NINE-ELEVEN
Meu avô contava que estava chegando para trabalhar no Fórum de Tupacigüara quando soube que a Segunda Guerra Mundial havia sido declarada. Minha mãe se lembra até hoje que estava tomando banho quando o rádio informou que o John Kennedy tinha morrido. Já meu pai é capaz de dar detalhes de como ele soube, ao chegar na faculdade de medicina, que os militares haviam dado um golpe de Estado e deposto João Goulart em 1964.
Acho que não há quem, na nossa geração, que não lembre onde estava e o que estava fazendo quando aconteceu o ataque de 11 de setembro de 2001.
Era terça-feira de manhã, e eu estava sozinho na minha sala no escritório de advocacia onde eu fui sodomizado por um ano e meio da minha vida. Estava lendo as notícias da página do UOL na internet, e depois de uma atualização surgiu a manchete de que um avião havia se chocado contra uma das torres do World Trade Center.
Na hora eu me lembrei de uma história que eu tinha lido num dos livros da Revistas Seleções na biblioteca do meu avô, chamado "Catástrofes, Desastres e Aventuras que Comoveram o Mundo". Era uma reportagem sobre um B-25 que se chocou contra o Empire State Building em 1945. Segundo esse livro, o tráfego de aviões sobre Manhattan havia sido proibido depois desse acidente, então na hora que eu li a notícia eu achei que o tal avião que havia batido contra o World Trade Center era, se muito, um teco-teco. Mas logo o meu colega da sala ao lado veio me chamar para ir ver o plantão do Jornal Hoje na sala de reuniões. Eu até desdenhei do convite, para quê ir ver as imagens de um teco-teco que bateu contra um arranha-céu? Foi quando ele me deu a real dimensão do acontecido: tinha sido um Boeing, lotado de passageiros!
Corremos para a sala de reuniões e encontramos quase todo mundo que estava no escritório àquela hora já lá dentro, em torno da TV ligada. A imagem era um take do World Trade Center a partir do outro lado do Rio Hudson, de maneira que a vista das duas torres ficavam como que sobrepostas, uma na frente da outra. Carlos Nascimento estava narrando como havia sido o até então "acidente", quando de repente outro avião surgiu na tela e entrou num dos prédios, transformando-se numa bola de fogo. Num primeiro instante ele, e também nós, achamos que tínhamos visto um replay da primeira trombada; mas logo caiu a ficha de que aquilo não seria possível já que o avião tinha entrado num World Trade Center já em chamas. Foi quando entendemos que havíamos presenciado, ao vivo, o segundo avião atingir a segunda torre, que estava até então incólume.
Um monte de coisas passou pela minha cabeça naquela hora. A perspectiva de um ataque nuclear a partir daquilo, e também a lembrança das advertências que Nossa Senhora havia feito sobre o advento de tempos críticos em suas aparições em Fátima e, sobretudo, mais recentemente em Medjugorje. Depois de um tempo assistindo àquele espetáculo de horror, gente saltando de andares altíssimos, o desmoronamento das duas torres, voltamos todos para as nossas salas atordoados. Ninguém conseguia imaginar como seria o mundo a partir daquele dia.
Lembro de tentar ligar para minha família americana do intercâmbio, e também um amigo e uma cliente do escritório que moravam em Washington, mas não consegui falar com ninguém porque o sistema estava todo congestionado. Passei o resto do dia assim, atrás de migalhas de informações. À noite, fui a uma vigília pelas vítimas e suas famílias.
Por muito tempo depois disso eu tive pesadelos terríveis, nos quais eu era um dos passageiros daqueles aviões e me desesperava por ver que fim me aguardava ao voar sobre Nova York. Ou então uma daquelas pessoas que ficaram encurraladas nas arapucas que aqueles prédios haviam se transformado.
Vocês são capazes de lembrar como foi o seu 11/09/2001?
Escrito
por Rindu às 12:53
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