"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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SOCIOCARCINOMA*


Outro dia eu conversava com um amigo sobre como algumas pessoas se revelam verdadeiras caixinhas de surpresas nas nossas vidas -- ou talvez o termo correto seja caixas de Pandora. Acho que já aconteceu com todo mundo: uma hora achamos que ganhamos um novo amigo que, de repente, deixa cair a máscara que usava e revela-se uma víbora traiçoeira. Descobrimos que estamos praticamente dormindo com o inimigo, lidando com alguém que, embora seja capaz de agir de um modo insuspeito, na verdade é falso e desleal.

Essa é inegavelmente uma da piores experiências que qualquer pessoa pode passar na vida. E embora cada um reaja a ela de uma maneira pessoal, geralmente essa reação tem a mesma natureza: afastar a pessoa em questão o mais rápido possível. A diferença é que alguns são mais incisivos nessa operação do que outros.

Meu amigo, por exemplo, me disse que prefere adotar o que ele chama de "quarentena": ele se afasta de quem ele sabe que não presta, e se coloca a uma distância segura de todas as pessoas que estão entre ele e seus detratores. Não rompe com ninguém de vez, mas vai observando o comportamento de todos cuidadosamente por um período de tempo. Só toma medidas mais drásticas depois de identificar quem está do lado dele, quem não está, e quem é perigosamente ambíguo.

Já eu não sei agir assim, com toda essa parcimônia e sangue-frio. Identificado uma ameaça, concentro imediatamente todo o meu poder de fogo nela. E como um médico que, ao extirpar um câncer, também retira todo o tecido adjacente ao tumor como medida preventiva contra uma metástase, eu igualmente me empenho em cavar entre mim e o ex-amigo um abismo intransponível. Torna-se essencial me livrar de quem mais possa estar contaminado com o mau-caráter do outro, custe o que custar. "Diga-me com quem andas e eu te direi quem és", dizia a minha avó, e eu acho que ela estava coberta de razão. Quem anda com gente mau-caráter, boa índole não deve ter.

Mas essa "filostomia" (neologismo: "extirpação de amigos") não é assim irrevogável e peremptória, e nem tem que ser. Eu não poderia ser cruel ou ignorante a esse ponto; qualquer um que já teve marimbondos na boca ou nas pontas dos dedos, ao falar ou escrever qualquer bobagem levado por alguma emoção idiota -- e eu nem preciso dizer que me coloco num lugar de destaque entre esses -- sabe o valor que tem uma segunda chance, ou um pedido genuíno de perdão. Entretanto, a cartada da reaproximação é algo que só pode ser usada uma vez, e uma vez somente: feito e desperdiçada, é guerra declarada.

Quando isso acontece, suspeitas de malignidade viram certezas incontestáveis, todas apontando para uma falha séria e incurável na moral da pessoa -- o que só serve para me fazer preferir a companhia do diabo que a do indivíduo em questão. Nesse caso, o corte é profundo: queimo pontes, destruo laços, elimino quaisquer vestígios meus na vida da pessoa e de quem mais a cercar. Orkut, MSN, Twitter, Last.fm, e-mails e tudo mais é bloqueado, apagado, esquecido.

E eu não sei quanto a elas, mas da minha parte não sinto remorso algum em ver essas pessoas fora da minha vida. Não consigo enxergar qualquer perda; na verdade, é só o ganho de um alívio enorme de perceber que me transformei numa lembrança vaga e distante em suas memórias.

* SOCIOCARCINOMA: neologismo significando "câncer social".



 Escrito por Rindu às 02:52
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