UMA NAÇÃO BRONZEADA
Via PapelPop, cheguei no impagável Bronze Brasil 2008, onde a torcida é para que alcancemos o maior número de medalhas de bronze possível nessas Olimpíadas. Afinal, se aqui no Brasil um bronze vale como um ouro, nada mais digno que assumamos de uma vez a torcida pela celebração da nossa mediocridade.
E é verdade: somos o quinto maior país em extensão do planeta, uma das dez maiores economias do mundo, auto-suficientes em petróleo, economicamente estáveis, sem dívida externa, mas ainda assim assumimos alegremente o humilde papel de claque, bucha-de-canhão, figuração em Olimpíadas. Hoje estamos em quadragésimo-primeiro lugar no quadro de medalhas, atrás de potências como a Jamaica, o Quênia, Etiópia, Cazaquistão, Zimbábue, Azerbaijão e Mongólia.
Tudo bem, provavelmente seria muita ambição querer competir com potências como Rússia, China e Estados Unidos, onde os atletas vivem a vida quase que exclusivamente em função de seu desempenho olímpico. Passam os dias à base de suplmentação alimentar de primeira linha, treinos exaustivos com toda a melhor estrutura física, técnica e tecnológica que existe neste planeta, e têm todo o suporte para não se preocuparem com mais nada a não ser treinarem e se aprimorarem. Duvido até que os caras tomem água: deve ser tudo na base do Gatorade. Mas, meu, ainda assim é um despautério o Brasil não estar nem entre os quinze primeiros colocados no quadro de medalhas.
E por que isso não acontece? Azar? Zica? Inferioridade genética? Falta de garra e de fibra nos nossos atletas? Não acredito em nada disso. Acho, isso sim, que isso acontece porque nesse país o apoio ao esporte é encarado como hobby, algo que se faz hoje e pode-se deixar de fazer amanhã sem culpa alguma; uma liberalidade de empresas que têm um dinheirinho sobrando e querem tirar onda de quem faz o bem. E que nem se comente a falta de estrutura e apoio do Estado em relação a isso: uma das facetas do sistema educacional falido do nosso país se revela bem aí.
É fato conhecido que o esporte no Brasil vive praticamente de esmolas -- excluídos aí o futebol, e talvez o vôlei e o basquete. Via de regra um atleta, no Brasil, é um cara que tem que se virar para sobreviver, enquanto tenta manter uma mínima performance técnica para se alçar a competições de nível. E isso é uma pena, porque não é de hoje que um bom desempenho nos jogos olímpicos serve de propaganda muitíssimo eficaz no cenário internacional. Basta lembrar da política de "medalhas a todo custo" da época da Guerra Fria, com que os países do bloco comunista tentavam demonstrar superioridade não só esportiva, mas também ideológica e econômica, frente aos países capitalistas. Os brasileiros são alheios a isso: vão para os jogos olímpicos sorridentes, só para tomarem na cara e serem humilhados, e então voltarem choramingando para casa, justificando o injustificável.
E, aos olhos do mundo, que sigamos sendo o país das mulatas com pouca roupa, do jeitinho, do futebol, do samba e dos assaltos no Rio de Janeiro. E mais nada. E, para piorar, com a crescente profissionalização do esporte mundial (haja visto os recordes quebrados), está chegando o dia em que o Brasil vai voltar de uma Olimpíada sem uma medalha sequer. Já perceberam o quanto o nosso quadro de medalhas vem sendo cada vez pior a cada edição dos jogos olímpicos?
Não é à toa que o único ouro do Brasil veio de um atleta que vive e treina nos Estados Unidos. Ou seja: o chassi até que é brasileiro, mas o combustível e a mecânica foram inteiramente estrangeiros. Posto de lado o enorme mérito pessoal do Cézar Cielo, esse ouro é muito mais estadunidense do que brasileiro, na boa. Quase uma nona medalha do Michael Phelps.
Nossos mesmo, só os bronzes. Se houver algum.
Escrito
por Rindu às 12:28
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