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Vem cá: alguém pode pelo amor de Deus me explicar essa onda da glamourização da pornografia? Porque eu estou passado com a naturalidade com que pseudocelebridades ou subcelebridades andam aderindo ao tchaca-tchaca-na-butchaca em troca de alguns trocados (que para mim não importa o quão graúdos sejam).
Antigamente o cúmulo do moderno, constestador e da desinibição transgressora era alguém famoso posar na Playboy. Acho que todo mundo da minha geração lembra o frisson que foi quando a Maitê Proença topou ficar pelada, ou a Vera Fischer e a Hortência. Depois, com a criação da G Magazine, homens também começaram a mostrar o que nem todo mundo queria ver -- é bem verdade que esses eram todos jogadores quase-famosos, ou artistas decadentes, mas compreende-se que vivemos numa sociedade machista em que esse tipo de coisa nunca colaria direito (embora hoje em dia eu já tenha minhas dúvidas, já que a hipótese de se posar nu já não é mais algo impensável para mais ninguém).
E aí começou esse movimento do porn is cool. O pioneiro foi o Alexandre Frota, que já era carta fora do baralho havia décadas, e todo mundo achou que era apelação ele enveredar por esse caminho, inclusive fazendo filmes gays. Mas aí veio o Matheus Carrieri (que foi o primeiro quase-famoso a posar nu) e seguiu-lhe o exemplo. Reiteradas vezes, inclusive. E daí parece que a coisa veio descambando de vez.
Daí que as coisas mudaram muito. Por exemplo: no primeiro Big Brother Brasil, as mulheres que participaram eram assediadas pela Playboy. As mais feias, iam parar na bagaceira da Sexy. E os rapazes faziam ensaios tímidos no site Paparazzo, da própria Globo. Daí um tempo depois, além da Playboy e da Sexy, os próprios homens começaram a considerar a possibilidade de posarem na G Magazine, e o Kléber Bambam e mais uns dois ou três já viraram precedentes. E nos últimos dois anos, a galera que sai do Big Brother Brasil passou a também ser descaradamente convidada para protagonizar filmes pornôs. Aparentemente, o suposto trio Diogo-Irislene-Fani inspirou muitos roteiristas. E anotem aí o que eu digo: basta um primeiro corajoso aceitar, para a coisa generalizar de vez.
Leila Lopes, no desespero de quem caiu num limbo de botox e tranqüilizantes, acabou de estrear um pornô para ver se consegue um pouco de mídia. Daqui a pouco, essa turminha que faz Malhação, Big Brother, novela das seis, figuração de minissérie, e depois não consegue nada melhor, vai toda seguir o exemplo e cair no rebolado também.
Quem sabe um dia não veremos um gang-bang Malhação x BBB? Ou até um canal pornô da própria Rede Globo?
É o fim do mundo.
Escrito
por Rindu às 12:31
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