"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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SARTRE, BEAUVOIR E RINDU


Quando eu era criança, meu avô me dizia que eu tinha um olhar de poeta, e minha avó completava que minhas mãos eram de pianista. Cresci para ser nenhuma das duas coisas: meus arroubos poéticos sempre foram tímidos e escassos, graças a Deus, e nem o "Bife" eu sei tocar direito. Eu canto, se muito, e mesmo assim olha lá.

Talvez a única característica eminentemente artística que eu tenha de verdade seja o existencialismo. Desde que me conheço por gente, sempre fui uma pessoa sofredora por natureza. Daquelas que são afetadas por absolutamente tudo que se passa em suas vidas, e que mesmo o mínimo estímulo encontra um eco ribombante em suas almas. Por causa disso mesmo as coisas corriqueiras, que são naturalmente encaradas e superadas todos os dias pelos demais mortais, sempre me deixaram marcas profundas.

Quando estava na escola, era um sofrimento o primeiro dia de aula, e o último também. Mudanças e despedidas sempre foram as minhas maiores algozes. Viagens de excursão, então, eram um suplício: voltava da viagem cansado, como todo mundo, mas também profundamente deprimido porque não mais veria aquelas pessoas todas com a intensidade com que havia me acostumado. Eu choro em velório de gente que eu não conheço, ao ver a dor da despedida de quem o morto deixa para trás. Eu choro vendo filme da Sessão da Tarde, fim de novela e clipe musical.

Por toda a minha vida eu sempre me empenhei em construir uma certa carapaça de alienação e indiferença à minha volta, que é uma tentativa de imitar como eu vejo agirem por aí as pessoas normais. De certa forma, eu até que obtive algum sucesso no intuito de me proteger, mas sou forçado a admitir que eu não consegui ainda descobrir como algumas pessoas fazem para serem felizes e entusiasmadas o tempo todo.

Eu sou um cara de altos e baixos. E esses estados alternam-se várias vezes por dia, em questão de horas. Vitalidade não é algo que me sobra, e eu tento aproveitá-la ao máximo quando ela se faz disponível. Euforia, entusiasmo, então, nem se fala. Queria ter a animação de um professor de aeróbica o tempo todo, mas não consigo. Daí me resta fazer a linha emo mesmo.

Em duas épocas do ano, especificamente, eu fico mais propenso a arroubos ainda mais existencialistas do que o normal: o período que começa no meu aniversário e termina no ano-novo, e o inverno. São fases em que eu me pergunto "que diabos eu estou fazendo da minha vida" com mais intensidade do que o costume. Nelas mesmo os problemas mais simples passam a ser intransponíveis, verdadeiras sentenças irrevogáveis de uma vida desgraçada. Minha conta parece que nunca mais vai sair do vermelho, a malhação parece não estar fazendo efeito e ser uma grande perda de tempo e dinheiro, e eu me sinto mais sozinho ainda.

Ontem eu tive um surto desses. Me vi falido, gordo (e magro, paradoxalmente ao mesmo tempo), fracassado, arruinado, morto em vida. Custou uma noite de sono para eu ver que o sol sempre volta no dia seguinte.

Tem um povo que não veio a este mundo a passeio. E eu sou um desses.



 Escrito por Rindu às 12:57
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BALINDO, BALINDO, BALINDO


Eu ando de bode ultimamente, e acho que dá para notar pela escassez de posts aqui no Quarto 1222. Não tenho tido saco para nada, vontade para nada, inspiração para nada. É um desperdício de tempo, eu sei, mas a verdade é que no inverno tudo o que eu faço é esperar ele passar. Me encasulo na minha conchinha imaginária e fico ali quietinho, fingindo que não sei que a vida, às vezes, pode ser bem chata.

Junho e julho se foram, agora resta agosto... e é a pior parte. A temperatura sobe, a umidade desce, e a cidade fede a lenha queimada. O vento, tão presente nos meses anteriores, vai parando, e a brisa que resta fica mais quente a cada dia. Tudo já preparando o cenário para o inferno que nos aguarda no fim do mês, e por setembro afora, até que Deus se compadeça de nós e envie chuva para encerrar tamanho sofrimento.

Céus, como eu quereria poder sumir daqui nessa época... curtiria as festas juninas e já em julho me mandaria para bem longe, para qualquer lugar onde o ar fosse respirável, onde chuva não fosse raridade e a paisagem fosse permanentemente verde. E ali permaneceria como um retirante nordestino, só aguardando a notícia que choveu na sua terra para voltar para casa no primeiro pau-de-arara.

Ou não. Dados os meus manifestos sentimentos por essa terra que me pariu, acho improvável que eu, podendo sair daqui permanentemente, algum dia quisesse voltar.



 Escrito por Rindu às 11:25
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