"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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RENEW


Depois de muitos anos dirigindo um carro sem aparelho de som, agora eu ando tirando a barriga da miséria. Já cansei de todos os meus CDs de MP3 (e olha que é música pra dar com o pau), e o jeito ultimamente tem sido recorrer às rádios mesmo. E dá-lhe a mesmice de Jovem Pan e Transamérica, que são as duas únicas mais audíveis aqui em Brasília em meio a tanto breganejo e rádios institucionais.

Só que isso já está virando um problema, porque o jabá das gravadoras só deixa que essas rádios toquem as mesmas 15 músicas. OK, vinte no máximo. Seja como for, as duas maiores redes de rádios FM do país sustentam as suas programações diárias com base numa mesma seleção musical, que muito provavelmente está toda gravada num único CD. Haja saco para tanta repetitividade (e mau gosto musical, também).

E aí o dedo coça e rapidinho vai parar no seletor. E pulando de rádio em rádio, eu ando me pegando ouvindo bem feliz a Brasília Super Rádio FM e a Antena 1. Ou seja, rádios de gente velha.

Tudo bem que eu cresci ouvindo a Brasília Super Rádio FM no carro dos meus pais, e até que sempre gostei da seleção jazz-bolero-clássicos que ela traz. Mas entre ouvir esse tipo de música incidentalmente e propositalmente há um abismo muito, muito grande. Grande e profundo. E parece que eu estou caindo nele.

Acho que não vai demorar muito para eu me tornar aqueles tiozinhos que andam pela cidade ouvindo Trio Irakitan ou uma toccata de Lizt. E que cantam junto com algum hit de sarcófago da Antena 1. Grisalho eu já ando ficando, mesmo. Só falta a barriga.

Barriga?!

Pensando bem, acho melhor eu puxar logo o fio para acoplar o meu MP3 player no som do carro, e me libertar dessa mesmice. Seja ela da garotada, seja a da terceira idade.



 Escrito por Rindu às 14:50
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DESCENDO DO SALTO


Com a proximidade do Dia das Mães, outro dia surgiu uma conversa lá no Escritório sobre sapatos femininos. Coisa do tipo onde se vendem os melhores modelos, qual tipo era mais bonito, ou qual era o mais adequado para essa ou aquela ocasião, ou para roupas diferentes. Confesso que fiquei calado, porque para mim sapatos são tudo a mesma coisa.

Sério mesmo: ao contrário da minha mãe, que pode passar o dia inteiro numa sapataria, para mim sapatos são completamente insignificantes. Eu juro que posso sair com uma pessoa descalça que é bem capaz de eu sequer notá-la desse jeito. Sou capaz de descrever a roupa ou o cabelo de quem estive por perto, mas nunca os seus sapatos. Para mim praticamente não há diferença entre uma mulher andando nas pontas dos seus pés descalços  e outra usando o mais caro Manolo Blahnik.

Certa vez uma amiga que andava lendo uns livros sobre linguagem corporal me disse que isso tem significado. Não lembro direito qual era, mas sei que não era muito bom. Tinha algo a ver com sempre ver as pessoas de cima para baixo, numa atitude que pode ser entendida como pedante e superior.

Mas aí eu pergunto: do alto de meu metro-e-oitenta-e-seis, tem como eu ver as pessoas de outro jeito que não de cima para baixo?



 Escrito por Rindu às 00:39
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NHÉ


Meu, eu não sei o que tem dado em mim ultimamente. Eu ando num bode tão grande, tão grande, que não me dá vontade de fazer nada. E, é claro, quem paga o pato é o Quarto 1222. Sim, porque eu só posto aqui quando estou com vontade, de verdade. Post escrito de qualquer jeito, sem amor, não presta.

E nem é falta de inspiração. Direto eu noto coisas que dariam bons temas de posts, e chego até mesmo a rascunhar alguma coisa na cabeça. Mas isso passa logo e, quando eu chego na frente do teclado, tudo o que eu quero é ler bobagem no TDUD? e bater papo no MSN. E mais nada.

As coisas no trabalho têm andado cada dia mais tensas, e acho que posso dizer que isso tudo por conta de uma única pessoa. É incrível como basta uma pessoa do mal para disseminar um climão horrível, pesado, que suga as forças de todo mundo exposto a ele. Tem dias que eu saio do Escritório tão cansado como se tivesse sido surrado, embora de fato o trabalho nem tenha sido assim pesado.

Agora tudo depende de uma missão de avaliação do Escritório, que vai acontecer nas próximas semanas. O prognóstico, parece, não é muito bom porque talvez acabe tendo que acontecer uma escolha de Sofia. Meu, Deus que me perdoe, mas confesso que em certas horas eu torço mais para que isso aconteça mesmo, e a gente enfim possa se ver livre dessa urucubaca toda.

Mudando de assunto, no campo das novidades eu recentemente fui parar em Rio Branco, no Acre. E fui para lá voluntariamente, na melhor das boas-vontades. E foi bom. Fui muito feliz duas horas depois do horário de Brasília.

Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a diferença entre os terminais do Aeroporto de Brasília. Da parte de cima, partem os aviões para o centro-sul do país, e na parte de baixo é a sala de espera para os passageiros com destino ao norte e nordeste. Eu viajei na véspera do feriado, o Aeroporto estava bombando de gente, lotadíssimo. Tanto na parte de cima como na de baixo, as lanchonetes estavam com filas enormes, um movimento danado.

Pois bem: na parte de cima mal se via lixo no chão, apenas um ou outro guardanapo, ou papel de bala, que algum distraído ou porco largou por ali. Já na parte de baixo... ah, meu amigo... nem lanchonete de rodoviária fica daquele jeito. Os guadanapos sujos formavam marés aos pés do balcão, e em volta da lanchonete uma miríade de porcarias pisoteadas formavam uma massa indefinida que salpicava o granito. Eu fiquei pasmo.

Isso me fez lembrar os tempos do Projeto, quando as minhas andanças por tudo o que é biboca desse país me fizeram entender um pouco melhor as razões pelas quais uma mera questão de paralelos no mapa determinam verdadeiras diferenças de civilizações. E o jeito de consertar isso é na base da educação maciça... mas com os políticos que são eleitos, nós estamos no mato sem cachorro.

Aliás, nós não. Eles.



 Escrito por Rindu às 14:31
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