"I can't go any further than this I want you so badly, it's my biggest wish.
"Cool, I spend my time just thinking about you Every single day, yes, I'm really missing you And all those things we use to do Hey girl, what's up? It used to be just me and you.
"Can you meet me halfway, right at the borderline? That's where I'm going to wait, for you. I'll be looking out, night and day -- You took my heart to the limit, and this is where I'll stay. I can't go any further than this I want you so badly, it's my only wish.
"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas Across the universe I go to other galaxies. Just tell me where to go, just tell me where you want to meet I navigate myself to take me where you'll be."
Que eu sou do tipo de cara que fala primeiro para pensar depois, todo mundo que me conhece já sabe. Isso inclusive já me meteu em encrencas bem complicadas, quase sempre agravadas pelo viés bem irônico e sarcástico que é a característica mais marcante do meu humor. Me acostumei, pela minha vida toda, a admitir que me excedi aqui e ali, quando possível pedir desculpas e consertar o dano, e aprender a não deixar aquilo acontecer de novo.
Se, por um lado, existem excessos da parte de quem fala, também há excessos da parte de quem ouve. Claro que não dá para ser uma cavalgadura surda que sai falando o que quer e bem entende por aí, mas também torna-se impraticável uma amizade mais aproximada com alguém que tem ouvidos melindrosos. Não sei se estou certo por pensar assim, mas para mim tolerância e espontaneidade são dois dos principais pilares sobre os quais qualquer amizade verdadeira se apóia.
Não dá para ser amigo de alguém com quem você tem que constantemente pesar e medir palavras, calcular cada movimento, sempre temendo cometer uma ofensa irremediável ao dar algum passo em falso. Claro que para tudo há uma medida, e a sociedade mesmo cuidou de traçar limites ancestrais para conversas e relacionamentos. Amigos que são amigos perdoam e relevam muita coisa. Quando a amizade vira um patrulhamento para qualquer ironia ou piadinha interna, é sinal de que há algo de muito errado nessa relação.
Recentemente eu fui surpreendido pelo stress de dois amigos que eu considerava como dos mais importantes, e coincidentemente ambos explodiram pelo mesmíssimo motivo: sem querer, e inadvertidamente, falei demais. Foram casos idênticos: numa conversa corriqueira de MSN, eu tomei a liberdade de fazer um comentário engraçadinho qualquer sobre a aparência de quem eles estavam paquerando. Vi agora que errei feio na minha avaliação, porque se para mim essa piadinha seria algo para ser rebatido com um mero "vai tomar no cu" corriqueiro, coisa de amigos, para eles não foi. Acabou que a minha ironia foi a gota d'água para uma verdadeira nêmesis que se abateu sobre mim, e que me rendeu meses de bloqueio no MSN e ligações não atendidas no celular.
Não pensem que eu falei algo chocante, impertinente, preconceituoso ou que diminuísse ou humilhasse os mancebos em questão de qualquer outra forma. Aliás, acredito que o teor da minha fala não atingiu diretamente nem os mancebos, nem quem queria amancebar-se com eles. Os meus comentários foram de uma inocência tamanha, tão impensados, que chegaram a beirar a bobeira completa.
Admito que fui mordaz, mas convenhamos: era coisa para um olhar de soslaio e mais nada. Ou, se muito, mandar a pessoa à puta que pariu para, em seguida, retomar o assunto que estava rolando antes da troça. Juro que se fosse comigo, eu mandava à merda e continuava o papo, incólume. Ou então, no máximo, retrucaria xoxando o piadista e sua companhia, se fosse o caso. Afinal, amigos que têm liberdade para falar também têm ouvidos livres para ouvir.
Quando soube o motivo da zanga, pedi desculpas, claro. Afinal, não quero que pessoas de quem gosto fiquem por aí magoadas comigo. Mas, ao mesmo tempo, me entristeci muito por perceber nisso tudo que aconteceu um sinal de que as amizades que eu julgava ter, na verdade, não existem. Querendo ou não, parece que se quebrou esse pilar tão importante que eu falei antes, que é a espontaneidade, e de repente tudo ficou manco, claudicante, hostil.
Também fiquei triste pela atitude desses meus amigos, porque não chegaram para mim e disseram algo tipo "porra, caralho, puta que pariu Rindu! Você vive pisando na bola!" e me dar uma chance para me explicar, ou corrigir o erro. Simplesmente se afastaram sem me dar um porquê, coisa que se faz com quem tanto faz quanto tanto fez ter como amigo ou não. Eu jamais agiria assim com eles.
Bem, é vivendo e aprendendo. De agora em diante, o negócio é mesmo pisar em ovos. Mas fica mais difícil uma amizade crescer assim.
Cara, as referências pop desse clipe são tantas, que me causaram uma sobrecarga no cérebro. Sabe quando a gente assiste uma coisa querendo absorvê-la ao máximo? Aprender a dancinha, assimilar as roupas, captar a música, associar as remissões feitas em segundo plano, tudo ao mesmo tempo? Fantástico!
