RIO, 40 GRAUS
Estou indo para o Rio de Janeiro no fim de semana que vem, para dar uma espairecida e respirar um pouco de maresia. Se tiver sorte, vou ver um pouco de chuva também -- em Brasília não chove há dois meses e eu adoro um tempo nublado.
Como eu já havia comentado aqui no Quarto 1222 antes, as Nações Unidas têm uma escala de níveis de segurança para orientar as viagens de seus funcionários. Essa escala vai da "Fase 1" (Precaução) até a "Fase 5" (Evacuação), e desde fins de 2006 o Rio de Janeiro foi classificado como um local "Fase 1". Daí, para poder ir para lá ainda que a passeio, eu tenho que preencher um formulário avisando o Departamento de Segurança da ONU quando eu vou viajar, em que vôo e em que horários, ficar onde, com quem, e quando volto. Tudo para a eventualidade de, caso haja algum agravamento na situação por lá, eu possa ser evacuado da cidade com rapidez e segurança.
É legal pensar que há todo um esquema pensado para te proteger, mas por outro lado não deixa de ser uma encheção de saco.
No site onde esse requerimento é preenchido, há uma seção "Travel Advisories" (algo como "Conselhos de Viagem") em que há um texto todo apocalíptico sobre os riscos que se assume ao decidirmos ir ao Rio de Janeiro. Eu achei interessante copiá-lo aqui:
As forças de segurança conduzem freqüentes operações armadas contra facções do tráfico de drogas que estão em controle de diversas favelas espalhadas pela cidade. Balas perdidas, rajadas de balas e o indiscriminado uso de munição de alta velocidade e armamento pesado podem transformar qualquer favela num cenário perigoso e volátil, especialmente no caso de intervenção da polícia ou conflitos entre diferentes facções de traficantes. Visitantes são mais vulneráveis a tais incidentes devido ao seu desconhecimento do local e falta de experiência. Portanto, todos os viajantes são aconselhados a evitar a proximidade das favelas. Adicionalmente, tem havido um aumento de assaltos à mão armada nas vias de acesso do Aeroporto Internacional à Zona Sul, onde a maioria dos visitantes internacionais ficam. Evite passar à noite na Linha Vermelha ou Linha Amarela, que são vias expressas ligando o Aeroporto Internacional à Zona Sul, o centro da cidade e subúrbios. Se você desembarcar no Aeroporto Internacional durante a noite, considere passar a noite no Hotel do Aeroporto. Enquanto no Rio de Janeiro, dê preferência a rádio-táxis registrados já que eles são considerados os mais seguros, ou peça orientações ao concièrge do seu hotel. Devido a disputas em curso com os controladores de tráfico aéreo, vôos podem se atrasar, serem cancelados e/ou desviados de seus destinos iniciais. Assim, viajantes chegando ou fazendo conexões em vôos no Rio de Janeiro são aconselhados a requerer um security clearance mesmo que não haja expectativa de deixarem o Aeroporto. (...)
O texto segue falando que quem viaja a reservas indígenas também tem que solicitar um security clearance, já que ocorreu de funcionários da ONU serem mantidos reféns por alguma tribo por aí. E, é claro, fala dos cuidados em relação a Febre Amarela e Dengue.
É chocante pensar que escrevem isso sobre o nosso país... mas daí, se você pára um pouco para pensar, vê que nem está tão fora da realidade assim. A gente é que já se acostumou com o caos.
Escrito
por Rindu às 15:13
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