PARA O ALTO E AVANTE
Esses têm sido tempos muito estranhos. Faz tempo que eu não sei o que é estar entusiasmado pela vida, mas o que eu venho sentindo ultimamente tem superado todas as marcas anteriores. O que antes era um bode corriqueiro, e passageiro, virou uma impregnação sem precedentes, uma vontade avassaladora de ficar na cama e dormir dias e noites sem parar. Nem para malhar ou sair eu tenho tido gás. Juro, é assustador.
Daí que eu ando desconfiando que estou com anemia. Falta de fome, falta de ânimo, falta de tudo, além da mucosa das pálpebras extraordinariamente clara me sinalizam que sim, o nível de ferro (e conseqüentemente hemoglobinas) no meu sangue anda meio capenga. As causas para isso podem ser muitas, algumas mais sérias, mas nada incontornável. Há a possibilidade de que a minha dieta para hipertrofia, embora seja maciça em termos absolutos, tenha causado uma descompensação nos valores dos minerais e outras sutilezas do meu organismo. Seja como for, já comprei um Centrum na terça-feira de noite e hoje já me sinto um pouco melhor.
Em falar na dieta, eu consegui o meu primeiro objetivo: estou pesando 80 quilos, sem barriga e sem a cara redonda como um queijo que eu tive em 2003, quando eu alcancei 83 quilos pós-depressão. Estou bem satisfeito com o resultado, as roupas caem melhor e fiquei mais com cara de adulto, ao invés da cara de menino de 32 anos de idade que a minha magreza revelava nas fotos. Superado esse, resta o segundo e último objetivo: os 80 quilos com 10% de gordura, o que significa eu ganhar mais uns 4 quilos de massa magra (atualmente estou com 15% de gordura no corpo). Pelo andar da carruagem, isso vai acontecer por volta de fevereiro, bem quando eu estou programando os meus 10 dias de exílio em Fernando de Noronha.
A minha meta para 2008 foi modificar o meu corpo, e isso tem sido conseguido a duras penas. Fora os gastos imensos com nutricionista, academia, suplementos e o escambau, o sacrifício de comer sem ter fome tem sido terrível. Na dieta do mês passado eu tive que roer três sanduíches de presunto e queijo por dia, dois de manhã e um de tarde, e só Deus sabe o quanto isso foi difícil. Sério, dava vontade de chorar ao vencer a náusea de colocar na boca e comer algo que você não suporta mais sequer o cheiro. Mas, se obstinação é o meu segundo nome, que seja: no pain, no gain.
Na academia os ganhos tem sido satisfatórios. Claro que eu acho que poderiam ser maiores, e mais rápidos, mas a gente tem que se contentar com o que tem mesmo. É legal ver a escalada das cargas que se tem levantado, que são sinais de um desenvolvimento que muitas vezes não conseguimos perceber na nossa própria figura. Em supino eu comecei levantando 20 kg, hoje levanto 50; no inclinado eram míseros 16 kg, hoje são 30. E por aí vai.
O diacho é pensar que depois de eu conseguir o que eu quero, eu vou relaxar e perder tudo. Mas acho que mesmo assim vai ter valido a pena: eu terei superado algo que eu sempre aprendi a considerar como um limite intransponível.
Escrito
por Rindu às 12:18
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