"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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SETE ANOS


Ontem foi o dia de São José, 19 de março.

Meu avô costumava dizer que se chovia no dia de São José, a estação de chuvas seria longa. Se isso for verdade, as previsões deste ano não são as melhores. Fez um sol e um calor danado o dia todo, e só no fim do dia uma chuvinha de molhar bobos se ensaiou. Ou seja: temos um agostão desgraçado nos esperando logo ali na frente.

Ontem também foi o dia em que o meu blog fez sete anos de existência. Meu, SETE ANOS. É muita coisa, pelo menos para mim.

O Quarto 1222 registrou praticamente todos os momentos relevantes da minha vida nesses últimos anos. Aqui ficou registrada a minha loucura, as minhas descobertas, o meu aprendizado e o meu crescimento rumo ao que sou hoje. Muitas lágrimas foram canalizadas para cá, mas também aqui muitas alegrias foram registradas aqui. Muitos surtos que servem de retrato de um cara que amadurecia tardiamente ficaram marcados neste blog, como um testemunho pessoal que me lembra de caminhos que eu não quero mais trilhar.

Boa parte do que sou hoje está ou esteve escrita aqui. Em 2006 eu encerrei a fase indiscreta, íntima e pessoal do Quarto 1222, copiei os seus arquivos num CD-Rom e apaguei os arquivos do banco de dados. Aí que hoje em dia eu não consigo mais abrir esses arquivos e ler os posts. Uma cruel (e talvez sábia) ironia do destino.

De resto, acho que tenho que agradecer aos poucos leitores que me acompanham pacientemente todo esse tempo. E a Deus, por todos os amigos que eu conseguir fazer por meio deste blog, muito apesar de nem sempre mostrar a minha face mais aprazível aqui. Acho que amigos feitos assim são os do tipo mais verdadeiro que existe.

E que venham mais sete anos!



 Escrito por Rindu às 03:11
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UNS VÃO, OUTROS FICAM


Eu fiz o propósito quase religioso de não assitir ao Big Brother este ano. Aliás, este ano não: já há uns três ou quatro anos que eu me recuso a dar audiência para aquele poço de baixaria e boçalidade, e sempre dou um jeito de sair da sala ou mudar de canal quando o idiota do Pedro Bial aparece chamando aquele bando de desequilibrados de "nossos heróis". Na boa, atribuir aquela gente como meus heróis subestima tanto a minha inteligência que me sinto insultado.

Mas tem dias que não dá para escapar, e o jeito é recostar na poltrona e assistir àquele lixo. E foi assim que outro dia eu vi a Naiá chorar porque não queria que a Ana Carolina fosse eliminada do programa. Em prantos, a mulher dizia que a vida dela sempre foi uma sucessão de despedidas, que ela até já estava acostumada com aquilo, mas que mesmo assim se entristecia.

Nessa hora foi impossível eu não me identificar com ela.

Eu sempre tive a certeza de ser aquele que vê as pessoas indo embora, mas que não vai a lugar algum. Aprender a sobreviver às despedidas passou a ser ponto crucial na minha existência, uma vez que são sempre as pessoas à minha volta que se vão: ou porque morrem, ou porque se mudam, ou porque a vida se encarrega de levá-las mansamente na sua correnteza para bem longe de mim, para onde as memórias se tornam vagas e o esquecimento faz morada.

Isso cria cicatrizes profundas no coração de uma pessoa. Tantas, que o fato de conhecer alguém novo e começar a se apegar a essa pessoa passa a ser motivo de angústia para gente como eu: fatalmente chegará também o dia da despedida, e quanto mais forte for o apego, mais doloroso será o adeus. Daí vive-se uma vida toda controlada, dosando o grau de dedicação devotado aos que te cercam, como quem raciona a água de um cantil no meio do deserto.

Paradoxalmente, também nos assalta uma necessidade tremenda de tirar o máximo proveito desses bons encontros que a vida nos proporciona, justamente porque são fadados a serem efêmeros. Cada dia, cada conversa, cada instante tem o seu valor único, e precisa ser aproveitado como se fosse o último porque nunca se sabe se e quando haverá outra oportunidade. E, caso uma dessas oportunidades é perdida, fica a melancolia de uma nostalgia cheia de remorso.

Recentemente eu tive que me despedir mais uma vez: um grande amigo, desses que surgem do nada nas nossas vidas e sem mais nem menos se tornam nossas almas gêmeas, mudou-se para o Rio de Janeiro. Mais uma vez, as pessoas se vão, e eu fico: neste caso, lá foi ele buscar o seu crescimento pessoal, e cá fiquei eu na vida mais ou menos de sempre. O saldo disso tudo, só muita saudade e um grande vazio.

Amigos de verdade são difíceis de se achar. Eles deviam ser difíceis de se perder também.



 Escrito por Rindu às 18:30
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