desceu do palco e foi se juntar aos bebedores de champagne que andavam para lá e para cá sorridentes, todos aparentemente bem ricos e bem-nascidos.
Convenhamos: com Champagne Mumm à rodo, junto com todo tipo de bebida alcoólica de qualidade que possa existir embaixo do céu, qualquer um fica sorridente, bem rico e bem-nascido. Eu mesmo não fui exceção, por que seria?
Além da manguaça, uma máquina Photomatic fez a felicidade da galera (incluindo esse que vos escreve) e três mesas de sinuca distraíram os que ficaram por saber qual era a da festa (idem). Ah, e eu não posso esquecer o house de qualidade que tocou no finalzinho. Mas aí eu já estava bêbado e cansado demais, e deixei de lado o meu pedigree etílico para pedir para sair.
Num contraponto, a minha vinda a BH tem sido muito mais numa nota tranqüila e sem maiores sobressaltos sociais. Na noite em que cheguei eu enfrentei o dilúvio antes de conseguir pôr as mãos no meu ingresso para o show do Interpol e enfim entrar no Chevrolet Hall. O show foi ótimo, como eu esperava, mas tenho que confessar que assisti-lo com fome, frio e pés molhados não acrescentou nada de bom à experiência. Divertido mesmo foi conseguir diferenciar quem sabia o que era o Interpol e quem não sabia: a platéia familiarizada com o estilo ouvia as músicas quieta, como quietos estavam os músicos no palco; já a galera que não tinha idéia do que aquilo se tratava se jogava batendo cabeça como se estivessem nalgum show dos Titãs, no tempo do acústico deles (que, para quem esqueceu, foi lançado em 1996).
Não posso deixar de registrar que eu amei ouvir a Fernanda Takai cantar com o Pato Fu na abertura do show. O lugar estava meio vazio ainda (no total acho que não deu 2000 pessoas) e as luzes do palco apagadas, e isso só contribuiu para fazer tudo ainda mais legal para mim. O Pato Fu consegue fazer o show deles acontecer mesmo sob as luzes da quadra do Chevrolet Hall -- e isso não é qualquer um que consegue.
No mais, sigo os meus dias restantes aqui em BH do jeito que eu queria que essas férias fossem: muito sono, muita preguiça, muito nada para fazer. Foi assim em São Paulo e olha, vou te falar: não tinha como ter sido melhor. Acordo para comer e como para dormir logo em seguida. Uma maravilha.
Guarapari eu acho que vai mesmo para as calendas gregas, apesar da chave do apartamento que eu trago na minha mala e do sol que está calcinando o Sudeste. Praia sozinho eu já enfrentei uma vez e não foi lá uma experiência muito boa... Mas nunca se sabe.
Vai que eu piro de novo?
Escrito
por Rindu às 16:34
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