ALBINISMO MENTAL
É impressionante: se já houve tempos em que eu publiquei quinze posts num só dia aqui no Quarto 1222, ultimamente eu tenho custado a conseguir escrever algo que preste a cada quinze dias. Eu tenho vivido um grande período de NADA, onde o pouco que eu consigo captar para pôr em palavras acaba se tornando um mini-post na minha página no Twitter (essa sim, anda bombando).
Eu até tenho pensado em escrever sobre uma coisa ou outra que aparece na mídia, mas acabo desistindo para não ser repetitivo, ou ser reputado como uma versão mal-acabada do Diogo Mainardi. Seja como for, a verdade é que está cada vez mais difícil falar mal da política, sobretudo do governo federal -- e não é porque as coisas estão indo bem, não: é que as idiotices da malta estabelecida na Esplanada dos Ministérios são tão óbvias, cada vez mais estapafúrdias, que chegam a falarem por si mesmas. Clamam aos céus por misericórdia sobre essa nação de boçais.
De que adianta falar que mexer na Lei de Anistia agora é só um revanchismo idiota, que não vai servir para outra coisa além de chagar para sempre a sociedade, como aconteceu no Chile e na Argentina? Por outro lado, já é cair na obviedade escrever sobre como o STF vem se tornando uma defensoria de corruptos com costas-quentes (ou largas, ou os dois), ao invés do maior guardião do Direito no Brasil. Ou ainda afirmar que eu me condôo quando vejo a comemoração por cada parco bronze que um brasileiro ganha nas Olimpíadas, porque para mim isso é o mesmo que esse país admitir que não passa de uma Uganda de mais oito milhões de quilômetros quadrados.
Assim, é melhor nem escrever nada. Deixar passar em branco, na esperança de que passe bem logo.
Enquanto isso, vivo os meus dias assim como eles me vêm. Estou passando por uma fase na qual absolutamente não consigo discernir o que eu quero do que eu não quero, e menos ainda o que eu deixo de querer. E, como dizem as sábias placas de trânsito: "na dúvida não ultrapasse", eu fico assim, parado. Assisto a minha própria vida passar por mim como um longo e monótono filme iraniano, com sutis toques de ópera-bufa.
É um cipoal confuso, a minha cabeça. Me perco entre as coisas que eu quero, e as que eu gostaria de querer, ou deixar de querer. Sem conseguir enxergar um palmo à frente e discernir alhos de bugalhos, mas agoniado para fazer algo acontecer na minha vida, saio às topadas por aí aprendendo as coisas na base da tentativa-e-erro. Meto os pés pelas mãos e saio frustrado e ferido da situação, tendo consciência de que absolutamente nada mudou na minha vida. Eu sigo parado e inerte.
Complicado isso. Não tenho expectativas de que quem leia isso vá entender do que se trata e possa me aconselhar, ou se solidarizar comigo. Não é fácil de entender, eu mesmo não entendo. Aliás, nesse aspecto nem mesmo seis anos de terapia têm ajudado muito. Nas sessões com o Dr. Jason, eu tenho tido crises de sono... de tanto tédio! Talvez fosse melhor desistir e me assumir louco de vez.
Pelo menos assim eu paro de gastar dinheiro com a terapia.
Escrito
por Rindu às 17:45
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