"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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NINE-ELEVEN


Meu avô contava que estava chegando para trabalhar no Fórum de Tupacigüara quando soube que a Segunda Guerra Mundial havia sido declarada. Minha mãe se lembra até hoje que estava tomando banho quando o rádio informou que o John Kennedy tinha morrido. Já meu pai é capaz de dar detalhes de como ele soube, ao chegar na faculdade de medicina, que os militares haviam dado um golpe de Estado e deposto João Goulart em 1964.

Acho que não há quem, na nossa geração, que não lembre onde estava e o que estava fazendo quando aconteceu o ataque de 11 de setembro de 2001.

Era terça-feira de manhã, e eu estava sozinho na minha sala no escritório de advocacia onde eu fui sodomizado por um ano e meio da minha vida. Estava lendo as notícias da página do UOL na internet, e depois de uma atualização surgiu a manchete de que um avião havia se chocado contra uma das torres do World Trade Center.

Na hora eu me lembrei de uma história que eu tinha lido num dos livros da Revistas Seleções na biblioteca do meu avô, chamado "Catástrofes, Desastres e Aventuras que Comoveram o Mundo". Era uma reportagem sobre um B-25 que se chocou contra o Empire State Building em 1945. Segundo esse livro, o tráfego de aviões sobre Manhattan havia sido proibido depois desse acidente, então na hora que eu li a notícia eu achei que o tal avião que havia batido contra o World Trade Center era, se muito, um teco-teco. Mas logo o meu colega da sala ao lado veio me chamar para ir ver o plantão do Jornal Hoje na sala de reuniões. Eu até desdenhei do convite, para quê ir ver as imagens de um teco-teco que bateu contra um arranha-céu? Foi quando ele me deu a real dimensão do acontecido: tinha sido um Boeing, lotado de passageiros!

Corremos para a sala de reuniões e encontramos quase todo mundo que estava no escritório àquela hora já lá dentro, em torno da TV ligada. A imagem era um take do World Trade Center a partir do outro lado do Rio Hudson, de maneira que a vista das duas torres ficavam como que sobrepostas, uma na frente da outra. Carlos Nascimento estava narrando como havia sido o até então "acidente", quando de repente outro avião surgiu na tela e entrou num dos prédios, transformando-se numa bola de fogo. Num primeiro instante ele, e também nós, achamos que tínhamos visto um replay da primeira trombada; mas logo caiu a ficha de que aquilo não seria possível já que o avião tinha entrado num World Trade Center já em chamas. Foi quando entendemos que havíamos presenciado, ao vivo, o segundo avião atingir a segunda torre, que estava até então incólume.

Um monte de coisas passou pela minha cabeça naquela hora. A perspectiva de um ataque nuclear a partir daquilo, e também a lembrança das advertências que Nossa Senhora havia feito sobre o advento de tempos críticos em suas aparições em Fátima e, sobretudo, mais recentemente em Medjugorje. Depois de um tempo assistindo àquele espetáculo de horror, gente saltando de andares altíssimos, o desmoronamento das duas torres, voltamos todos para as nossas salas atordoados. Ninguém conseguia imaginar como seria o mundo a partir daquele dia.

Lembro de tentar ligar para minha família americana do intercâmbio, e também um amigo e uma cliente do escritório que moravam em Washington, mas não consegui falar com ninguém porque o sistema estava todo congestionado. Passei o resto do dia assim, atrás de migalhas de informações. À noite, fui a uma vigília pelas vítimas e suas famílias.

Por muito tempo depois disso eu tive pesadelos terríveis, nos quais eu era um dos passageiros daqueles aviões e me desesperava por ver que fim me aguardava ao voar sobre Nova York. Ou então uma daquelas pessoas que ficaram encurraladas nas arapucas que aqueles prédios haviam se transformado.

Vocês são capazes de lembrar como foi o seu 11/09/2001?



 Escrito por Rindu às 12:53
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BRAVÔ, BRAVÔ


Tem um tempo já que eu venho notando que a quantidade de circenses de sinal de trânsito tem aumentado. Hoje em dia, mal anoitece e já fica difícil encontrar um único sinal de trânsito nas vias mais movimentadas da cidade que não esteja tomado por malabaristas e gente cuspindo fogo. Aliás, isso não acontece só aqui em Brasília, não: já vi a mesma coisa em Belo Horizonte e em São Paulo. No Rio de Janeiro eu não vi, mas isso deve ser porque os malabaristas, assim expostos na rua, já devem ter morrido todos com balas perdidas.

Mas o que me intriga mesmo nesses malabaristas é ver que nenhum deles é mendigo. Ou pelo menos não têm cara de mendigo. Todos têm as feições bem formadas, uma rapaziada bem nutrida, todos os dentes na boca, e uma discreta desenvoltura ao andar e interagir que requer um certo berço para se ter. São sujos e molambentos na sua maioria, isso é verdade, mas nem de longe parecem com quem pede dinheiro na rua para poder comer (ou garantir a 51 ou o crack do dia, vai saber).

Outra coisa que me faz pensar assim é que esses caras nem se lixam se estão ganhando dinheiro com suas micagens ou não. Por vezes eles se distraem tanto com a sua arte, que nem vêem o tempo passar; o sinal abre, os carros arrancam e os deixam para trás com um chapéu vazio na mão e um sorriso amarelo no rosto. Uma cara de "nem tô".

Acho que esse pessoal passa o dia estudando na UnB (que é a maior concentração de dormem-sujos maloqueiros no Centro-Oeste). E aí, tão logo o sol se põe, correm para os sinais e põem-se a cuspir fogo e jogar coisas para cima até umas dez, onze horas da noite. Depois disso, pegam os seus carros do ano, voltam para as muito confortáveis casas de seus pais, e estudam para as provas de mecatrônica, física quântica e antropopsicologia adaptada. São o futuro da nação.



 Escrito por Rindu às 16:29
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