"I remember when i first moved here,
a long time ago
´Cause I heard some song
I used to hear back then,
a lone time ago.
I remember when, even further back,
in another town,
´Cause I saw something written
I used to say back then,
hard to comprehend.

"And the question is,
was I more alive
then than I am now?
I happily have to disagree;
I laugh more often now,
I cry more often now...

I am more me".

"Objects Of My Affection"
Peter, Bjorn & John.








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AREIA AMPULHETA ABAIXO


Acho que nem nos meus tempos de colégio eu tive uma semana tão longa. Sério, essa semana já durou uns vinte dias e hoje é só quinta-feira! Tudo bem que são quintas-feiras de Neruda, como as encanta a Milady, mas a essa altura do campeonato Neruda de c* é r***, eu quero um fim de semana JÁ.

Aliás, é engraçado quando a gente para para pensar o quanto a nossa percepção da passagem do tempo vai mudando à medida em que envelhecemos. Quando eu era criança, sentia como se fizesse aniversários a cada dez anos. Céus, como custava para um ano na escola passar! Os meses se arrastavam, as férias eram absurdamente longas... A vida parecia ter mais substância, e definitivamente mais consistência!

Mais ou menos depois dos dezoito anos, a minha vida inexplicavelmente começou a adquirir uma velocidade cada vez mais rápida. E isso chegou ao ponto de eu constatar, horrorizado, que há anos inteiros que já passaram que eu simplesmente nem consigo me lembrar do que aconteceu neles. São 365 dias que passaram a jato por mim sem deixar outras marcas que não uma nova idade para contar e novos fios de cabelo branco na cabeça. E mais nada.

Acho que todo mundo tem essa mesma sensação, talvez uns mais que outros. Não sei por que isso acontece, mas as teorias são muitas. Desde que o tempo passa mais lentamente para crianças porque na idade delas tudo constitui um aprendizado, até que o corre-corre da vida profissional versus contas a pagar propicia essa dobra no espaço-tempo que nos faz envelhecer sem nos dar conta do tempo que passa. Seja como for, fato é que eu ainda posso ouvir o espocar dos fogos de artifício de ano novo enquanto já estamos às portas do mês de julho.

Julho, meu. Segundo semestre gritando aí.

É melhor que eu já coloque as minhas barbas de molho. Os 33 anos estão chegando, o Natal também. Quando a gente menos se der conta, já passou tudo. Aí fica a máxima da Simone: "então é Natal... e o que você fez?"



 Escrito por Rindu às 11:52
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RIACHO DOCE


Essa semana está sendo bem atípica aqui no Escritório, e por isso mesmo incrivelmente longa. A demanda de serviço caiu sensivelmente e eu tenho passado os dias praticamente à toa, lendo tudo o que presta e o que não presta na internet, esperando o tempo passar. E ele simplesmente não passa.

Geralmente é assim nessa época do ano, e acredito que será ainda pior por causa do ano eleitoral. Até a minha chefe tirou uns dias de férias.

Eu detesto ficar à toa. Não porque eu seja um workaholic, porque eu não sou mesmo, mas porque é péssimo perder o pique do trabalho; quando as coisas recomeçarem a acelerar, vai ser sofrido recuperar o gás para dar conta de tudo a tempo e à hora.

Isso sem contar que eu detesto pagar hora-bunda, essa palhaçada de ficar aqui fazendo paçoca na minha mesa enquanto eu poderia estar fazendo um milhão de coisas mais interessantes no mundo lá fora -- entre elas dormir, por exemplo. Eu tenho dado conta das minhas pendências diárias em uma, talvez duas horas de trabalho se eu trabalhar devagar. Daí por que não me liberar para ir embora, com a condição de que se aparecer qualquer problema ligarão no meu celular? Essa lógica da mais-valia é meio burra, se formos pensar bem.

Então que hoje AINDA é quarta-feira... e uma quarta-feira de inverno, que paulatinamente já tem feito o meu humor correr ralo abaixo.

Quero fugir para Fernando de Noronha.



 Escrito por Rindu às 11:43
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MIL


Só para constar: o próximo comentário aprovado aqui no Quarto 1222 será o milésimo desta nova fase no UOL, desde novembro de 2006.

Merecia uma comemoração.



 Escrito por Rindu às 12:30
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ELES MANDAM UM ALÔ


Na noite de quinta para sexta-feira passada eu tive um sonho muito, muito estranho. Eu geralmente não sou do tipo que lembra dos sonhos que teve, e quando isso acontece os sonhos são sempre bem normaizinhos. Nos meus sonhos não tem dessa de labirintos, bichos que falam, super-poderes, nada. Tal qual a minha vida é chata, meus sonhos são chatos. Nem isso me salva.

Mas na quinta-feira passada tudo foi bem diferente do que o usual. Sonhei que o meu avô materno, que morreu em 1987, tinha aparecido vivo. Como uma espécie de Elvis Presley, ele contou que forjou a própria morte porque estava cansado da vida que tinha. No sonho eu não lembro da reação da minha família, mas eu fiquei bem indignado: como assim aquele homem tinha feito isso com a gente? Minha avó morreu por causa dessa perda, e todos na minha família mudaram muito depois do choque dessa perda. Eu mesmo tenho certeza de que seria uma pessoa bem diferente do que eu sou hoje se meu avô não tivesse morrido ainda.

Daí eu fui espairecer da mágoa na casa do Marcelo, que foi o meu melhor amigo de infância e que morreu num acidente de avião quando eu tinha 18 anos. Não lembro de ele estar lá, mas o Bonnie, que foi o cachorrinho que eu tive na minha infância, estava. O Bonnie morreu atropelado em 1989, bem na minha frente.

Depois disso, o sono começou a ficar meio confuso à medida em que a hora de acordar se aproximava. Eu não lembro de mais nada, mas sei que tinha muita água envolvida. Despertei meio perturbado, e vim trabalhar com uma cara péssima (o que nem é novidade).

Perturbador, isso. Não esqueci até hoje.



 Escrito por Rindu às 11:48
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