CHEGAY
Não sei se foi por causa dos meus lindos olhos, ou por causa das minhas frequentes contas astronômicas, outro dia a TIM resolveu me ligar para me dizer que queria me presentear (sic) com um novo aparelho celular. Sim, caro leitor: um novo celular, entregue pelos Correios, e tudo a custo zero. E olha que maravilha, eu até poderia escolher o modelo! No começo eu cheguei a pensar que aquilo era um daqueles trotes para extorquir dinheiro, que vez por outra a gente ouve falar que presidiários de Fortaleza aplicam em incautos. Do tipo que começa prometendo mundos e fundos, só para mais tarde fazer as ameaças mais horripilantes. Mas quando a mulher do telemarketing me disse o meu endereço corretamente, eu acreditei que a coisa era para valer e fiquei bem feliz. E então passamos para os acertos finais, até que chegou a hora de escolher o aparelho. [pausa] Desde que eu me conheço por gente, eu tenho uma enorme resistência de ser igual aos outros. Acho que todo mundo é mais ou menos assim, mas em certos momentos essa característica se torna um aspecto bem relevante da minha personalidade. Eu não gosto de me parecer com os outros, ter as coisas que os outros têm, ou fazer as coisas do jeito que o resto do mundo faz. E embora isso pode até ser bem divertido e enriquecedor, não é raro eu me colocar em situações meio inusitadas por conta disso. [/pausa] Então, escolhido o aparelho, perguntei das opções de cores disponíveis: preto e roxo. O meu raciocínio (ou a falta dele) foi rápido: todo mundo tem esse celular preto: meu irmão, uns amigos meus, um monte de gente que eu vejo na rua. Então, claro, eu hei de ser diferente e decido querer o roxo. E ponto final. Pois bem, ontem me chegou o celular: se eu tinha imaginado um roxo azulado (tipo roxo hematoma), me dei mal. Eis que por infortúnio eu trago agora comigo um celular praticamente violeta (ou lilás, não sei bem distinguir essas nuances de cores), bem cheguei. E como se a cor por si mesma já nào bastasse, ele ainda por cima tem a capa bem polida, brilhante. Um mimo de frescor e delicadeza. 
Eu poderia recusar a encomenda para então tentar descolar outro telefone, ou ainda peregrinar pelas lojas da TIM aqui de Brasília para trocá-lo, mas resolvi deixar para lá. Nunca fui de me importar com o que as pessoas acham ou deixam de achar em relação ao que trago comigo, e não vai ser agora que isso vai começar a me incomodar. Só estranho um pouco porque um celular lilás brilhante não condiz muito com a pose low profile que eu sempre tentei cultivar. Mas eu nem tô. Agora eu quero é mais o meu hype em brilho!
Escrito
por Rindu às 17:28
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