ANTES TARDE DO QUE NUNCA
E aí que o Natal já veio e já foi-se, e com ele 2008 acelera rumo ao seu fim. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas essa época do ano me faz ficar reflexivo, meio caladão, pensando no que passou e no que eu fiz e deixei de fazer nos últimos 365 dias. E parece que ultimamente eu nunca consigo sair dessa fase, porque tenho tido a impressão de que os dias têm passado cada vez mais rápido à medida em que eu vou ficando mais velho. Num dia eu estou em janeiro e, quando menos dou por mim, já estou de novo indo ladeira abaixo com o segundo semestre. Inevitável sentir-me como se tempo tivesse sido roubado de mim.
Tem quem ache o Natal deprimente, uma data triste, enquanto no ano novo é aquela euforia. Comigo é o completo oposto: ao passo que no réveillon eu me sinto deslocado e sem motivo para comemorar, no Natal eu sou invadido por um monte de boas lembranças da infância que fazem ser impossível não ficar feliz nesses dias.
Eu sempre lembro dos natais na casa da minha avó, em Araguari: o cheiro de pernil assando que perfumava a tarde do dia 24 de dezembro, enquanto os empregados corriam de um lado para o outro para preparar as tolhas e guardanapos, louças, a prataria e os cristais para a ceia. Lembro como se fosse hoje das árvores de Natal magníficas que a minha avó preparava antes que chegássemos de Brasília, e do cuidado com que ela arrumava arranjos de mesa lindíssimos na sala de jantar. Todo ano ela me mandava ir ao quintal buscar "bambuzinho", um tipo de samambaia com folhas finíssimas como renda, e eu sempre ficava espiando depois como ela usaria aquilo para fazer as frutas e flores ficarem ainda mais bonitas. Minha avó foi a pessoa mais caprichosa que eu já conheci.
Daqui uns dias será o réveillon, e eu não tenho idéia do que eu vou fazer na passagem. Talvez ceie com a minha família e em seguida vá para a cama cedo, ou talvez vá a alguma festa. A verdade é que eu vou decidir só no dia mesmo, acho. Anos novos e carnavais são iguais para mim: não tenho o que nem por que comemorar, e o que faço é me esforçar para me integrar nas comemorações e esperar a loucura generalizada passar. É uma data que me dá uma enorme preguiça.
Bem, seja como for: já são quatro horas da manhã e eu só estou escrevendo para dizer que desejo a quem me acompanha por este blog um feliz e santo Natal, e um ano novo cheio de sonhos e realizações!
Um grande abraço!
Escrito
por Rindu às 04:04
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