"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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CHEGAY


Não sei se foi por causa dos meus lindos olhos, ou por causa das minhas frequentes contas astronômicas, outro dia a TIM resolveu me ligar para me dizer que queria me presentear (sic) com um novo aparelho celular. Sim, caro leitor: um novo celular, entregue pelos Correios, e tudo a custo zero. E olha que maravilha, eu até poderia escolher o modelo!

No começo eu cheguei a pensar que aquilo era um daqueles trotes para extorquir dinheiro, que vez por outra a gente ouve falar que presidiários de Fortaleza aplicam em incautos. Do tipo que começa prometendo mundos e fundos, só para mais tarde fazer as ameaças mais horripilantes. Mas quando a mulher do telemarketing me disse o meu endereço corretamente, eu acreditei que a coisa era para valer e fiquei bem feliz.

E então passamos para os acertos finais, até que chegou a hora de escolher o aparelho.

[pausa]

Desde que eu me conheço por gente, eu tenho uma enorme resistência de ser igual aos outros. Acho que todo mundo é mais ou menos assim, mas em certos momentos essa característica se torna um aspecto bem relevante da minha personalidade. Eu não gosto de me parecer com os outros,  ter as coisas que os outros têm, ou fazer as coisas do jeito que o resto do mundo faz. E embora isso pode até ser bem divertido e enriquecedor, não é raro eu me colocar em situações meio inusitadas por conta disso.

[/pausa]

Então, escolhido o aparelho, perguntei das opções de cores disponíveis: preto e roxo.

O meu raciocínio (ou a falta dele) foi rápido: todo mundo tem esse celular preto: meu irmão, uns amigos meus, um monte de gente que eu vejo na rua. Então, claro, eu hei de ser diferente e decido querer o roxo. E ponto final.

Pois bem, ontem me chegou o celular: se eu tinha imaginado um roxo azulado (tipo roxo hematoma), me dei mal. Eis que por infortúnio eu trago agora comigo um celular praticamente violeta (ou lilás, não sei bem distinguir essas nuances de cores), bem cheguei. E como se a cor por si mesma já nào bastasse, ele ainda por cima tem a capa bem polida, brilhante. Um mimo de frescor e delicadeza.

Eu poderia recusar a encomenda para então tentar descolar outro telefone, ou ainda peregrinar pelas lojas da TIM aqui de Brasília para trocá-lo, mas resolvi deixar para lá. Nunca fui de me importar com o que as pessoas acham ou deixam de achar em relação ao que trago comigo, e não vai ser agora que isso vai começar a me incomodar. Só estranho um pouco porque um celular lilás brilhante não condiz muito com a pose low profile que eu sempre tentei cultivar.

Mas eu nem tô. Agora eu quero é mais o meu hype em brilho!



 Escrito por Rindu às 17:28
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A HISTÓRIA E A EXPERIÊNCIA


Acho que foi numa loja em Porto de Galinhas que eu vi à venda umas camisetas com aquelas comparações entre as faixas etárias dos homens e a evolução do desejo sexual. Fiquei curioso para ver o que dizia a camiseta sobre a minha idade, e achei graça quando a encontrei: "30 - 40 anos, idade da águia: escolhe o que quer comer".

E o pior é que é por aí mesmo.

Eu já tive o meu tempo de esbórnia, quando o que contava mesmo era ter o máximo de experiências possíveis. Foram anos loucos: fiquei com praticamente todo mundo que eu já quis, fiz tudo o que eu queria, tirei em regra todo o atraso de uma vida adulta iniciada tardiamente.

Só que, de repente, tudo mudou.

Ando percebendo que se antes eu buscava acumular experiências, agora tenho buscado construir histórias. Busco algo que permaneça, que acrescente algo a minha vivência, que me faça sentir algo a mais do que um affair insignificante. Uma dimensão mais humana dos meus relacionamentos, ao invés de bidimensionalidade da mera atração física.

O diabo é quando a gente encontra pessoas que ainda não sacaram isso -- e olha, não estou falando necessariamente de gente com vinte e poucos anos, não. Idade está longe de ser sinal de maturidade, e é triste se deparar por aí com uns adolescentes tardios, que acham que a vida consiste só em pular de galho em galho sem pensar no que virá amanhã. Não sei quem está certo, eu ou eles, mas a verdade é que eu não me permito esquecer que o viço da juventude não dura para sempre. E que quando chegar o dia em que eu não for mais considerado parte do jogo, eu quero estar muito bem acompanhado, bem feliz e em paz com o meu passado.

A fábula da cigarra e da formiga está aí para dar a dica: o conforto do inverno da nossa vida a gente constrói na primavera da nossa juventude.



 Escrito por Rindu às 17:48
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