NOSTALGIA MANDA LEMBRANÇAS
Incrível como umas seis agulhas de nada, postas em lugares estranhos (tipo entre os olhos, acima do umbigo ou no topo da cabeça) são capazes de ter um efeito tão forte. Ontem tive a minha primeira sessão de acupuntura para tratar o stress, e tão logo o cara espetou a última agulha eu apaguei ali na maca mesmo, mergulhando num sono maravilhoso. Tive que ser acordado aos cutucões, e assim que cheguei em casa já senti os olhos ardendo de sono de novo. Dormi o sono dos justos a noite inteira, uma maravilha, como havia meses eu não fazia. Nem senti mais o desconforto da minha cama, que é dura como uma mesa de sinuca.
Amanhã eu tenho consulta com a homeopata. Se eu for mesmo assim tão suscetível aos tratamentos, acho que rapidinho eu vou estar novo em folha.
Mudando de assunto, hoje é aniversário de um amigão meu, e eu fui almoçar com ele. Como o cara é enrolado e custou a chegar no restaurante, eu fiquei passando o tempo olhando as lojas em volta, para não ter que ficar esperando sozinho numa mesa. E quando eu encontrei uma loja de brinquedos, fiz a minha felicidade.
Tenho 32 anos e tudo, mas sou louco por brinquedos até hoje. Adoro ver os carrinhos Hot Wheels e me lembrar da minha coleção de Matchbox importados, que nos tempos de Brasil fechado para o mundo eu incrementava às custas das amizades dos meus pais no corpo diplomático. E até hoje me ressinto de nunca ter ganhado um jogo Detetive, que já inspirou até um filme.
Mas a grande mágoa mesmo é por conta de terem parado de fabricar os Playmobil. Eu adorava, mesmo depois de crescido, ir ver as novidades que eram lançadas para os bonequinhos. No final tinha até ilha do tesouro, palácio com sala do trono e estação espacial com vários compartimentos. Já no meu tempo a coisa era mais básica -- mas mesmo assim eu me divertia semanas a fio com a minha coleção quase completa do Velho Oeste, que incluía o Forte Apache. Também tive uma caravela (recentemente lançaram também um clipper), umas duas naves espaciais, uns caminhões e uns carros. Quando parei de brincar, eu enchi uns três sacos de lixo grandes com a minha coleção, para doá-la. Grande burrada.
Hoje não vejo mais esse tipo de brinquedo nas lojas. Legos são parecidos, mas não se comparam aos Playmobil. E, de resto, tudo o que se vê são monstros cada vez mais desfigurados, bonecas boazudas e bonecos sempre mais musculosos, sempre carregando muitas, muitas armas. Tudo muito chato.
Antigamente brincar significava usar a imaginação. Hoje parece mais um jogo de preparar-se para consumir (ou ser consumido).
Escrito
por Rindu às 18:42
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