AREIA AMPULHETA ABAIXO
Acho que nem nos meus tempos de colégio eu tive uma semana tão longa. Sério, essa semana já durou uns vinte dias e hoje é só quinta-feira! Tudo bem que são quintas-feiras de Neruda, como as encanta a Milady, mas a essa altura do campeonato Neruda de c* é r***, eu quero um fim de semana JÁ.
Aliás, é engraçado quando a gente para para pensar o quanto a nossa percepção da passagem do tempo vai mudando à medida em que envelhecemos. Quando eu era criança, sentia como se fizesse aniversários a cada dez anos. Céus, como custava para um ano na escola passar! Os meses se arrastavam, as férias eram absurdamente longas... A vida parecia ter mais substância, e definitivamente mais consistência!
Mais ou menos depois dos dezoito anos, a minha vida inexplicavelmente começou a adquirir uma velocidade cada vez mais rápida. E isso chegou ao ponto de eu constatar, horrorizado, que há anos inteiros que já passaram que eu simplesmente nem consigo me lembrar do que aconteceu neles. São 365 dias que passaram a jato por mim sem deixar outras marcas que não uma nova idade para contar e novos fios de cabelo branco na cabeça. E mais nada.
Acho que todo mundo tem essa mesma sensação, talvez uns mais que outros. Não sei por que isso acontece, mas as teorias são muitas. Desde que o tempo passa mais lentamente para crianças porque na idade delas tudo constitui um aprendizado, até que o corre-corre da vida profissional versus contas a pagar propicia essa dobra no espaço-tempo que nos faz envelhecer sem nos dar conta do tempo que passa. Seja como for, fato é que eu ainda posso ouvir o espocar dos fogos de artifício de ano novo enquanto já estamos às portas do mês de julho.
Julho, meu. Segundo semestre gritando aí.
É melhor que eu já coloque as minhas barbas de molho. Os 33 anos estão chegando, o Natal também. Quando a gente menos se der conta, já passou tudo. Aí fica a máxima da Simone: "então é Natal... e o que você fez?"
Escrito
por Rindu às 11:52
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