"I can't go any further than this
I want you so badly, it's my biggest wish.

"Cool, I spend my time just thinking about you
Every single day, yes, I'm really missing you
And all those things we use to do
Hey girl, what's up? It used to be just me and you.

"Can you meet me halfway, right at the borderline?
That's where I'm going to wait, for you.
I'll be looking out,
night and day
-- You took my heart to the limit,
and this is where I'll stay.
I can't go any further than this
I want you so badly, it's my only wish.

"Girl, I travel around the world and even sail the seven seas
Across the universe I go to other galaxies.
Just tell me where to go, just tell me where you want to meet
I navigate myself to take me where you'll be."

"Meet Me Halfway"
Black Eyed Peas.








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QUANTA DIFERENÇA!


E aí que faz umas duas semanas que eu troquei de academia, depois de quase cinco anos de fidelidade ali na ACM. Saí de lá e me joguei na Club 22, bem feliz e contente.

Tudo bem que eu até gostava da ACM, daquela coisa de academia de bairro razoavelmente bem equipada e com professores capacitados -- pelo menos quando eu me matriculei lá. E o melhor de tudo: livre de periguetes e playboyzinhos. Mas aconteceu que, ao longo desses anos, a coisa foi se degradando pouco a pouco, até o ponto de chegar um momento em que continuar ali se tornara uma questão de abnegação e renúncia à minha dignidade.

Sério, no dia que eu percebi que não estava no meu contrato ter que malhar numa academia imunda, decadente, e com instrutores escrotos (uns estagiários que achavam que aquilo era a churrasqueira da casa deles), eu capei o gato tão rapidamente que eu mesmo fiquei impressionado. Cheguei na secretaria, pedi a minha alforria, e em dois minutos joguei a minha echarpe e saí trinfante porta afora, para nunca mais voltar.

De certa maneira foi uma pena, porque eu até que deixei alguns amigos legais para trás. Mas a partir do momento que eu vi que essa era a única coisa que ainda me prendia ali, eu admiti que era a hora de ir embora: amigos fazem-se em qualquer lugar, e os amigos verdadeiros permanecem mesmo sem a facilidade da convivência rotineira. E, de fato, não dava mais: de um ano para cá, a ACM emborcou numa decadência tão ferrada que não dava mais para aguentar calado e fingir que não se via nada.

Tudo na sala de musculação era tão imundo que eu saía de lá parecendo que eu tinha trocado um pneu. Aliás, a limpeza da academia era a coisa que mais deixou a desejar. O cara da manutenção parecia que tinha um único pano encardido para limpar com a maior displicência possível tudo o que se via: o chão, os espelhos e sei lá mais o quê. Havia teias de aranha por todos os lados, e ultimamente estava se tornando perturbadoramente comum encontrar insetos amassados e secos por baixo dos halteres e anilhas. O banheiro tinha constantemente um cheiro muito estranho de sebo, e vivia alagado. Nojo, gente. Muito nojo.

A sala de musculação estava ficando uma coisa complicada. Eu cheguei a me cortar no plástico de proteção do estofamento de um equipamento, que estava quebrado havia meses. Aliás, vários equipamentos estavam assim, e ninguém fazia nada -- e ainda achavam que era frescura se alguém reclamava. Isso sem falar que placas de pesos com o respectivo número indicativo das cargas era a exceção das exceções -- o que fazia com que malhar ali também se transformasse num exercício matemático, ou que a coisa ficasse mesmo na base da tentativa e erro.

Mas o que me dava mesmo nos nervos era a constante bagunça: tudo fora do lugar, espalhado pelo chão, e sem ninguém que cuidasse de organizar aquilo. Era um custo encontrar os halteres largados do outro lado da academia, ou pegar anilhas misturadas nos racks com todos os outros pesos. Os instrutores tropeçavam na desorganização, mas ignoravam tudo como se não fosse problema deles -- no que, aliás, eram imitados descaradamente pelo cara da limpeza. Como eu não aguento desordem, no final era eu que estava catando tudo no chão e guardando de maneira organizada -- mas quando percebi que eu estava dando uma de otário porque pagava uma mensalidade que não era barata para só ter aborrecimento, vi que tinha chegado a hora de cantar para subir aquela porra toda.

A Club 22 é mais cara, mas meu: compensa cada centavo. A limpeza é impecável, os equipamentos de ponta, o espaço amplo, arejado. Eu posso fazer qualquer aula da academia sem ter que me aborrecer com planos para isso e para aquilo. E o público... cara, quanta diferença. Depois de cinco anos convivendo com uma rafuagem muito da feia na ACM, eu tenho visto tanta gente linda na Club 22 que isso tem até alterado a minha percepção estética no dia-a-dia. Hoje não é mais qualquer coisa que me impressiona, ao passo que antes já me chamava a atenção encontrar alguém que tivesse os dentes da frente.

Mas à parte disso tudo, o que mais tem me chamado a atenção é a educação do staff da academia. Absolutamente todo mundo faz contato visual, sorriem e fazem questão de cumprimentar, seja quem for. E isso me agonia, porque sabendo o quanto Brasília é uma terra de cavalgaduras chucras, gente muito bruta e mal-criada, imagino o quanto esse pessoal fica no vácuo.

Chega a dar dó.



 Escrito por Rindu às 12:52
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