"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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UMA NAÇÃO BRONZEADA


Via PapelPop, cheguei no impagável Bronze Brasil 2008, onde a torcida é para que alcancemos o maior número de medalhas de bronze possível nessas Olimpíadas. Afinal, se aqui no Brasil um bronze vale como um ouro, nada mais digno que assumamos de uma vez a torcida pela celebração da nossa mediocridade.

E é verdade: somos o quinto maior país em extensão do planeta, uma das dez maiores economias do mundo, auto-suficientes em petróleo, economicamente estáveis, sem dívida externa, mas ainda assim assumimos alegremente o humilde papel de claque, bucha-de-canhão, figuração em Olimpíadas. Hoje estamos em quadragésimo-primeiro lugar no quadro de medalhas, atrás de potências como a Jamaica, o Quênia, Etiópia, Cazaquistão, Zimbábue, Azerbaijão e Mongólia.

Tudo bem, provavelmente seria muita ambição querer competir com potências como Rússia, China e Estados Unidos, onde os atletas vivem a vida quase que exclusivamente em função de seu desempenho olímpico. Passam os dias à base de suplmentação alimentar de primeira linha, treinos exaustivos com toda a melhor estrutura física, técnica e tecnológica que existe neste planeta, e têm todo o suporte para não se preocuparem com mais nada a não ser treinarem e se aprimorarem. Duvido até que os caras tomem água: deve ser tudo na base do Gatorade. Mas, meu, ainda assim é um despautério o Brasil não estar nem entre os quinze primeiros colocados no quadro de medalhas.

E por que isso não acontece? Azar? Zica? Inferioridade genética? Falta de garra e de fibra nos nossos atletas? Não acredito em nada disso. Acho, isso sim, que isso acontece porque nesse país o apoio ao esporte é encarado como hobby, algo que se faz hoje e pode-se deixar de fazer amanhã sem culpa alguma; uma liberalidade de empresas que têm um dinheirinho sobrando e querem tirar onda de quem faz o bem. E que nem se comente a falta de estrutura e apoio do Estado em relação a isso: uma das facetas do sistema educacional falido do nosso país se revela bem aí.

É fato conhecido que o esporte no Brasil vive praticamente de esmolas -- excluídos aí o futebol, e talvez o vôlei e o basquete. Via de regra um atleta, no Brasil, é um cara que tem que se virar para sobreviver, enquanto tenta manter uma mínima performance técnica para se alçar a competições de nível. E isso é uma pena, porque não é de hoje que um bom desempenho nos jogos olímpicos serve de propaganda muitíssimo eficaz no cenário internacional. Basta lembrar da política de "medalhas a todo custo" da época da Guerra Fria, com que os países do bloco comunista tentavam demonstrar superioridade não só esportiva, mas também ideológica e econômica, frente aos países capitalistas. Os brasileiros são alheios a isso: vão para os jogos olímpicos sorridentes, só para tomarem na cara e serem humilhados, e então voltarem choramingando para casa, justificando o injustificável.

E, aos olhos do mundo, que sigamos sendo o país das mulatas com pouca roupa, do jeitinho, do futebol, do samba e dos assaltos no Rio de Janeiro. E mais nada. E, para piorar, com a crescente profissionalização do esporte mundial (haja visto os recordes quebrados), está chegando o dia em que o Brasil vai voltar de uma Olimpíada sem uma medalha sequer. Já perceberam o quanto o nosso quadro de medalhas vem sendo cada vez pior a cada edição dos jogos olímpicos?

Não é à toa que o único ouro do Brasil veio de um atleta que vive e treina nos Estados Unidos. Ou seja: o chassi até que é brasileiro, mas o combustível e a mecânica foram inteiramente estrangeiros. Posto de lado o enorme mérito pessoal do Cézar Cielo, esse ouro é muito mais estadunidense do que brasileiro, na boa. Quase uma nona medalha do Michael Phelps.

Nossos mesmo, só os bronzes. Se houver algum.



 Escrito por Rindu às 12:28
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