"I can't go any further than this I want you so badly, it's my biggest wish.
"Cool, I spend my time just thinking about you Every single day, yes, I'm really missing you And all those things we use to do Hey girl, what's up? It used to be just me and you.
"Can you meet me halfway, right at the borderline? That's where I'm going to wait, for you. I'll be looking out, night and day -- You took my heart to the limit, and this is where I'll stay. I can't go any further than this I want you so badly, it's my only wish.
"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas Across the universe I go to other galaxies. Just tell me where to go, just tell me where you want to meet I navigate myself to take me where you'll be."
Houve um tempo em que era mais fácil lágrimas rolarem pelo meu rosto. Sem escolher hora, lugar ou platéia, minhas emoções me tomavam de assalto e eu manifestava despudoradamente minha raiva, ou tristeza, ou solidariedade. Embora eu sempre tenha sido uma pessoa avessa a escândalos e notoriedade desnecessária, nessa época era comum eu ter que me esforçar para disfarçar olhos inchados, cílios molhados, queixo trêmulo ou a voz embargada.
Para alguns um quadro assim pode parecer um grande descontrole ou imaturidade emocional, mas na verdade hoje eu percebo que eu nunca fui tão equilibrado e maduro em relação aos meus sentimentos do que nessa época. As emoções fluíam em mim mais facilmente, sem travas, sem gargalos, sem contingências. Da mesma forma que eu era arrebatado com intensidade pelo momento, eu purgava imediatamente todos aqueles sentimentos, e o que sobrevinha era uma gratificante sensação de leveza, autenticidade e de paz comigo mesmo.
Não sei como, nem por que, isso se perdeu. Paulatinamente, ao longo dos últimos anos, eu vim me transformando na epítome de um auto-controle essencialmente mal-resolvido, que se revela por feições de uma placidez dissimulada que me aprisiona e angustia. O que se vê em meu rosto é indiferença ou, quando muito, uma solidariedade fria e distante, quando na verdade o que sinto dentro de mim é o troar de toda uma torrente de emoções que não encontra canal para fluir. Sequer uma lágrima brota, nem mesmo palavras conseguem ser articuladas. É tudo um inferno solitário de silêncio, dor e tensão.
E essa coisa permanece revirando dentro de mim por horas, dias, semanas, roubando-me o sono e a paz de espírito. Causando-me cãibras, boca seca e cólicas. Matando-me de pouco em pouco, de dentro para fora.
Como voltar? Como sair desse calabouço em que eu mesmo me meti? Como voltar a ser capaz de sentir o ar sair do meu peito tão facilmente quanto ele entrou pelas minhas narinas? Como voltar a sentir?
Perguntas sem respostas, igual a tantas outras coisas da minha vida.
Eu não sei se isso acontece com todo mundo, mas ao longo dos anos eu venho percebendo que se trata de algo bem comum na minha vida. E acontece sem aviso prévio, bem quando eu estou mais acostumado com uma certa previsibilidade confortável e segura sobre tudo o que diz respeito a mim: de repente, e sem que eu necessariamente tenha feito algo para isso acontecer, ergue-se uma tsunami na minha existência e me deixa atordoado, com água até o pescoço e muita destruição à minha volta. Não resta pedra sobre pedra.
Nessas horas me sinto invadido por um misto de sentimentos que vai da mais completa confusão à mais viceral dor pela perda de tanto que eu já tinha como meu, e tão precioso. Não é um sentimento de revolta, mas de abnegação ressentida; algo que me prostra, me cansa, me faz desejar com todas as minhas forças jamais ter nascido, ou não mais acordar quando vou dormir.
Isso me rouba a tranqüilidade do sono, a paz da alma, o ar do peito. Minha nuca e meus ombros doem como se eu passasse os dias curvado, carregando rochas nas costas, e minha existência se limita a dias em silêncio, numa incansável, torturante (e sempre infrutífera) fuga de tudo, a começar de mim mesmo. Ah, quisera eu pudesse fugir de mim! Tirar férias, esquecer-me quem sou, viver a vida de outrem por um dia, ou dois, ou quem sabe por uma vida inteira...
Quanto sono, mas sem sonhos! Quanto cansaço, mas sem refrigério! Quanto desânimo, sem quaisquer perspectivas! Nesses dias a minha vida se resume a uma incessante representação da maldição de Sísifo, condenado a eternamente empurrar uma pedra morro acima, para então vê-la rolar morro abaixo e assim ter que recomeçar os seus esforços. Ou ainda de Prometeu, com seu fígado constantemente devorado pelos abutres durante o dia, para então regenerar-se durante a noite... Mas parece que no meu caso não há regeneração!
Não sei ao certo por que estou escrevendo este post. Não quero pena, nem condolências descabidas, nem nada. Apenas a sensação de que alguém, aí fora, se deu ao trabalho de se colocar a par da minha vida. Quem sabe não me sentirei melhor assim; a sensação de compartilhar esse tipo de coisa faz um bem danado.
Talvez seja uma lembrança da razão pela qual eu criei este blog, lá pelos idos de 2002.