"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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QUASE MORRI. MAS ESTOU AQUI.


Eu não sei quem foi o idiota que disse pela primeira vez que ser adulto é sinônimo de viver uma vida miserável e estressante. Parece que só leva uma vida séria quem vive angustiado, sempre correndo de um lado para o outro, carregando o mundo inteiro nas costas e tentando todos os dias dar conta de coisas que, na verdade, estão muito acima das suas capacidades normais.

Nos últimos dois anos a minha vida tem ido por esse caminho, complicando-se cada vez mais. Dia após dia eu me vejo metido numa ingrata tarefa de Sísifo, na qual a pedra que eu rolo morro acima torna-se mais pesada a cada vez que rola morro abaixo. Isso é desgastante, cansativo, e fica ainda pior quando se leva em conta que eu continuo achando que vivo uma morte em vida, deslocado no tempo e no espaço do meu lugar verdadeiro nesta existência. Carregar um peso que a gente odeia e acha inútil é muito, muito ruim.

Nesses últimos meses, para ser bem franco, eu me vi desmoronando. O réveillon foi passado em meio ao pior turbilhão emocional porque passei nos últimos cinco anos, e um mês de janeiro excepcionalmente tumultuado no trabalho (e eu era o único da equipe que não tinha tirado férias) acabou comigo. Tendo o histórico que eu tenho, é muito preocupante quando a gente chega ao ponto de acordar querendo morrer, ou se sentindo a criatura mais miserável da face da terra. Quando isso acontece, é hora de parar um pouco, dar um tempo e recarregar as baterias.

E olha, foi na base de muita reza de joelho no chão para eu conseguir salvar pelo menos uma das três semanas de férias que eu tinha planejado tirar. Uma licitação toda complicada e uma chefia insegura e ávida por um bode expiatório se tornaram ameaças reais ao meu tão necessário descanso, bem no ponto em que eu já estava no limite da minha sanidade mental e forças físicas. Sério, meu: eu estava por um fio. Sem exagero.

Mas Deus é mais... Ele sempre é mais. No fim das contas as coisas deram certo, e o que é melhor: quem queria ver minha cabeça rolar teve que admitir que eu tinha feito tudo certinho e que estava tudo sob controle. E eu pude fugir do Escritório por seis míseros dias úteis.


E aí que fui para Fernando de Noronha.

E para Porto de Galinhas.

Meu, foi muito bom. Tudo bem que ficar fora de Brasília de sexta-feira ao sábado da semana seguinte não é algo que pode ser chamado de férias propriamente ditas, mas pelo menos deu para descansar um pouco o corpo. Para descansar a cabeça precisaria de mais tempo, mas não deu mesmo e o jeito vai ser aproveitar ao máximo essa saraivada de feriados que virá este ano (graças a Deus).

Foi um sonho antigo conhecer Fernando de Noronha. O lugar é muito lindo, praias perfeitas, paisagens extasiantes. Entretanto, sendo uma imensa área de proteção ambiental, o turista é quem sobra ali, e isso percebe-se nas praias sem qualquer estrutura de apoio -- exceto em relação ao turismo de trilhas e mergulho. Nem sombra havia, e o resultado disso foi eu ter voltado da ilha um verdadeiro senegalês. Há bons restaurantes na ilha, mas apenas dois ou três hotéis que saiam do padrão pousadinha simplíssima. E os acessos às praias são sempre péssimos, muito ruins mesmo -- coisa para enduro de buggy.

Além da coisa meio agreste, a pessoa que vai a Fernando de Noronha tem que estar preparada para todo tipo de encontro e interação com a fauna local -- porque nunca se deve esquecer que quem está sobrando ali é você, ser humano. Daí dá-lhe cara de paisagem para achar natural um tubarão passar a vinte centímetros do teu pé na praia, ou você encontrar uma raia de meio metro de diâmetro nadando tranquilamente bem no rasinho. Ou você ficar sentado numa praia onde os atobás quase pousam na sua cabeça, sem qualquer receio da sua presença ali.

Já Porto de Galinhas foi só alegria, e lá eu vi o quanto eu sou um animal urbano. Praias selvagens não são mesmo a minha onda, e na verdade eu gosto mesmo é de ter sombra e água fresca à minha disposição. Guarda-sol montado, água de côco à mão, acessos asfaltados, calçadão, pousada bem pertinho... ah, na boa: de dureza a minha vida já está cheia para eu me meter num esquema selvagem nas minhas férias .

As histórias são muitas, mas nem dá para contar tudo aqui no Quarto 1222. Só digo que eu acho que Pernambuco é o lugar com as praias mais lindas do Brasil. Aquele lugar é cheio de cores, cheiros, um povo legal demais... acho que voltei meio pernambucano dessas férias, hahaha. Certamente volto para lá um dia.

E dá-lhe comer bolo de rolo para matar a saudade!



 Escrito por Rindu às 23:10
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