EPIFANIAS DE BALADA
Ontem -- quem diria -- lá fui eu me meter numa balada onde já há quase quatro anos eu me vangloriava de nunca mais ter posto os meus pés. E olha, à parte de toda a reza ao meu anjo da guarda antes de entrar ali, eu preciso admitir que foi bom, sim. Surpreendentemente, me diverti pencas. Pensar nisso e em mais algumas observações que eu fui fazendo ao longo da noite, me fez tirar algumas conclusões: - O problema não é o lugar que se vai, mas com quem se vai. E é assim porque gente má, sobrecarregada de energia negativa, consegue transformar até mesmo a Disneylândia na sucursal do inferno.
- Foi legal ver que, não importa em qual balada eu esteja, eu não consigo dar dez passos sem que tenha que parar para cumprimentar alguém, dar abraços e rever gente alegre por me encontrar. Isso faz um bem danado à alma.
- Também foi muito bom ver que eu consigo me divertir do jeito que eu gosto de me divertir (rindo muito, cantando alto, dançando like none's watching) em qualquer lugar, em qualquer ambiente. Sair da balada rouco, cansado e com a roupa úmida de suor não tem preço, e vale mais que qualquer carão ou ficada.
- Por fim, constatei que há quem tenha mesmo que ficar se escondendo nos cantos escuros da balada. E eu não estou falando de beleza física, nem status social: é uma questão de índole mesmo, caráter. É claro que é impossível que as luzes mostrem tudo o que há por dentro dessa gente, mas como os olhos são a janela da alma, é melhor mesmo que sejamos poupados de vê-los.
Olha, nessas horas é que eu agradeço a Deus pelo tanto que eu já caminhei nessa vida, e o chão que eu deixei para trás. Rezo todo dia para que essas coisas nunca mais me alcancem.
Escrito
por Rindu às 20:38
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