Eu sempre paguei pau para a Beyoncé, porque ela tem voz e é absolutamente linda. Daí vem a irmã dela e mostra que isso é coisa de família. Vem cá, quando é que uma das duas vai se dignar a vir ao Brasil, hein?
Falando em vir ao Brasil, eu já estou aguardando ansiosamente a oportunidade de assistir ao melhor show da minha vida agora no fim do ano:
KYLIE MINOGUE!
HAHAHAHAHAHA, nego já achando que eu ia falar Madonna, né? Sem chance: acho a Madonna a maior fraude do mundo pop ainda na ativa. Para mim, a mulher não grava nada que presta desde 1994, quando ela lançou Bedtime Stories. De lá para cá, salvo alguns singles que conseguiram ser mais divulgados pelo incrível aparato de marketing que existe por trás dela, a Madonna não conseguiu gravar nada que fosse comparável à sua fase inicial.
Quando um artista entra em declínio, ele passa por três fases antes do fim: a primeira é sair copiando gente que está dando certo, ou deu certo em alguma ocasião no passado. A segunda é começar a apelar para duetos com gente que tem mais gás do que ele. E a terceira é apelar para algo fora do comum para dar uma atualizada na sua imagem, já cansativa e desgastada. Madonna já passou pelas três: o CD passado foi em boa parte sampleado de músicas do ABBA; neste ela chamou Timbaland, Justin Timberlake, Britney Spears e Kanye West para dar uma mãozinha; e por fim ela recentemente anunciou que quer adotar outra criança africana. Fico imaginando que triste fim levou a primeira.
Madonna ainda existe porque ela conseguiu criar uma mística tão forte em torno dela, tão absoluta, que a torna praticamente uma unanimidade inatingível e incontestável -- artificialmente, é óbvio. Como dizia Nélson Rodrigues, toda unanimidade é burra; nesse caso em particular, é praticamente boçal. Madonna é fruto de marketing numa proporção tão colossal que o seu talento chega a ser obliterado, e colocado em segundo plano. A mulher pode gravar "Cabocla Teresa" em parceria com Ricky e Renner, que ainda assim todas as poc-pocs do mundo vão dar pitis espalhafatosos nos blogs, todas se contorcendo em gritinhos de cólicas, bem loucas para comprar o disco e aclamá-lo antes mesmo de ouvi-lo com um mínimo senso crítico.
Aliás, pedir algo como "um mínimo senso crítico" para esse tipo de gente é como pedir que cães miem.
Tudo na Madonna é falso, tudo é feito para impressionar e vender. Prova disso é que embora desde sempre Madonna se esforçasse para associar a sua imagem à luta contra a epidemia de AIDS, ela simultaneamente sempre pregou a promiscuidade sexual em absolutamente todos os CDs, clipes, filmes, livros e shows que ela fez -- o que é um paradoxo na luta contra o HIV. Tudo isso só porque escândalo vende, e Madonna não está nem aí para mensagens ou posturas, ela quer é o dela.
Madonna se passou por melhor amiga dos gays quando convinha criar essa histeria que a sustenta até hoje. Mas uma vez construído o culto e conquistado o público cativo, ela virou as costas para as poc-pocs com tanta indiferença que chocou até mesmo o irmão dela (que é gay). Hoje Madonna não tem amigos gays, quase (até mesmo o irmão e o Ruppert Everett dançaram). Hoje nem o corpo de baile dos seus últimos shows, antes verdadeiras Gaiolas das Loucas, conta com dançarinos gays.
Já Kylie Minogue veio construindo a sua carreira de maneira muito mais tímida, mas consistente e honesta, ao longo desse tempo todo. Embora seja linda, magra, loira e fatal, Kylie nunca usou sexo para vender-se. Nunca houve menção à putaria ou promiscuidade em suas músicas, nem nos clipes. Kylie não precisa de escândalo para se firmar: para isso ela sempre usou bons produtores, boas músicas, bons arranjos. Kylie sempre foi discreta; não se sabe se ela se casou, ou se tem filhos, ou se pretende adotar uma criança aborígene (já que ela é australiana). Sabe-se, isso sim, que a música dela é deliciosamente dançante, e os clipes são foda. Isso basta para quem é minimamente inteligente.
A única bandeira que Kylie Minogue levantou foi a do combate ao câncer de mama, e isso porque ela mesma foi vítima da doença. Anunciou abertamente que estava em tratamento, afastou-se da mídia para cuidar-se, e oportunamente voltou mais linda e talentosa do que antes.
E sabe o que vai ser melhor se rolar mesmo o show dela no Brasil? É saber que vai dar para curtir "Slow", "How Does It Feel In My Arms" e "Outta My Head", "I Believe In You" e "Wow" muito mais tranqüilamente do que no caldeirão de purpurina, baixaria e escândalo que os shows da Madonna vão se transformar. Mais do que nunca, hoje eu sei que eu não nasci para esse tipo de lugar.