I WANT OUT
E daí que choveu inexplicavelmente na hora certa aqui em Brasília, e nós nem padecemos tanto assim com o calor e o abafamento dos momentos finais da seca. Para vocês terem uma idéia, nem deu tempo da minha costumeira rabugice dar-se conta do desconforto climático a ponto de ver nisso uma inspiração para escrever aqui no Quarto 1222.
Aliás, a isso se deve o meu sumiço daqui: completa e total falta de inspiração para escrever. Nada digno de nota tem acontecido na minha vida, e há muito tempo eu não sinto absolutamente nada relevante o bastante para me mover a sentar e escrever aqueles posts enormes, onde eu rasgava o meu coração numa catarse de angústias e dores (e alegrias e esperanças também). E eu não sei se isso é bom ou ruim, para ser bem sincero. Se por um lado eu não tenho sofrido nem me agoniado, o que é ótimo, por outro eu tenho convivido com a incômoda impressão de que em contrapartida eu também não tenho vivido. Acho que o esquema casa-cinema-clube-televisão não serve muito para mim, não. Pelo menos não por muito tempo.
Ao contrário dos outros anos, que pareceram passar num piscar de olhos, 2008 tem sido bem percebido, por assim dizer. Sério, os últimos cinco anos passaram por mim a jato, imperceptíveis, como se eu estivesse em coma. Do carnaval ao meu aniversário tudo acontecia num átimo, e assim sucessivamente até eu me ver entrado nos trinta sem ter compreendido direito como foi que isso tudo aconteceu. Agora isso não acontece mais. Os dias formam as semanas, que constituem os meses de maneira mais evidente. Vejo as minha vida se desenrolar com mais vagar.
Mais vagar e menos sentimento, frise-se. Se felizmente ou não, não sei dizer.
O que eu queria mesmo era poder sumir. Ir para um lugar onde ninguém me conhecesse, onde nada fosse esperado de mim, onde não houvesse obrigações, nem horários, nem nada. Onde não me fizessem perguntas, nem me pedissem providências, ou posicionamentos. Onde decisões não tivessem que ser tomadas, por mim nem por ninguém mais, por simples falta de necessidade. Onde eu tivesse cama e comida e sossego. Eu preciso de sossego.
Será que existe isso em Fernando de Noronha?
Escrito
por Rindu às 11:53
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